sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Pensando Celso de Mello Blues – 2
Realmente, este livro
do ex-jurista, ex-ministro da Justiça, Saulo Ramos, é uma
enormidade.
Chama-se “Código da
Vida”, é de 2007, pela editora Planeta, e relata que o autor ouviu
o juiz Celso de Mello declarar que decidiria uma questão submetida
ao seu crivo, de uma maneira ou de outra, conforme melhor atendesse a
sua conveniência.
Teve de ouvir: “Juiz
de merda!”, do outro lado da linha:
Terminado seu mandato na Presidência da República
[1990], José Sarney resolveu candidatar-se a senador. O PMDB –
Partido do Movimento Democrático Brasileiro – negou-lhe a legenda
no Maranhão. Candidatou-se pelo Amapá. Houve impugnações fundadas
em questão de domicílio, e o caso acabou no Supremo Tribunal
Federal.
Naquele momento, não sei por que, a Suprema Corte
estava em meio recesso, e o ministro Celso de Mello, meu
ex-secretário na Consultoria Geral da República, me telefonou:
“O processo do presidente será distribuído
amanhã. Em Brasília, somente estão por aqui dois ministros: o
Marco Aurélio de Mello e eu. Tenho receio de que caia com ele, primo
do presidente Collor. Não sei como vai considerar a questão”.
“O presidente tem muita fé em Deus. Tudo vai
sair bem, mesmo porque a tese jurídica da defesa do Sarney está
absolutamente correta.”
Celso de Mello concordou plenamente com a
observação, acrescentando ser indiscutível a matéria de fato,
isto é, a transferência do domicílio eleitoral no prazo da lei.
O advogado de Sarney era o dr. José Guilherme
Vilela, ótimo profissional. Fez excelente trabalho e demonstrou a
simplicidade da questão: Sarney havia transferido seu domicílio
eleitoral no prazo da lei. Simples. O que há para discutir? É
público e notório que ele é do Maranhão! Ora, também era público
e notório que ele morava em Brasília, onde exercera o cargo de
senador e, nos últimos cinco anos, o de presidente da República.
Desde a faculdade de Direito, a gente aprende que não se pode
confundir o domicílio civil com o domicílio eleitoral. E a
Constituição de 88, ainda grande desconhecida (como até hoje), não
estabelecia nenhum prazo para mudança de domicílio.
O sistema de sorteio do Supremo fez o processo
cair com o ministro Marco Aurélio, que, no mesmo dia, concedeu
medida liminar, mantendo a candidatura de Sarney pelo Amapá.
Veio o dia do julgamento do mérito pelo plenário.
Sarney ganhou, mas o último a votar foi o ministro Celso de Mello,
que votou pela cassação da candidatura do Sarney.
Deus do céu! O que deu no garoto? Estava
preocupado com a distribuição do processo para a apreciação da
liminar, afirmando que a concederia em favor da tese de Sarney, e,
agora, no mérito, vota contra e fica vencido no plenário. O que
aconteceu? Não teve sequer a gentileza, ou habilidade, de dar-se por
impedido. Votou contra o presidente que o nomeara, depois de ter
demonstrado grande preocupação com a hipótese de Marco Aurélio
ser o relator.
Apressou-se ele próprio a me telefonar,
explicando:
“Doutor Saulo, o senhor deve ter estranhado o
meu voto no caso do presidente”.
“Claro! O que deu em você?”
“É que a Folha de S. Paulo, na véspera da
votação, noticiou a afirmação de que o presidente Sarney tinha os
votos certos dos ministros que enumerou e citou meu nome como um
deles. Quando chegou minha vez de votar, o presidente já estava
vitorioso pelo número de votos a seu favor. Não precisava mais do
meu. Votei contra para desmentir a Folha de S. Paulo. Mas fique
tranquilo. Se meu voto fosse decisivo, eu teria votado a favor do
presidente.”
Não acreditei no que estava ouvindo. Recusei-me a
engolir e perguntei:
“Espere um pouco. Deixe-me ver se compreendi
bem. Você votou contra o Sarney porque a Folha de S. Paulo noticiou
que você votaria a favor?”
“Sim.”
“E se o Sarney já não houvesse ganhado, quando
chegou sua vez de votar, você, nesse caso, votaria a favor dele?”
“Exatamente. O senhor entendeu?”
“Entendi. Entendi que você é um juiz de
merda!”
Bati o telefone e nunca mais falei com ele.”
Saulo Ramos faleceu em
2013, seis anos após o lançamento do livro, e Celso de Mello nunca
desmentiu o relato.
Ainda bem que não
estamos, ainda, numa completa Ditadura, e podemos contar com editoras
publicando, pessoas livres escrevendo, biografias não autorizadas.
Que pena, artistas que
lideram o movimento para que sejam caladas as vozes da Liberdade,
Caetano Veloso, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Gilberto Gil, Chico
Buarque, dentre outros, que vocês abracem causa tão equivocada.
Quem não se peja de
defender Ditaduras não merece qualquer respeito.
Cada preso político
morto numa masmorra.
Cada Hitler e cada
Stalin.
Cada massacre
perpetrado por um fanático.
Tudo isto em seu nome.
Pensando Celso de Mello Blues
Como é que o destino
pode ser tão brincalhão
um palhaço risonho que
apronta todas
um menino
sem consciência ou
perdão
um imenso poder
que mata a todos, sem
compaixão
Pois não é que
publicaram este livro
em que o ex-ministro da
Justiça, Saulo de Ramos,
Responsável pela
indicação de Celso de Mello
para ser juiz do
Supremo
Diz que Celso de Mello
é um juiz de merda
capaz de alterar um
voto à conveniência da ocasião
Sofista supremo
sem centro fixo na
moralidade
Juiz sem coragem
Juiz sem opinião
Vai julgar o quê?
Juiz de merda
E este mesmo Celso de
Mello
juiz agora do Supremo
Vai julgar um processo
espinhoso
aquele tal de
“mensalão”
E primeiro faz discurso
bonito
Fala de Justiça
Fala de retidão
E quando chega o
momento supremo
Aquele que tem de
mostrar ao que veio
Aquele de homem e facão
Aí amansa de fazer o
rebolado
Aí faz um discurso
danado
Aí arrega pro patrão.
Momento supremo da
vida.
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
Era uma vez em um lugar nem tão distante...
“A primeira coisa que
um político de lá pensa quando se guinda às altas posições, é
supor que é de carne e sangue diferentes do resto da população.
O valo de separação
entre ele e a população que tem de dirigir faz-se cada vez mais
profundo.”
- por Lima Barreto in
“Os Bruzundangas”
Lalo era um líder de
massas, tinha sido presidente-rei de uma republiqueta latino
americana, uma tal de Bruzundanga...
Chamar republiqueta a
Bruzundanga transmite uma ideia errada.
A Bruzundanga figurava
entre as 10 maiores economias mundiais. País com dimensões
equivalentes às da Europa, riquíssimo em toda sorte de recurso
agrícola, mineral, e o escambau, possuía uma população
principalmente jovem, num total de uns 200 milhões.
Mas, ainda assim, republiqueta, num
sentido comum a outras grandes nações de um grande continente.
Republiqueta porque
estas tais assumem uma máscara de República, Democracia, Estado de
Direito, Liberdade para o indivíduo, Separação de Poderes, e todas
estas palavras bonitas que se escrevem com maiúsculas.
Mas na realidade
escondem tristes Histórias, de exploração e opressão de tantos
povos. Homens lobos de homens.
Tantos massacres, tanta
dizimação assombrou estas terras. Povos inteiros chacinados, sem
que isto fizesse grande mossa na consciência coletiva.
Mas o inconsciente,
ah, como este pobre é assombrado! Um refém sequestrado, submetido às
piores torturas, obrigado a ter de testemunhar tantos horrores, um tal grau de sofrimento...
A corrupção
triunfante, a mentira mais deslavada. O auto-engano levado às raias
do delírio.
Enquanto Hospitais,
Presídios e Escolas se tornam máquinas de moer gente.
Tribunais, Congressos,
Casas do Povo, rá, do Povo, como se os dominadores deste povo não
se garantissem luxos e privilégios, enquanto que permitiam que os
miseráveis morressem de fome, ou até queimados nas ruas, assassinados às centenas, aos milhares...
Pois Lalo tinha sido
presidente-rei de um destes povos.
Um líder de massas, um
carismático, um filho deste Povo.
E, assim que se tornou
presidente-rei deste Povo, aceitou olhar-se no espelho, vestindo um terno
de um milhão de dólares, com um charuto havana na mão direita, presente do presidente-rei de outro infeliz povo, e com
uma taça de vinho caríssimo, presente de um outro amigo, publicitário, financiador de sua campanha, na mão
esquerda, com um sorriso satisfeito nos lábios, e perguntou, do alto
de sua glória...
“Espelho, espelho
meu, será que existe alguém mais poderoso do que eu?...”
Continua, talvez
Artigo da hora: “Partidobrás S.A., por Demétrio Magnoli
Acabava de recomendar o
artigo de José Casado, leio este do Demétrio Magnoli, com o qual
concordo 99,9% (voto distrital PURO, por favor, para não ter
confusão...).
Acautelemo-nos, os
tempos são perigosos...
Artigo da hora: Uma perigosa trama política, por José Casado
José Casado faz um
assustador alerta de uma trama para enterrar nossa (pouca)
democracia.
Se de fato a votação
no Supremo pelo fim do financiamento de campanhas por empresas
representar a ponta de lança para alterar o sistema eleitoral e
introduzir o voto em lista fechada, teremos colocado os dois pés de
volta no Assombroso Reino da Ditadura, mascarado, está claro, pelo
periódico ritual de sermos obrigados a depositar uma cédula numa
urna, sem maiores significados.
E olha que eu sou
plenamente favorável ao fim das doações de empresas. Concordo com
o argumento, pessoa jurídica não é cidadã, cidadã é a pessoa
física.
Então, só pessoa
física deveria ser autorizada a doar dinheiro para
partidos/campanhas, com limite por CPF.
Pelo fim do poder
hegemônico da grana!
Se isto vai impor uma
redução de custo das campanhas, muito melhor. Campanhas
bilionárias, milhões gastos para eleger um político, mostram bem a
imoralidade do sistema, e com quem estará a preocupação e a
lealdade dos nossos “representantes”.
Se as campanhas terão
menos dinheiro, que se façam campanhas com menos dinheiro, ora essa!
E nada de financiamento
público, nada de voto em lista fechada!
Se é preciso baratear
a campanha, que se tenha o voto distrital puro. Um candidato, por
partido, e cada candidato tendo de pleitear a maioria dos votos em
distritos com o mesmo número de eleitores.
E nada de propagandas
milionárias, cabos eleitorais a peso de ouro, produções
cinematográficas para engabelar o povo.
Imenso seria, então, o
fortalecimento da Igualdade, e da Representatividade, e da Verdade,
para a nossa Democracia.
Agora, com poderosos
grupos de interesse manipulando, e tramando, enquanto as massas
assistem passivamente, qual sonâmbulos, alienadas, a perspectiva é
muito mais desfavorável...
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
E assim se apropriam do dinheiro público... - 2
E se você for um
pobre, é pior ainda.
Te atiram para um SUS,
para um inferno para marcar uma simples consulta.
Para marcar uma simples
consulta, imagina para fazer uma cirurgia.
E sempre se precisa de
algum conhecimento, de algum padrinho, de algum jeitinho...
Para fazer uma cirurgia
existem filas absurdas, pode levar uns 10 anos, não é brincadeira.
O caos. O caos da saúde
pública.
Já o, para alguns,
Grande Líder, classificou a saúde pública como “algo próximo à
perfeição”.
E ficou por isso mesmo,
esse deboche...
Ele, diagnosticado com
um câncer, teve tratamento iniciado nas primeiras 24 horas, por uma
equipe bem treinada de um hospital de ponta.
Já o paciente médio,
no Brasil, diagnosticado com câncer, inicia seu tratamento em algo
como sete ou oito meses.
Sabendo que está com
câncer; sabendo que precisa de um rápido tratamento.
Espera, em média, sete
ou oito meses, para começar o tratamento.
“Mas somos todos
iguais, perante a lei.”
Diz-se, em algum lugar,
não sei onde.
E assim se apropriam do dinheiro público...
O jornal de hoje traz
uma recorrente notícia, um exemplo, dentre um milhão, da maneira
pela qual o dinheiro de todos passa a integrar o patrimônio de
alguns:
O dinheiro do público,
dos pagadores de impostos em busca de alguma melhoria de vida,
pagadores de bem altos impostos, para condições de vida bem
diminutas, vai ser transferido para o patrimônio pessoal de alguns
seletos privilegiados.
22,5 milhões, dizem as
contas, é o que se transferiu de programas de políticas públicas,
coisas básicas como infraestrutura, atendimento a crianças e a
mulheres em situação de violência, estas coisas, como se vê, tão
importantes, para reforçar o Plano de Saúde dos servidores do
Superior Tribunal de Justiça.
Agora, você se
pergunta, você tem de pagar bem caro pelo seu Plano de Saúde, e o
Governo não lhe transfere recursos?
Você se pergunta se
isto é uma situação de privilégio?
Você se pergunta se
isso é um direito que não é para todos, não podendo assim ser um
direito?
E a resposta é sim
para todas as perguntas.
Você está sendo
passado para trás?
Você está sendo feito
de palhaço?
“É normal”, dizem
os conformistas de plantão. Depois de garantir para si um tantinho.
Não, aqui a classe
ociosa, a classe privilegiada, a classe que se garante benefícios às
custas do trabalho alheio, não foi confrontada pelos nossos
comerciantes, pelos nossos trabalhadores, não lhes deram um basta ao
deboche.
Aliás, se juntaram
alguns desses comerciantes e trabalhadores para dar sustentação a
esta exploração do trabalho alheio. Estes que receberam alguns
milhões e alguns bilhões do dinheiro público, para não ter de
apresentar muito resultado. Para passarem algumas notas frias, para
darem alguns calotes, arrumarem uma declaração de falência, e
sumirem com a bufunfa...
Na certeza de que nada
nunca vai dar em nada.
É verdade, em termos
de punição não aparece mesmo muita coisa, às vezes um formal e
protocolar, “pode ter havido algum erro”, “algum dia será
reparado”, por alguma autoridade, e já se pode falar de outra
coisa.
Mas o resultado pode
ser medido também na falta de contenção das encostas, e nas
crianças pisando os esgotos não tratados atirados nos rios,
transbordados com as chuvas, e na geral falta de segurança e na
roubalheira sem fim...
Ou seja, dominam de
modo tão amplo, que nenhum Grande Líder se apresentou para
enfrentá-los.
O Grande Líder que
dizem que tivemos deixou todos estes grandes negócios intocados, e
aproveitou para fazer os seus próprios negócios, ainda maiores.
E este foi o nosso
Grande Líder...
E este é o estado das
coisas a que chegamos.
Tolerância com o ladrão
Ronald Biggs morreu
hoje, o ladrão famoso por roubar um trem postal, na Inglaterra, em
1963, e que fugiu e viveu em liberdade no Brasil, por muitos anos.
Havia voltado à
Inglaterra, em 2001, doente, já com 74 anos, e na esperança de
conseguir um indulto da Rainha.
Enganou-se. Foi
conduzido à prisão, de onde só saiu em 2008, para ficar em
liberdade condicional após ter cumprido um terço de sua condenação
de 30 anos, mesmo tendo sofrido dois ataques cardíacos e diversos
derrames após o retorno.
Agora, imagina no
Brasil, onde desviam-se remédios de hospital, merenda de crianças,
e cada licitação, cada compra pública milionária, e cada grande
obra, traz a sua fieira de corrupção, suas previsões de 15%, 20%,
ou 30%, e os crimes prescrevem mais rápido do que a velocidade da
luz, e a condenação final nunca acontece para estes casos.
Processos há 10, 15,
20 anos, nos Tribunais. Sempre se questiona outra vírgula, sempre
existem os macetes jurídicos, testemunhos a serem ouvidos no
Timbuctu, no Alasca, indispensáveis, claro, para a plena defesa,
segundo entendimento das Altas Cortes, capazes de anular anos de
investigação, anos de processo, pela falta de um carimbo na fl. n.
5.689 dos autos.
Imagina no Brasil, onde
sentimos tanta peninha de mandar pra cadeia os nossos ladrões de
milhões, os que desfilam com milhões na cueca, milhões na meia, e
não precisam esquentar a cabeça, porque não correm risco de ir
para trás das grades.
É só ficar de bico
fechado.
Imagina no Brasil, que
recebeu Biggs de braços abertos, como um herói do povo; o Brasil,
que negou a extradição de um assassino condenado por diversas
mortes na Itália, afinal, ele era um dos companheiros, é preciso
agradar nossos radicais...
Imagina no Brasil, que
sempre tem um jeito de dar uma amaciada, uma liberdadezinha
condicional, uma prisão domiciliar básica, porque na cadeia vai
complicar pra comer salmão defumado...
E esta também é muito
boa: roubou milhões? Mas pode dizer que vai arrumar um empreguinho
num hotel, coisa de 20 mil por mês, e estamos todos regenerados!
Olhe a boa vontade que demonstra, o intuito de trabalhar
honestamente, como todo bom brasileiro... claro que ele merece a
liberdade, quem sabe até uma indenização por lhe estarmos, talvez,
causando algum inconveniente ao doutor, ele não é qualquer, sabe
com quem está falando?
País entregue ao
crime, país entregue ao deboche...
País entregue às
baratas...
sábado, 14 de dezembro de 2013
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Artigo da Hora: Marina e as Regras do Jogo, por Demétrio Magnoli
Para quem acompanha
este blog, farei um apanhado de artigos lidos em jornais e revistas,
que me agradaram, e que estão relacionados aos temas aqui discutidos
(categoria bem ampla). Mas, principalmente, de economia, e política.
Não copiarei o artigo
aqui, para não abusar de direitos autorais, mas indicarei o link
onde pode ser lido na rede. Basta um clique.
Começo esta série,
que batizarei de “Artigo da Hora”, com Demétrio Magnoli, “Marina
e as Regras do Jogo”, publicado no jornal O Globo de 26.09.2013:
Crise de Autoridade
Ruas do Rio tomadas, uma zona de guerra, cidade de 6 milhões de habitantes, feita refém, assistindo, hipnotizada, ao seu centro feito palco de um bizarro confronto entre policiais e professores...
É o caos, é o
descalabro do país saturando, chegando a um ponto de regorgitar as
imundícies longamente acumuladas, esta cena impensável, vergonhosa,
uma guerra aberta pelas ruas, a desordem, anarquia, violência, o
povo batendo cabeça, quebrando cabeça contra cassetete, nossa
incapacidade astral, nossa desorganização profunda, exposta
inapelavelmente, desavergonhadamente diante dos nossos olhos
incrédulos...
Meu Deus, onde irá
parar este filme de horror?
Governadores,
prefeitos, presidentes e presidentas, todos fingindo que podem fazer
algo de bom ao mesmo tempo que loteiam os bens e os valores públicos
para os seus amigos amissíssimos, empresários-financiadores de
campanha-executores de milionários projetos públicos-pagadores de
mordomias.
Seria preciso ouvir uma
voz dando um basta, em meio a este caos, uma voz forte pela moral,
despertando alguma dignidade adormecida entre nós, e que comandasse
um re-ordenamento.
Faça-se a Luz. E que a
Ordem impere sobre o Caos. O Espírito sobre o Vazio.
Pelo verbo se cria, se
ordena, discrimina, separa...
Pelo Verbo se funda uma
realidade.
Mas qual a voz que terá
esta força moral, em meio à crise de autoridade?
Quando os líderes
estão se regozijando na corrupção, gastando em Paris o dinheiro
roubado nos esquemas de uma população doente e indefesa.
De uma população que
perde suas crianças, para a falta de saneamento, para os criminosos
fora das grades, para o caos nos hospitais-matadouros, para a
ignorância nas escolas-fábricas de aniquilar esperanças...
É preciso esta força
moral, para enxergar o óbvio, a bizarria de ver professores em massa
clamando por uma reforma no ensino, e sendo espancados e reprimidos
pelas forças de segurança.
É preciso gritar:
“Este não pode ser nosso ensino! Esta não pode ser nossa escola!”
É preciso apresentar
algum plano, e discutir com a sociedade algum plano, para que o
professor na sala de aula ENSINE, e o aluno na sala de aula APRENDA.
Sem subterfúgios, sem
duplo-pensar, sem novilíngua, sem embargos infringentes.
Mas onde está esta
força moral, que dá vida ao Espírito?
Que faz do Verbo agente
criador de nossos melhores ideais?
O Coração do Vampiro
O grande mal, tão
grande que chega a se converter no único mal, o coração das trevas, o coração do
vampiro, é óbvio, é a grande chaga fumegante e putrefata, um lago
infecto de corrupção, onde vicejam as harpias e os maus espíritos,
no centro desse organismo chamado Brasil...
Algo de podre, no Reino
do Brasil...
Algo de podre, pois
não.
O abismo, o buraco
negro do horror. O Grande Mal, o Grande Nada.
Cuidado ao olhar para o
abismo. O abismo olha pra nós.
É a cara afável da
corrupção. Os ternos, os carros, as mulheres, os navios.
As festas em Paris.
O dinheiro fácil.
Mas lembrem: não
existe almoço grátis.
Para tudo se paga um
preço.
Perder a honra. Perder
a alma.
Mas as aparências
sempre enganam.
Enquanto um pobre é
encarcerado com desumanidade.
Enquanto um pobre é
torturado, é assassinado.
Os figurões de belos
golpes desfilam por aí, mergulhados em dinheiro.
Com as interpretações
favoráveis de leis compradas. Com os exércitos de puxa-sacos
interesseiros jurando fidelidade canina.
Com as exibições de
poder, as exibições de dinheiro.
A máscara caiu.
Este é o grande país,
do qual vocês são os filhos, e isto é o que fazem com ele.
Aquele esquema torpe,
da sua empresa gastar milhões para comprar uma eleição.
E que, depois, vai ter
os melhores negócios garantidos pela pena estatal.
Aquele esquema que
custa o preço de condenar um país a este eterno esgoto, a este
predomínio do abuso, da exploração.
Aquele esquema que faz
com que o país não possa se organizar para oferecer saneamento. Não
possa oferecer a merenda, porque será desviada, e custeará o uísque
e salão de beleza de primeiras damas.
E, tudo isto, visto,
acabará em nada, acabará em pizza.
Se o mal é este,
combata-se o mal, exija-se a mudança.
Que a campanha política
não possa receber dinheiro de empresas. Só de pessoa física, e com
limite por CPF.
Também não nos venham
empurrar financiamentos com dinheiros públicos de campanhas.
Acabe-se este outro
manancial da corrupção, de tudo fingir resolver pelo despejamento
do dinheiro público.
Se as campanhas vão
ter menos dinheiro, que as campanhas reduzam seus custos.
Chega de “propagandas
informativas”, paradoxos em seus termos, pagas a peso de ouro a
nossos mágicos marqueteiros.
Chega de marqueteiros
que confessam receber dinheiros “por fora”, serem inocentados nos
meandros de Justiças e Justiças.
Chega de marqueteiros e
marquetagens sendo pagos a peso de ouro, com os dinheiros públicos,
para nos mentir descaradamente.
Chega de falsa
democracia, democracia pela metade, democracia do homem devorando
homem.
Homem lobo do homem.
Homem tornado vampiro.

Qual é o valor de uma vida?
Qual é o valor de uma
vida? De uma morte?
Uma morte cabe dentro
de alguma estatística?
Qual é o valor de seis
milhões de mortes?
Um holocausto.
Seis milhões de
judeus. Queimados em fornos.
Uma morte. Seis milhões
de mortes.
Um número.
Mas qual o valor de uma
morte, quando afeta você?
Qual o valor de perder
um pai, perder uma mãe, perder um filho?
Perder o amigo. A
esposa querida.
Apenas outra vida?
Apenas uma estatística?
Um número vazio?
Qual é o valor de
perder uma criança, uma menina de 9 anos, aterrorizada, violentada,
e morta?
Qual é o valor para um
pai, para uma mãe, à beira de um caixão?
“Os números vão se
repetir.” - dizem os sábios platônicos.
“A morte existe.” -
diz o potente truísmo.
Mas o que é o país
que tem 95% de homicídios não resolvidos?
O que é o país, que
mesmo com 95% de homicídios não resolvidos, vive com as cadeias
apinhadas, fábricas de produzir assassinos?
O que é o povo que só
pode se lamentar, ou que sequer se lamenta, convivendo com o
desrespeito cotidiano à Justiça?
A qualquer sintoma ou
manifestação de dignidade?
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Suprema desmoralização
Que destino trágico,
acabar como farsa, a peça de um país...
Que enredo, um país
que se percebe lesado, violentado e assassinado, ir para as ruas,
clamar por um fim a este esquema viciado, a este mar de corrupção...
Depois, ver este
movimento legítimo ser espremido e espancado entre a Polícia e o
bando de arruaceiros... entre Behemoth e Leviatã...
Depois, ver o processo
julgado em Suprema Instância, envolvendo a maior e a mais perigosa
organização criminosa jamais descoberta em solo pátrio...
Ver o processo do
Mensalão julgado, com a condenação de um grande poderoso deste
país, apontado como mentor deste esquema, sendo condenado à cadeia,
dentre outros figurões da base aliada deste Governo...
Ver que depois de anos
e anos de processo, de milhares e milhares de páginas e de
documentos, depois de extensíssimos debates entre os juízes
Supremos (parece até nome de equipe de super-heróis), de falcatruas
processuais, de juízes indicados pelo Governo, atuando como
advogados de defesa, houve uma decisão que mandava botar na cadeia.
E, daí, ver mais esta
virada de mesa, da boca do decano daquela Casa, o mesmo que falara
tão alto que os crimes eram inomináveis, afetando o próprio regime
político do país, que ficou como voto de Minerva para o recebimento
de mais um outro recurso: os embargos infringentes, que vão poder
salvar os coroados pescoços de Nossas Eminências...
E o decano ainda se deu
ao luxo de espancar a consciência política do país, que clama pelo
fim da Era da Impunidade, e o início da Era da Justiça... Disse que
opinião pública não era com ele, ele se arvora o direito de ser um
servidor público que vira as costas para o público.
O impacto dessa
monumentalidade é tão grande, que quase passou despercebido.
Os jornais nem deram
nada, e ninguém parecia mesmo querer pensar ou falar nisso.
Temos nossas vidas pra
cuidar, não é mesmo?
E foi tão vergonhoso,
tão desalentador, tão terrível, que é melhor fingir que não
existiu, tentar apagar da História...
E a opinião pública
botou o rabo entre as pernas, e saiu amuada do Salão... o mesmo
Salão onde alguns riem entre charutos e uísque e dizem que tudo vai
acabar numa piada...
Pobre Nação! Como é
pobre acreditar em Justiça e não querer mudar nada!
País que saiu dos trilhos
O pior é esta perda de
projetos...
Perda de ideias...
O pior é o
desperdício...
Desperdício de tanta
vida jovem.
De tanta força, de
tanta inteligência.
Que saldo triste, para
um momento da História, carregar...
Um país desiludido.
A descrença, irmã da
desesperança.
Ambas passeando soltas,
nesta Era de Escuridão.
Enquanto as crianças
são comidas pela fome, são comidas pela ignorância, são comidas
pelo desejo de gananciosos, homens lobos de homens.
Enquanto milhões de
vozes, clamam em desespero...
Não haverá um Deus
vingador? Não haverá retribuição? Não haverá um Inferno, para
todos os corruptos, para todos os indiferentes?
Quem estará realmente
a salvo, neste mundo cambiante, nesta Roda que só faz girar...
Depois, é lamentar
pela História, esta mesma que produz holocaustos e catástrofes...
Revoluções, e
ditaduras, guilhotinas, e campos de concentração...
Assassinos impunes,
trabalhadores roubados...
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
As Ligações Perigosas
Choderlos de Laclos (1741-1803)
Leio, com deleite e
horror, um clássico da literatura: As Ligações Perigosas (1782),
de Choderlos de Laclos.
Um texto clássico da
literatura, e da literatura “maldita”.
A trama, muito bem
arquitetada, mostra, inteiramente através de cartas que revelam os
pensamentos mais íntimos dos personagens, os jogos de poder, de
sedução e de vingança de dois nobres, o Visconde de Valmont, e a
Marquesa de Merteuil.
Valmont é vaidoso, sua
vaidade é alimentada por aquilo que é mais valorizado em sua
sociedade: a conquista de mulheres, quanto mais difíceis, melhor.
"Essa embriaguez dos sentidos, talvez esse delírio de
vaidade..."
Na verdade, quase nunca
havia dificuldades, pois as mulheres naquela sociedade entregavam-se
à mesma vaidade e à mesma disputa. Apenas, tinham de disfarçar
mais e melhor.
É o caso da marquesa.
Ela se tornou a mestre da dissimulação. Valmont podia se dar ao
luxo de apregoar seus feitos, isto lhe causava alguns embaraços, mas
muito maior era a satisfação e o orgulho que lhe proporcionavam.
Era invejado pelos homens e cobiçado pelas mulheres.
Já a marquesa só
podia saborear suas vitórias em silêncio.
Talvez por isso se
entregasse à correspondência com Valmont com volúpia. Revelava-se
por inteiro naquelas cartas, logo ela, tão prudente, entregando seu
disfarce de modo tão definitivo... de fato, a revelação de suas
cartas será a sua perdição no final do livro, quando entrar em
guerra com Valmont, guerra que perderá a ambos. Freud explica este
desejo de destruição...
Mas já estou no final
do livro. Voltemos à trama para mais algumas observações.
Valmont deseja o
desafio que lhe trará maior glória. Deseja possuir uma mulher de
fato possuída pela virtude. Alguém que não está representando um
papel, que acredita em tudo aquilo. Maior a dificuldade, maior o
prêmio. E se entrega ao assédio a uma mulher casada que passa os
dias na casa de sua tia (de Valmont).
Ela resiste o quanto
pode, e Valmont ainda se dá ao luxo de adiar sua vitória para
melhor apreciar a submissão completa daquela vontade ao seu poder.
Quando isto acontece,
Valmont percebe que o resultado de toda uma vida entregue à
humilhação do amor resulta em não se poder amar.
Valmont tanto humilhou,
tanto desacreditou, tanto menosprezou, o amor, que o amor resolveu se
vingar, e de forma terrível.
"Algum dinheiro
para o porteiro e alguns cumprimentos para a mulher dele bastaram..
Podeis imaginar que Danceny não soube descobrir um meio tão
simples! E se diz que o amor abre a inteligência. Ao contrário,
embrutece a quem domina. E eu não saberia defender-me? Ah, ficai
sossegada. Já dentro de alguns dias irei enfraquecer, dividindo-a, a
impressão talvez demasiado viva que experimentei; e, se uma simples
partilha não bastar, saberei multiplicá-la."
Valmont tinha o amor
nas mãos, mas não podia deixar de senti-lo como algo estúpido,
degradante, vergonhoso, uma imperfeição, uma mácula... ele não
poderia deixar de se sentir imbecil, derrotado, humilhado, se
ostentasse diante do olhar alheio, diante do olhar próprio, uma
fronte de apaixonado.
Lascou-se, porque
recebeu o amor completo, daquela que conquistara. Foi mais amor do
que poderia ter recebido nas mãos, e ela não poderia ter feito
diferente.
Ela caiu por completo,
ela se entregou por completo. Para ela, era ou tudo, ou nada.
E despejou todo aquele
amor no colo de Valmont, e este viu horrorizado que todo aquele amor
não lhe servia para nada...
“Nós nos aborrecemos
de tudo, meu anjo, é a lei da natureza, não é minha culpa.
Se hoje, pois, eu me
aborreço de uma aventura que me ocupou durante quatro meses mortais,
não é minha culpa.
Se, por exemplo, tive
tanto amor quanto tiveste virtude, e já é dizer muito, por certo,
nada de espantoso em que um tenha acabado ao mesmo tempo que a outra.
Não é minha culpa.
Seguem-se daí que há
algum tempo te engano: mas, em verdade, tua impiedosa ternura até
certo ponto me obriga a isso. Não é minha culpa.
Hoje, uma mulher que
amo perdidamente exige que te sacrifique. Não é minha culpa.
Sinto muito bem que te
dou uma excelente oportunidade para falar em perjúrio; mas, se a
natureza só concedeu aos homens constância enquanto davam
obstinação às mulheres, não é minha culpa.
Crê em mim, escolhe
outro amante como eu escolhi outra amante. Este conselho é bom,
muito bom; se o achares ruim, não é minha culpa.
Adeus, meu anjo, eu te
possuí com prazer, deixo-te sem pesar; voltarei a ti, talvez. O
mundo é assim. Não é minha culpa.”
Estas as palavras que o
Visconde, instigado pela marquesa, envia à sua amada. E o amor
perfeito e impiedoso dela, claro, não escolherá outro amante. Ela
tem uma crise nervosa que a levará à morte, aquela a quem nem mesmo
o ego monstruoso do Visconde pode se opor. Ver o amor mais perfeito,
e não poder tocá-lo... imaginem a frustração deste homem, que até
certo ponto explica suas reações:
Um ódio profundo,
voltado contra si mesmo e contra a marquesa, seu espelho, sua
metade... aquela que lhe colocou a espada na mão, e conduziu sua mão
para o golpe...
E ainda debochava dele:
“Não foi sobre sua
amada, Visconde, que levei vantagem, foi sobre vós. Eis o que é
divertido e realmente delicioso.
Sim, visconde, amáveis
muito a Sra. De Tourvel, e ainda a amais; e a amais como um louco;
mas, como eu me divertia com vos envergonhar disso, corajosamente a
sacrificastes. Teríeis sacrificado mil de preferência a suportar
uma brincadeira. Aonde nos conduz a vaidade! O sábio tem razão
quando diz que ela é inimiga da felicidade!”
A cada hora e meia uma mulher é assassinada no Brasil
Certas notícias, de
tão abruptas, podem se resumir numa frase:
“A cada hora e meia
uma mulher é assassinada no Brasil.”
A brutalidade, o
absurdo de tal sociedade é esclarecido aqui.
Uma sociedade que vê
um sacrifício de tal magnitude de alguns de seus membros mais
frágeis, é o quê?
Distorcida, doente,
vergonhosa...?
Tudo isto, é certo,
mas só adjetivos não bastam.
É uma sociedade
omissa, covarde, egoísta...
Que nossos governantes
venham brandir seus números, para acabar com a violência... e o
índice de assassinatos caiu 2 pontos aqui, mas subiu 10 pontos
ali...
Estão preocupados é
com fazer uma propaganda para a próxima eleição, e não em
fornecer qualquer solução real.
Até lucram com isso,
sempre podem fazer uns arranjos e conseguir os tais 2 pontos de queda
de alguns índices de violência... e continuar a convivência entre
o número absurdo de assassinatos, e a vitória eleitoral sobre uma
população tão apavorada com a hipótese, nada improvável, de vir
a engrossar o número das vítimas, que qualquer 2 pontinhos
percentuais lhe parecem um maná dos céus.
A verdade é: um país
que convive com estes números e estas percentagens de violência, é
um país vergonhoso, derrotado, entregue...
Não conseguiu
minimamente se organizar como Estado, não consegue minimamente que
suas leis sejam cumpridas.
Está organizado só
para favorecer o crime, a negociata entre gente importante.
Tiranos que dominam
sobre gente ignorante, oprimida, indefesa.
E as “elites”, vão
sendo cooptadas por este jogo de poder...
terça-feira, 10 de setembro de 2013
Fatos brutos
Fatos brutos
Pensar novas maneiras.
Enxergar novos caminhos.
Por que precisamos ser
tão estáticos, mulheres de Ló, aprisionadas pelas dores do
passado, transformadas em estátuas de sal à beira do caminho?
É tudo verdade, e tão
verdadeiro...
Quem não permite que o
Espírito aja livre, faz com que ele morra.
Ele renascerá, livre,
mas a morte é real.
Morte, a única certeza
da vida...
(além, é claro, da
própria vida...)
Será boa? Será má?
Morte.
Ou será que falo da
vida?
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
Briga de Torcida
Quem está acompanhando
os jornais, viu que no estádio (perdão, na Arena) Mané Garrincha,
em Brasília, nossa capital federal, um bilhão e tanto gastos para
ser reformado para a Copa, em padrão-Fifa, aconteceu uma briga na
arquibancada, com direito a enfrentamento com a polícia, no último
jogo Vasco e Corinthians.
Aliás, no mesmo
estádio, no último jogo São Paulo e Flamengo, um torcedor do
Flamengo foi espancado quase até a morte pelos membros de uma
torcida organizada do São Paulo, fato amplamente documentado através
de filmagens com celular. Os poucos que foram presos por tal ato já
foram todos liberados.
Retornando ao assunto.
Na briga da torcida organizada do Corinthians com a polícia se
destacou um certo Raimundo Faustino, vulgo Capá, vereador e
presidente do diretório municipal do PT de Francisco Morato – SP.
Agora, vejam a foto,
que vale mais do que mil palavras:
Capá é o tatuado, correndo da polícia.
Agora, vejam Capá nesta foto:

E nesta outra, abraçado com el jefe:
Fiquei sem palavras...
Diplomacia e Direitos Humanos
O país soube
assombrado que um asilado político na embaixada do Brasil na Bolívia
permaneceu por 455 dias trancado numa sala, só podendo receber a
visita de três pessoas, enquanto nossa Diplomacia (cheia de
escritórios pelo mundo afora, gastando rios de dinheiro...)
permanecia em infindáveis discussões com o governo boliviano, que
descumpria o Direito Internacional e negava a saída do asilado
daquele país.
Esta notícia veio
junto com a notícia de que 4.000 médicos cubanos virão trabalhar
no Brasil. Mas, em regime de semi-escravidão. O Advogado Geral da
União (ninguém menos...) proclama que, caso algum dos médicos peça
asilo ao Brasil, será encaminhado de volta à ilha-prisão.
Precedente já houve, neste governo petista (mais precisamente, na
Era Lula... mais precisamente ainda, sendo ministro da Justiça
(ninguém menos...) Tarso Genro, hoje governador do Rio Grande do
Sul. Bela carreira, tem o menino... deve se orgulhar bastante...
Ficamos sabendo que os
médicos cubanos vão ter o salário repassado a uma certa
organização, que vai repassar o dinheiro ao governo cubano, que por
sua vez vai repassar aos médicos uma fração do total...
E tudo isto passa, tudo
isto está aí, à mostra, e ninguém fala nisso... não causa
escândalo, indignação... é tudo O Normal...
Estamos à mercê do
monstro. Nosso Estado aceita que tudo pode ser feito contra algum
pobre cidadão, que ousou incomodar o jogo... taquem-lhe multas,
taquem-lhe cassetetes, gás lacrimogêneo, coquetel molotov...
taquem-lhe processos judiciais, confisquem-lhe a renda,
confisquem-lhe o patrimônio... Vamos queimar sua loja, vamos te
entregar pra polícia... é, malandro, sua casa caiu... sabe quem é
o Capitão Nascimento? As platéias aplaudiram no cinema... saco de
plástico na cabeça, tiro de fuzil, é a polícia que dá sumiço.
E tá tudo valendo,
porque o Estado pode fazer o que quiser com quem for inconveniente.
Direitos humanos, blá, blá, blá, matam sem dó.
E o cidadão não tem o
direito de viver em liberdade, ou com dignidade.
Está condenado a viver
sem poder dizer: “Eu tenho meu direito. Eu tenho minha liberdade.”
“Isto, eu não aceito
que o Estado, que suas tropas armadas, suas forças de segurança,
faça com ninguém.
Se ele é um ladrão,
um assassino, prenda-o, e que seja julgado e cumpra pena.
Mas eu não te
autorizei a matar, eu não te autorizei a torturar, eu não te
autorizei a executar.
Eu exijo que a sua ação
tenha um limite, o limite das leis que nosso povo escolheu, e que
devem ser respeitadas.
Quem é você, para
pleitear viver fora das leis do país? Com que autoridade pretende um
salvo-conduto para torturar e matar?
Para decidir quem deve
morrer, como se para você não existisse a lei.
Você quer ser algo de
especial, maior do que o outro, que precisa cumprir a lei, e precisa
cumprir muitas leis, neste Estado corruptíssimo.
E ainda precisará
aguentar o ato abusivo, ilegal, de quem deveria ser a primeira
garantia da lei, a autoridade a quem se paga o salário.
Que Estado é este, que
Polícia é esta, que pacto social é este?
E o que se pode fazer
para mudá-lo?”
Um novo pacto social
Pelo mundo, a Liberdade
sofre ataques contínuos, vindos de todos os lados, e muito poucos se
apresentam para defendê-la.
Tão pouco
cavalheiresco, este triste mundo... tão pouco honrado, tão pouco
digno...
É triste perder as
esperanças, mas olhe para o lado, e veja o que está acontecendo.
Pelo mundo, Estados
pisoteiam cidadãos, Partidos e homens se engrandecem de Salvador da
Humanidade, inebriam-se com o Poder, com os milhões de dólares que
giram, com o medo de ser passado para trás, com o medo de perder.
E todos perdem. Um
mundo que deixa para trás sua dignidade, sua liberdade, como se
fosse um peso muito difícil de carregar... que aceita indiferente
enquanto as maiores injustiças são feitas.
É um mundo que já
perdeu sua Liberdade.
Agora, é ganhar
dinheiro, botar alguma coisa no lugar...
Mas não tem nada que
sirva.
“Que vale ao homem,
ganhar o mundo, perder a alma?”
Um novo pacto é
preciso.
Um novo pacto, porque o
velho está morto. Já nasceu morto.
O pacto de aceitar que
tirem hoje, uma rosa do jardim do vizinho?
Este pacto traz o
amanhã de ser a sua casa que invadem, e que lhe tirem o seu filho.
Este pacto já mostrou
ao que veio, em cada país que sofreu sob algum tirano enlouquecido,
trazendo o inferno para a vida de algum povo.
Este pacto é aquele
que levou Nero a atear fogo em Roma, tocando sua harpa de uma
sacada...
Este pacto é aquele da
massa hipnotizada por aquela cascavel arrogante, Hitler, um estúpido
se achando a coisa mais linda desse mundo, tamanho foi o poder que
sentiu dentro de si... comendo-lhe a alma, enquanto desfrutava de
uma bela vista de uma montanha dos Alpes, vivendo num castelo... com
bases no sangue de milhões de cadáveres, com polícias secretas invadindo as casas, com crianças sendo
separadas de suas mães, para horríveis destinos...
Este pacto é aquele de
qualquer criminoso, ordenando invasões de residências e
fuzilamentos em massa... e que, quando atingem um certo poder, logo
contam com o endeusamento entusiasmado de acólitos prontos para
servir seus senhores.
Mas agora podemos
sentir que estão todos conformados, aceitando o mundo como isso
mesmo...
E que só lhe interessa
um pouquinho de segurança...
Pois é justamente isto
o que não podem ter. E nem nós, e nem nossos filhos, cada vez mais
submetidos a tiranos e tiranetes, sem que lhes armem uma guerra, sem
que lhes cobrem pelo novo pacto.
Os tiranos e tiranetes
estão confortáveis como nunca, abusando cada vez mais do poder,
avançando cada vez mais, enquanto não encontram resistência...
Hoje, é uma rosa...
amanhã, é um tapa... depois de amanhã, quem sabe?... podem entrar
na sua casa, levar o seu pai, ou levar o seu filho, e sumirem com
ele...
Como assim, e não
acontece nada?
Nada. Arrumam-se
desculpas, muito palavrório. E fica tudo por isso mesmo.
“Era da outra
classe”. “Ainda bem que não foi comigo”.
Mas foi com você. Foi
com cada um de nós. Foi com a sociedade em que nós vivemos. Foi com
um próximo com quem temos responsabilidade.
Ou não temos? Ou não
devemos ter?
E a responsabilidade
exige que não aceitemos este pacto. Este pacto de morte.
A responsabilidade
exige um novo pacto social, em que o poder esteja dividido, em que o
bem estar esteja dividido.
A responsabilidade
exige que não compactuemos com os criminosos.
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Por que as nações fracassam
Do formidável livro “Por que as nações fracassam”, de Daron Acemoglu e James Robinson:
“ (…) O Egito é
pobre exatamente por vir sendo governado por uma pequena elite que
organizou a sociedade em função de seus próprios interesses, em
detrimento da massa da população. O poder político, estritamente
concentrado, vem sendo usado para gerar riquezas para aqueles que já
a detêm (…)
Países como o Reino
Unido e os Estados Unidos enriqueceram porque seus cidadãos
derrubaram as elites que controlavam o poder e criaram uma sociedade
em que os direitos políticos eram distribuídos de maneira muito
mais ampla, na qual o governo era responsável e tinha de responder
aos cidadãos e onde a grande massa da população tinha condições
de tirar vantagem das oportunidades econômicas.”
A tese do livro:
sociedades dividem-se entre aquelas com instituições inclusivas,
que garantem direitos políticos e econômicos (ambos são
indissoluvelmente ligados), e sociedades extrativas, em que uma elite
concentra poderes, traduzidos em leis (direitos), políticos e
econômicos, vivendo da exploração da maioria destituída de tais
poderes.
Os homens, em cada tipo
de sociedade, respondem aos incentivos institucionais. Não são as
diferenças de culturas, religiões, circunstâncias geográficas...,
que são decisivas para definir o crescimento ou a estagnação
econômica. Mas o fato de as instituições dentro de cada sociedade
garantirem um maior ou menor nível de igualdade de direitos entre a
população.
Sociedades em que a
população está garantida em sua liberdade, em sua segurança, em
sua propriedade, têm incentivos para fazer esforços, inclusive
esforços criativos, inovadores, e para fazer investimentos, de
tempo, dinheiro, trabalho, em prol de um progresso pessoal, mas que
debordará em benefícios para toda a sociedade.
São estas as
sociedades inclusivas.
As outras sociedades,
extrativas, formam a grande maioria das experiências históricas. A
partir do momento em que existe uma organização social, um poder de
dar ordens e ser obedecido, o estabelecimento de leis e polícias e
exércitos, a elite que comanda estes poderes tende a configurar os
subordinados de forma a explorá-los.
“Se eu posso mandar
em você, parece uma boa ideia obrigá-lo a trabalhar para mim.” -
não é difícil entender o porquê de, historicamente, as sociedades
se constituírem, predominantemente, para a exploração do homem
pelo homem. Homem lobo do homem.
Saiu do nível
“caçador-coletor”, em que é mais difícil gerar elites muito
diferenciadas, aumenta a exploração. Sociedades sedentárias são
mais divididas, portanto, mais desiguais, mais hierarquizadas.
Caçadores-coletores
desempenhavam, em maior grau, as mesmas funções. Homens caçavam,
mulheres cozinhavam a caça. Era mais simples, sem dúvida.
Mas não é apropriado,
ao menos não é útil, fazer julgamentos morais das mudanças de
paradigma humano; ficar saudoso, idealizar o passado... Não dá para
virar do avesso a História, mudar a marcha do tempo, voltar a ser
caçador-coletor... O que dá pra fazer é lutar por igualdade de
direitos, dentro das sociedades que surgiram, das realidades com que
lidamos.
Com sociedades
sedentárias, alguns foram cuidar da terra; outros foram fabricar
instrumentos; outros foram construir canais, planejar as construções,
julgar as disputas de terras, organizar os celeiros, fazer os
registros de nascimentos, e uma longa lista de etcs.
De repente, uns
mandavam muito mais. E tinham muito mais condições de abusar dos
poderes.
Em breve teríamos
milhões de escravos carregando pedras pra construir os túmulos dos
governantes, alçados à condição divina. Poder de vida e de morte
sobre os homens.
Mas, aqui e ali, foram
surgindo variações deste roteiro. Sociedades organizadas a partir
de famílias que cuidavam de suas próprias terras, que lutavam suas
próprias guerras, que se juntavam pra construir um barco e fazer
suas piratarias ou suas rotas de comércio.
Estes homens podiam
chegar a constituir seus reis, podiam também, esporadicamente,
sofrer nas mãos de alguns tiranos e imperadores. Mas já não era
tão fácil dominá-los, eles iriam opor resistência aos que
ameaçassem suas liberdades.
Estou pensando nos
judeus, estou pensando nos romanos, estou pensando nos gregos
daqueles antigos tempos. Eram as sociedades inclusivas da época.
Carregavam viva a chama da liberdade.
Claro, com os olhos de
hoje, diríamos que é um contra-senso reconhecer nestes povos
respeito à liberdade, quando todos eles mantinham seus escravos.
Mas devemos julgar cada
sociedade pelo padrão de seu próprio tempo. É evidente a diferença
entre as 12 tribos de Israel, a democracia ateniense, a república
romana, e os impérios do Egito, da Pérsia, da Babilônia, da
Assíria...
Por gloriosas que
fossem as realizações humanas sob tais impérios, não se vai dizer
que aqueles povos gozavam de qualquer grau de liberdade e autonomia
comparável aos judeus, gregos e romanos. E, coisa incrível, a
eficiência destes pequenos povos, para forjar novas ideias, para
lutar, para ganhar dinheiro, era tão grande, que conseguiam resistir
e, não raro, prevalecer, contra forças muitas vezes maior.
Fruto das instituições
inclusivas. Um grego, ao invés de ser obrigado a carregar pedras
para o túmulo do Faraó, podia se juntar com alguns amigos e
construir um navio, organizar uma expedição.
Podia organizar uma
Academia de pensamento.
Tinham também seus
governantes, mas entendiam que os governantes tinham de obedecer a
certos limites. Não eram seres divinos, com poderes absolutos.
Em Atenas, aliás, todo
cidadão tinha direito de propor e votar leis, mas ficava, por um
ano, sujeito a processo, multa, prisão, degredo ou morte, o autor de
proposição aprovada, se ulteriormente se verificasse contrária às
leis da cidade, ou perigosa para a República.
Isto é que é
responsabilizar o governante! Se algo do gênero fosse adotado por
aqui, seria um absurdo, por certo, mas certamente seríamos poupados
de muitas outras leis absurdas...
Quanto aos romanos, o
mito fundador de sua República é a derrubada do Rei, Tarquínio, o
Soberbo, depois que seu filho violou Lucrécia, esposa de um
patrício. Refundaram seu poder político sob o signo da igualdade,
em que os direitos de todos deviam ser respeitados por todos. Não
mais aturar a soberba e os desmandos de alguém que se coloca acima
de seus pares.
Durou até o Império,
mas isto já é outra história...
Já para os judeus, o
próprio Deus se vinculava em Aliança, a berith,
espécie de pacto, ou contrato, em que se prevêem direitos e
deveres, como aquela firmada com Abraão (Gn, 17, 1-16). E o próprio
Deus poderia ser questionado por Abraão: “Não fará justiça o
juiz de toda a terra?” (Gn, 18, 25).
Se
o próprio Deus estava obrigado, era limitado nos termos da Aliança,
muito mais os monarcas. O Deuteronômio, 17, 14-20, prevê uma “Lei
do rei”, para o caso da nação dizer: “gostaria de ter um rei,
como o têm todas as nações que me cercam”.
Então,
segundo o Deuteronômio, “escolherás um dos teus irmãos para
rei”, que deverá seguir as prescrições divinas, “para que se
prolonguem os dias de seu reinado, e do reinado de seus filhos no
meio de Israel.”
“Assim
não se levantará orgulhoso acima de seus irmãos”.
Ainda
que autorizada, a instituição de um monarca é vista com reserva no
texto bíblico: “Assim fala o Senhor Deus de Israel: 'Eu tirei
Israel do Egito e vos libertei da mão dos egípcios e de todos os
reinos que vos oprimiam'. E vós rejeitastes hoje a Deus que vos
salvou de todas as calamidades e angústias e dissestes: 'Não
importa! É um rei que deves estabelecer sobre nós!'” (1 Sm, 10,
18-19).
E,
em 1 Sm, 8, 7-22, temos este interessante relato, que mostra com
clareza os efeitos de diminuição da liberdade do povo ante o
advento da monarquia:
“E
disse o Senhor a Samuel: Ouve a voz do povo em tudo quanto te dizem,
pois não te têm rejeitado a ti, antes a mim me têm rejeitado, para
eu não reinar sobre eles.
Conforme a todas as obras que fizeram desde o dia em que os tirei do Egito até ao dia de hoje, a mim me deixaram, e a outros deuses serviram, assim também fazem a ti.
Agora, pois, ouve à sua voz, porém adverte-os solenemente, e declara-lhes qual será o costume do rei que houver de reinar sobre eles.
E falou Samuel todas as palavras do Senhor ao povo, que lhe pedia um rei.
E disse: Este será o costume do rei que houver de reinar sobre vós; ele tomará os vossos filhos, e os empregará nos seus carros, e como seus cavaleiros, para que corram adiante dos seus carros.
E os porá por chefes de mil, e de cinqüenta; e para que lavrem a sua lavoura, e façam a sua sega, e fabriquem as suas armas de guerra e os petrechos de seus carros.
E tomará as vossas filhas para perfumistas, cozinheiras e padeiras.
E tomará o melhor das vossas terras, e das vossas vinhas, e dos vossos olivais, e os dará aos seus servos.
E as vossas sementes, e as vossas vinhas dizimará, para dar aos seus oficiais, e aos seus servos.
Também os vossos servos, e as vossas servas, e os vossos melhores moços, e os vossos jumentos tomará, e os empregará no seu trabalho.
Dizimará o vosso rebanho, e vós lhe servireis de servos.
Então naquele dia clamareis por causa do vosso rei, que vós houverdes escolhido; mas o Senhor não vos ouvirá naquele dia.
Porém o povo não quis ouvir a voz de Samuel; e disseram: “Não importa! Contanto que haja sobre nós um rei!
E nós também seremos como todas as outras nações; e o nosso rei nos julgará, e sairá adiante de nós, e fará as nossas guerras”.
Ouvindo, pois, Samuel todas as palavras do povo, as repetiu aos ouvidos do Senhor.
Então o Senhor disse a Samuel: “Dá ouvidos à sua voz, e constitui-lhes rei”. Então Samuel disse aos homens de Israel: Volte cada um à sua cidade.”
Conforme a todas as obras que fizeram desde o dia em que os tirei do Egito até ao dia de hoje, a mim me deixaram, e a outros deuses serviram, assim também fazem a ti.
Agora, pois, ouve à sua voz, porém adverte-os solenemente, e declara-lhes qual será o costume do rei que houver de reinar sobre eles.
E falou Samuel todas as palavras do Senhor ao povo, que lhe pedia um rei.
E disse: Este será o costume do rei que houver de reinar sobre vós; ele tomará os vossos filhos, e os empregará nos seus carros, e como seus cavaleiros, para que corram adiante dos seus carros.
E os porá por chefes de mil, e de cinqüenta; e para que lavrem a sua lavoura, e façam a sua sega, e fabriquem as suas armas de guerra e os petrechos de seus carros.
E tomará as vossas filhas para perfumistas, cozinheiras e padeiras.
E tomará o melhor das vossas terras, e das vossas vinhas, e dos vossos olivais, e os dará aos seus servos.
E as vossas sementes, e as vossas vinhas dizimará, para dar aos seus oficiais, e aos seus servos.
Também os vossos servos, e as vossas servas, e os vossos melhores moços, e os vossos jumentos tomará, e os empregará no seu trabalho.
Dizimará o vosso rebanho, e vós lhe servireis de servos.
Então naquele dia clamareis por causa do vosso rei, que vós houverdes escolhido; mas o Senhor não vos ouvirá naquele dia.
Porém o povo não quis ouvir a voz de Samuel; e disseram: “Não importa! Contanto que haja sobre nós um rei!
E nós também seremos como todas as outras nações; e o nosso rei nos julgará, e sairá adiante de nós, e fará as nossas guerras”.
Ouvindo, pois, Samuel todas as palavras do povo, as repetiu aos ouvidos do Senhor.
Então o Senhor disse a Samuel: “Dá ouvidos à sua voz, e constitui-lhes rei”. Então Samuel disse aos homens de Israel: Volte cada um à sua cidade.”
Vox
populi
se sobrepondo à própria vox
Dei...
talvez, para que se possa aprender, deva ser permitido o erro...
Advertido o povo foi, de que teria diminuída sua liberdade. Mas,
ainda que podendo muito, o rei não podia tudo... o maior deles,
Davi, foi assim repreendido pelo profeta Natã:
“Por
que desprezaste a palavra do Senhor, fazendo o que lhe desagrada?
Feriste à espada o hitita Urias para casar com sua mulher. Mataste-o
pela espada dos amonitas! Por isso a espada jamais se afastará de
tua casa (...)” (2, Sm 12, 9-10)
Bem,
comecei com Economia, vim parar na Bíblia...
Enfim, limites aos governantes, mais igualdade, resultam em melhores resultados econômicos, maior bem estar para a sociedade...
Enfim, limites aos governantes, mais igualdade, resultam em melhores resultados econômicos, maior bem estar para a sociedade...
Então,
não nos deixemos enganar:
Reforma
política já!
Igualdade
já!
Um
voto de um brasileiro precisa valer o mesmo que outro voto de um
brasileiro!
Voto
distrital simples já!
Liberdade
já!
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