sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Bob Dylan - I Threw It All Away (Live The Johnny Cash TV Show 1969)

Cazuza e Sandra De Sá- Blues da Piedade ( Ao Vivo )

Pensando Celso de Mello Blues – 2


Realmente, este livro do ex-jurista, ex-ministro da Justiça, Saulo Ramos, é uma enormidade.

Chama-se “Código da Vida”, é de 2007, pela editora Planeta, e relata que o autor ouviu o juiz Celso de Mello declarar que decidiria uma questão submetida ao seu crivo, de uma maneira ou de outra, conforme melhor atendesse a sua conveniência.

Teve de ouvir: “Juiz de merda!”, do outro lado da linha:

Terminado seu mandato na Presidência da República [1990], José Sarney resolveu candidatar-se a senador. O PMDB – Partido do Movimento Democrático Brasileiro – negou-lhe a legenda no Maranhão. Candidatou-se pelo Amapá. Houve impugnações fundadas em questão de domicílio, e o caso acabou no Supremo Tribunal Federal.
Naquele momento, não sei por que, a Suprema Corte estava em meio recesso, e o ministro Celso de Mello, meu ex-secretário na Consultoria Geral da República, me telefonou:
“O processo do presidente será distribuído amanhã. Em Brasília, somente estão por aqui dois ministros: o Marco Aurélio de Mello e eu. Tenho receio de que caia com ele, primo do presidente Collor. Não sei como vai considerar a questão”.
“O presidente tem muita fé em Deus. Tudo vai sair bem, mesmo porque a tese jurídica da defesa do Sarney está absolutamente correta.”
Celso de Mello concordou plenamente com a observação, acrescentando ser indiscutível a matéria de fato, isto é, a transferência do domicílio eleitoral no prazo da lei.
O advogado de Sarney era o dr. José Guilherme Vilela, ótimo profissional. Fez excelente trabalho e demonstrou a simplicidade da questão: Sarney havia transferido seu domicílio eleitoral no prazo da lei. Simples. O que há para discutir? É público e notório que ele é do Maranhão! Ora, também era público e notório que ele morava em Brasília, onde exercera o cargo de senador e, nos últimos cinco anos, o de presidente da República. Desde a faculdade de Direito, a gente aprende que não se pode confundir o domicílio civil com o domicílio eleitoral. E a Constituição de 88, ainda grande desconhecida (como até hoje), não estabelecia nenhum prazo para mudança de domicílio.
O sistema de sorteio do Supremo fez o processo cair com o ministro Marco Aurélio, que, no mesmo dia, concedeu medida liminar, mantendo a candidatura de Sarney pelo Amapá.
Veio o dia do julgamento do mérito pelo plenário. Sarney ganhou, mas o último a votar foi o ministro Celso de Mello, que votou pela cassação da candidatura do Sarney.
Deus do céu! O que deu no garoto? Estava preocupado com a distribuição do processo para a apreciação da liminar, afirmando que a concederia em favor da tese de Sarney, e, agora, no mérito, vota contra e fica vencido no plenário. O que aconteceu? Não teve sequer a gentileza, ou habilidade, de dar-se por impedido. Votou contra o presidente que o nomeara, depois de ter demonstrado grande preocupação com a hipótese de Marco Aurélio ser o relator.
Apressou-se ele próprio a me telefonar, explicando:
“Doutor Saulo, o senhor deve ter estranhado o meu voto no caso do presidente”.
“Claro! O que deu em você?”
“É que a Folha de S. Paulo, na véspera da votação, noticiou a afirmação de que o presidente Sarney tinha os votos certos dos ministros que enumerou e citou meu nome como um deles. Quando chegou minha vez de votar, o presidente já estava vitorioso pelo número de votos a seu favor. Não precisava mais do meu. Votei contra para desmentir a Folha de S. Paulo. Mas fique tranquilo. Se meu voto fosse decisivo, eu teria votado a favor do presidente.”
Não acreditei no que estava ouvindo. Recusei-me a engolir e perguntei:
“Espere um pouco. Deixe-me ver se compreendi bem. Você votou contra o Sarney porque a Folha de S. Paulo noticiou que você votaria a favor?”
“Sim.”
“E se o Sarney já não houvesse ganhado, quando chegou sua vez de votar, você, nesse caso, votaria a favor dele?”
“Exatamente. O senhor entendeu?”
“Entendi. Entendi que você é um juiz de merda!”
Bati o telefone e nunca mais falei com ele.”

Saulo Ramos faleceu em 2013, seis anos após o lançamento do livro, e Celso de Mello nunca desmentiu o relato.

Ainda bem que não estamos, ainda, numa completa Ditadura, e podemos contar com editoras publicando, pessoas livres escrevendo, biografias não autorizadas.

Que pena, artistas que lideram o movimento para que sejam caladas as vozes da Liberdade, Caetano Veloso, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Gilberto Gil, Chico Buarque, dentre outros, que vocês abracem causa tão equivocada.

Quem não se peja de defender Ditaduras não merece qualquer respeito.

Cada preso político morto numa masmorra.

Cada Hitler e cada Stalin.

Cada massacre perpetrado por um fanático.

Tudo isto em seu nome.

Pensando Celso de Mello Blues






Como é que o destino pode ser tão brincalhão
um palhaço risonho que apronta todas

um menino
sem consciência ou perdão

um imenso poder
que mata a todos, sem compaixão

Pois não é que publicaram este livro
em que o ex-ministro da Justiça, Saulo de Ramos,

Responsável pela indicação de Celso de Mello
para ser juiz do Supremo

Diz que Celso de Mello é um juiz de merda
capaz de alterar um voto à conveniência da ocasião

Sofista supremo
sem centro fixo na moralidade

Juiz sem coragem
Juiz sem opinião

Vai julgar o quê?
Juiz de merda

E este mesmo Celso de Mello
juiz agora do Supremo

Vai julgar um processo espinhoso
aquele tal de “mensalão”

E primeiro faz discurso bonito
Fala de Justiça

Fala de retidão
E quando chega o momento supremo

Aquele que tem de mostrar ao que veio
Aquele de homem e facão

Aí amansa de fazer o rebolado
Aí faz um discurso danado

Aí arrega pro patrão.

Momento supremo da vida.


quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Era uma vez em um lugar nem tão distante...



“A primeira coisa que um político de lá pensa quando se guinda às altas posições, é supor que é de carne e sangue diferentes do resto da população.

O valo de separação entre ele e a população que tem de dirigir faz-se cada vez mais profundo.”

- por Lima Barreto in “Os Bruzundangas”

Lalo era um líder de massas, tinha sido presidente-rei de uma republiqueta latino americana, uma tal de Bruzundanga...

Chamar republiqueta a Bruzundanga transmite uma ideia errada.

A Bruzundanga figurava entre as 10 maiores economias mundiais. País com dimensões equivalentes às da Europa, riquíssimo em toda sorte de recurso agrícola, mineral, e o escambau, possuía uma população principalmente jovem, num total de uns 200 milhões.

Mas, ainda assim, republiqueta, num sentido comum a outras grandes nações de um grande continente.

Republiqueta porque estas tais assumem uma máscara de República, Democracia, Estado de Direito, Liberdade para o indivíduo, Separação de Poderes, e todas estas palavras bonitas que se escrevem com maiúsculas.

Mas na realidade escondem tristes Histórias, de exploração e opressão de tantos povos. Homens lobos de homens.

Tantos massacres, tanta dizimação assombrou estas terras. Povos inteiros chacinados, sem que isto fizesse grande mossa na consciência coletiva.

Mas o inconsciente, ah, como este pobre é assombrado! Um refém sequestrado, submetido às piores torturas, obrigado a ter de testemunhar tantos horrores, um tal grau de sofrimento...

A corrupção triunfante, a mentira mais deslavada. O auto-engano levado às raias do delírio.

Enquanto Hospitais, Presídios e Escolas se tornam máquinas de moer gente.

Tribunais, Congressos, Casas do Povo, rá, do Povo, como se os dominadores deste povo não se garantissem luxos e privilégios, enquanto que permitiam que os miseráveis morressem de fome, ou até queimados nas ruas, assassinados às centenas, aos milhares...

Pois Lalo tinha sido presidente-rei de um destes povos.

Um líder de massas, um carismático, um filho deste Povo.

E, assim que se tornou presidente-rei deste Povo, aceitou olhar-se no espelho, vestindo um terno de um milhão de dólares, com um charuto havana na mão direita, presente do presidente-rei de outro infeliz povo, e com uma taça de vinho caríssimo, presente de um outro amigo, publicitário, financiador de sua campanha, na mão esquerda, com um sorriso satisfeito nos lábios, e perguntou, do alto de sua glória...

“Espelho, espelho meu, será que existe alguém mais poderoso do que eu?...”

Continua, talvez



Artigo da hora: “Partidobrás S.A., por Demétrio Magnoli




Acabava de recomendar o artigo de José Casado, leio este do Demétrio Magnoli, com o qual concordo 99,9% (voto distrital PURO, por favor, para não ter confusão...).

Acautelemo-nos, os tempos são perigosos...

Artigo da hora: Uma perigosa trama política, por José Casado




José Casado faz um assustador alerta de uma trama para enterrar nossa (pouca) democracia.

Se de fato a votação no Supremo pelo fim do financiamento de campanhas por empresas representar a ponta de lança para alterar o sistema eleitoral e introduzir o voto em lista fechada, teremos colocado os dois pés de volta no Assombroso Reino da Ditadura, mascarado, está claro, pelo periódico ritual de sermos obrigados a depositar uma cédula numa urna, sem maiores significados.

E olha que eu sou plenamente favorável ao fim das doações de empresas. Concordo com o argumento, pessoa jurídica não é cidadã, cidadã é a pessoa física.

Então, só pessoa física deveria ser autorizada a doar dinheiro para partidos/campanhas, com limite por CPF.

Pelo fim do poder hegemônico da grana!

Se isto vai impor uma redução de custo das campanhas, muito melhor. Campanhas bilionárias, milhões gastos para eleger um político, mostram bem a imoralidade do sistema, e com quem estará a preocupação e a lealdade dos nossos “representantes”.

Se as campanhas terão menos dinheiro, que se façam campanhas com menos dinheiro, ora essa!

E nada de financiamento público, nada de voto em lista fechada!

Se é preciso baratear a campanha, que se tenha o voto distrital puro. Um candidato, por partido, e cada candidato tendo de pleitear a maioria dos votos em distritos com o mesmo número de eleitores.

E nada de propagandas milionárias, cabos eleitorais a peso de ouro, produções cinematográficas para engabelar o povo.

Imenso seria, então, o fortalecimento da Igualdade, e da Representatividade, e da Verdade, para a nossa Democracia.

Agora, com poderosos grupos de interesse manipulando, e tramando, enquanto as massas assistem passivamente, qual sonâmbulos, alienadas, a perspectiva é muito mais desfavorável...

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

E assim se apropriam do dinheiro público... - 2

E se você for um pobre, é pior ainda.

Te atiram para um SUS, para um inferno para marcar uma simples consulta.

Para marcar uma simples consulta, imagina para fazer uma cirurgia.

E sempre se precisa de algum conhecimento, de algum padrinho, de algum jeitinho...

Para fazer uma cirurgia existem filas absurdas, pode levar uns 10 anos, não é brincadeira.

O caos. O caos da saúde pública.

Já o, para alguns, Grande Líder, classificou a saúde pública como “algo próximo à perfeição”.

E ficou por isso mesmo, esse deboche...

Ele, diagnosticado com um câncer, teve tratamento iniciado nas primeiras 24 horas, por uma equipe bem treinada de um hospital de ponta.

Já o paciente médio, no Brasil, diagnosticado com câncer, inicia seu tratamento em algo como sete ou oito meses.

Sabendo que está com câncer; sabendo que precisa de um rápido tratamento.

Espera, em média, sete ou oito meses, para começar o tratamento.

“Mas somos todos iguais, perante a lei.”

Diz-se, em algum lugar, não sei onde.

E assim se apropriam do dinheiro público...



O jornal de hoje traz uma recorrente notícia, um exemplo, dentre um milhão, da maneira pela qual o dinheiro de todos passa a integrar o patrimônio de alguns:

O dinheiro do público, dos pagadores de impostos em busca de alguma melhoria de vida, pagadores de bem altos impostos, para condições de vida bem diminutas, vai ser transferido para o patrimônio pessoal de alguns seletos privilegiados.

22,5 milhões, dizem as contas, é o que se transferiu de programas de políticas públicas, coisas básicas como infraestrutura, atendimento a crianças e a mulheres em situação de violência, estas coisas, como se vê, tão importantes, para reforçar o Plano de Saúde dos servidores do Superior Tribunal de Justiça.

Agora, você se pergunta, você tem de pagar bem caro pelo seu Plano de Saúde, e o Governo não lhe transfere recursos?

Você se pergunta se isto é uma situação de privilégio?

Você se pergunta se isso é um direito que não é para todos, não podendo assim ser um direito?

E a resposta é sim para todas as perguntas.

Você está sendo passado para trás?

Você está sendo feito de palhaço?

“É normal”, dizem os conformistas de plantão. Depois de garantir para si um tantinho.

Não, aqui a classe ociosa, a classe privilegiada, a classe que se garante benefícios às custas do trabalho alheio, não foi confrontada pelos nossos comerciantes, pelos nossos trabalhadores, não lhes deram um basta ao deboche.

Aliás, se juntaram alguns desses comerciantes e trabalhadores para dar sustentação a esta exploração do trabalho alheio. Estes que receberam alguns milhões e alguns bilhões do dinheiro público, para não ter de apresentar muito resultado. Para passarem algumas notas frias, para darem alguns calotes, arrumarem uma declaração de falência, e sumirem com a bufunfa...

Na certeza de que nada nunca vai dar em nada.

É verdade, em termos de punição não aparece mesmo muita coisa, às vezes um formal e protocolar, “pode ter havido algum erro”, “algum dia será reparado”, por alguma autoridade, e já se pode falar de outra coisa.

Mas o resultado pode ser medido também na falta de contenção das encostas, e nas crianças pisando os esgotos não tratados atirados nos rios, transbordados com as chuvas, e na geral falta de segurança e na roubalheira sem fim...

Ou seja, dominam de modo tão amplo, que nenhum Grande Líder se apresentou para enfrentá-los.

O Grande Líder que dizem que tivemos deixou todos estes grandes negócios intocados, e aproveitou para fazer os seus próprios negócios, ainda maiores.

E este foi o nosso Grande Líder...

E este é o estado das coisas a que chegamos.


Tolerância com o ladrão

Ronald Biggs morreu hoje, o ladrão famoso por roubar um trem postal, na Inglaterra, em 1963, e que fugiu e viveu em liberdade no Brasil, por muitos anos.

Havia voltado à Inglaterra, em 2001, doente, já com 74 anos, e na esperança de conseguir um indulto da Rainha.

Enganou-se. Foi conduzido à prisão, de onde só saiu em 2008, para ficar em liberdade condicional após ter cumprido um terço de sua condenação de 30 anos, mesmo tendo sofrido dois ataques cardíacos e diversos derrames após o retorno.

Agora, imagina no Brasil, onde desviam-se remédios de hospital, merenda de crianças, e cada licitação, cada compra pública milionária, e cada grande obra, traz a sua fieira de corrupção, suas previsões de 15%, 20%, ou 30%, e os crimes prescrevem mais rápido do que a velocidade da luz, e a condenação final nunca acontece para estes casos.

Processos há 10, 15, 20 anos, nos Tribunais. Sempre se questiona outra vírgula, sempre existem os macetes jurídicos, testemunhos a serem ouvidos no Timbuctu, no Alasca, indispensáveis, claro, para a plena defesa, segundo entendimento das Altas Cortes, capazes de anular anos de investigação, anos de processo, pela falta de um carimbo na fl. n. 5.689 dos autos.

Imagina no Brasil, onde sentimos tanta peninha de mandar pra cadeia os nossos ladrões de milhões, os que desfilam com milhões na cueca, milhões na meia, e não precisam esquentar a cabeça, porque não correm risco de ir para trás das grades.

É só ficar de bico fechado.

Imagina no Brasil, que recebeu Biggs de braços abertos, como um herói do povo; o Brasil, que negou a extradição de um assassino condenado por diversas mortes na Itália, afinal, ele era um dos companheiros, é preciso agradar nossos radicais...

Imagina no Brasil, que sempre tem um jeito de dar uma amaciada, uma liberdadezinha condicional, uma prisão domiciliar básica, porque na cadeia vai complicar pra comer salmão defumado...

E esta também é muito boa: roubou milhões? Mas pode dizer que vai arrumar um empreguinho num hotel, coisa de 20 mil por mês, e estamos todos regenerados! Olhe a boa vontade que demonstra, o intuito de trabalhar honestamente, como todo bom brasileiro... claro que ele merece a liberdade, quem sabe até uma indenização por lhe estarmos, talvez, causando algum inconveniente ao doutor, ele não é qualquer, sabe com quem está falando?

País entregue ao crime, país entregue ao deboche...

País entregue às baratas...

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Artigo da Hora: Marina e as Regras do Jogo, por Demétrio Magnoli

Para quem acompanha este blog, farei um apanhado de artigos lidos em jornais e revistas, que me agradaram, e que estão relacionados aos temas aqui discutidos (categoria bem ampla). Mas, principalmente, de economia, e política.

Não copiarei o artigo aqui, para não abusar de direitos autorais, mas indicarei o link onde pode ser lido na rede. Basta um clique.

Começo esta série, que batizarei de “Artigo da Hora”, com Demétrio Magnoli, “Marina e as Regras do Jogo”, publicado no jornal O Globo de 26.09.2013:



Crise de Autoridade




Ruas do Rio tomadas, uma zona de guerra, cidade de 6 milhões de habitantes, feita refém, assistindo, hipnotizada, ao seu centro feito palco de um bizarro confronto entre policiais e professores...

É o caos, é o descalabro do país saturando, chegando a um ponto de regorgitar as imundícies longamente acumuladas, esta cena impensável, vergonhosa, uma guerra aberta pelas ruas, a desordem, anarquia, violência, o povo batendo cabeça, quebrando cabeça contra cassetete, nossa incapacidade astral, nossa desorganização profunda, exposta inapelavelmente, desavergonhadamente diante dos nossos olhos incrédulos...

Meu Deus, onde irá parar este filme de horror?

Governadores, prefeitos, presidentes e presidentas, todos fingindo que podem fazer algo de bom ao mesmo tempo que loteiam os bens e os valores públicos para os seus amigos amissíssimos, empresários-financiadores de campanha-executores de milionários projetos públicos-pagadores de mordomias.

Seria preciso ouvir uma voz dando um basta, em meio a este caos, uma voz forte pela moral, despertando alguma dignidade adormecida entre nós, e que comandasse um re-ordenamento.

Faça-se a Luz. E que a Ordem impere sobre o Caos. O Espírito sobre o Vazio.

Pelo verbo se cria, se ordena, discrimina, separa...

Pelo Verbo se funda uma realidade.

Mas qual a voz que terá esta força moral, em meio à crise de autoridade?

Quando os líderes estão se regozijando na corrupção, gastando em Paris o dinheiro roubado nos esquemas de uma população doente e indefesa.

De uma população que perde suas crianças, para a falta de saneamento, para os criminosos fora das grades, para o caos nos hospitais-matadouros, para a ignorância nas escolas-fábricas de aniquilar esperanças...

É preciso esta força moral, para enxergar o óbvio, a bizarria de ver professores em massa clamando por uma reforma no ensino, e sendo espancados e reprimidos pelas forças de segurança.

É preciso gritar: “Este não pode ser nosso ensino! Esta não pode ser nossa escola!”

É preciso apresentar algum plano, e discutir com a sociedade algum plano, para que o professor na sala de aula ENSINE, e o aluno na sala de aula APRENDA.

Sem subterfúgios, sem duplo-pensar, sem novilíngua, sem embargos infringentes.

Mas onde está esta força moral, que dá vida ao Espírito?

Que faz do Verbo agente criador de nossos melhores ideais?

O Coração do Vampiro


O grande mal, tão grande que chega a se converter no único mal, o coração das trevas, o coração do vampiro, é óbvio, é a grande chaga fumegante e putrefata, um lago infecto de corrupção, onde vicejam as harpias e os maus espíritos, no centro desse organismo chamado Brasil...

Algo de podre, no Reino do Brasil...

Algo de podre, pois não.

O abismo, o buraco negro do horror. O Grande Mal, o Grande Nada.

Cuidado ao olhar para o abismo. O abismo olha pra nós.

É a cara afável da corrupção. Os ternos, os carros, as mulheres, os navios.

As festas em Paris.

O dinheiro fácil.

Mas lembrem: não existe almoço grátis.

Para tudo se paga um preço.

Perder a honra. Perder a alma.

Mas as aparências sempre enganam.

Enquanto um pobre é encarcerado com desumanidade.

Enquanto um pobre é torturado, é assassinado.

Os figurões de belos golpes desfilam por aí, mergulhados em dinheiro.

Com as interpretações favoráveis de leis compradas. Com os exércitos de puxa-sacos interesseiros jurando fidelidade canina.

Com as exibições de poder, as exibições de dinheiro.

A máscara caiu.

Este é o grande país, do qual vocês são os filhos, e isto é o que fazem com ele.

Aquele esquema torpe, da sua empresa gastar milhões para comprar uma eleição.

E que, depois, vai ter os melhores negócios garantidos pela pena estatal.

Aquele esquema que custa o preço de condenar um país a este eterno esgoto, a este predomínio do abuso, da exploração.

Aquele esquema que faz com que o país não possa se organizar para oferecer saneamento. Não possa oferecer a merenda, porque será desviada, e custeará o uísque e salão de beleza de primeiras damas.

E, tudo isto, visto, acabará em nada, acabará em pizza.

Se o mal é este, combata-se o mal, exija-se a mudança.

Que a campanha política não possa receber dinheiro de empresas. Só de pessoa física, e com limite por CPF.

Também não nos venham empurrar financiamentos com dinheiros públicos de campanhas.

Acabe-se este outro manancial da corrupção, de tudo fingir resolver pelo despejamento do dinheiro público.

Se as campanhas vão ter menos dinheiro, que as campanhas reduzam seus custos.

Chega de “propagandas informativas”, paradoxos em seus termos, pagas a peso de ouro a nossos mágicos marqueteiros.

Chega de marqueteiros que confessam receber dinheiros “por fora”, serem inocentados nos meandros de Justiças e Justiças.

Chega de marqueteiros e marquetagens sendo pagos a peso de ouro, com os dinheiros públicos, para nos mentir descaradamente.

Chega de falsa democracia, democracia pela metade, democracia do homem devorando homem.

Homem lobo do homem.

Homem tornado vampiro.

 

Qual é o valor de uma vida?

Qual é o valor de uma vida? De uma morte?

Uma morte cabe dentro de alguma estatística?

Qual é o valor de seis milhões de mortes?

Um holocausto.

Seis milhões de judeus. Queimados em fornos.

Uma morte. Seis milhões de mortes.

Um número.

Mas qual o valor de uma morte, quando afeta você?

Qual o valor de perder um pai, perder uma mãe, perder um filho?

Perder o amigo. A esposa querida.

Apenas outra vida? Apenas uma estatística?

Um número vazio?

Qual é o valor de perder uma criança, uma menina de 9 anos, aterrorizada, violentada, e morta?

Qual é o valor para um pai, para uma mãe, à beira de um caixão?

“Os números vão se repetir.” - dizem os sábios platônicos.

“A morte existe.” - diz o potente truísmo.

Mas o que é o país que tem 95% de homicídios não resolvidos?

O que é o país, que mesmo com 95% de homicídios não resolvidos, vive com as cadeias apinhadas, fábricas de produzir assassinos?

O que é o povo que só pode se lamentar, ou que sequer se lamenta, convivendo com o desrespeito cotidiano à Justiça?

A qualquer sintoma ou manifestação de dignidade?

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Suprema desmoralização

Que destino trágico, acabar como farsa, a peça de um país...

Que enredo, um país que se percebe lesado, violentado e assassinado, ir para as ruas, clamar por um fim a este esquema viciado, a este mar de corrupção...

Depois, ver este movimento legítimo ser espremido e espancado entre a Polícia e o bando de arruaceiros... entre Behemoth e Leviatã...

Depois, ver o processo julgado em Suprema Instância, envolvendo a maior e a mais perigosa organização criminosa jamais descoberta em solo pátrio...

Ver o processo do Mensalão julgado, com a condenação de um grande poderoso deste país, apontado como mentor deste esquema, sendo condenado à cadeia, dentre outros figurões da base aliada deste Governo...

Ver que depois de anos e anos de processo, de milhares e milhares de páginas e de documentos, depois de extensíssimos debates entre os juízes Supremos (parece até nome de equipe de super-heróis), de falcatruas processuais, de juízes indicados pelo Governo, atuando como advogados de defesa, houve uma decisão que mandava botar na cadeia.

E, daí, ver mais esta virada de mesa, da boca do decano daquela Casa, o mesmo que falara tão alto que os crimes eram inomináveis, afetando o próprio regime político do país, que ficou como voto de Minerva para o recebimento de mais um outro recurso: os embargos infringentes, que vão poder salvar os coroados pescoços de Nossas Eminências...

E o decano ainda se deu ao luxo de espancar a consciência política do país, que clama pelo fim da Era da Impunidade, e o início da Era da Justiça... Disse que opinião pública não era com ele, ele se arvora o direito de ser um servidor público que vira as costas para o público.

O impacto dessa monumentalidade é tão grande, que quase passou despercebido.

Os jornais nem deram nada, e ninguém parecia mesmo querer pensar ou falar nisso.

Temos nossas vidas pra cuidar, não é mesmo?

E foi tão vergonhoso, tão desalentador, tão terrível, que é melhor fingir que não existiu, tentar apagar da História...

E a opinião pública botou o rabo entre as pernas, e saiu amuada do Salão... o mesmo Salão onde alguns riem entre charutos e uísque e dizem que tudo vai acabar numa piada...

Pobre Nação! Como é pobre acreditar em Justiça e não querer mudar nada!

País que saiu dos trilhos



O pior é esta perda de projetos...

Perda de ideias...

O pior é o desperdício...

Desperdício de tanta vida jovem.

De tanta força, de tanta inteligência.

Que saldo triste, para um momento da História, carregar...

Um país desiludido.

A descrença, irmã da desesperança.

Ambas passeando soltas, nesta Era de Escuridão.

Enquanto as crianças são comidas pela fome, são comidas pela ignorância, são comidas pelo desejo de gananciosos, homens lobos de homens.

Enquanto milhões de vozes, clamam em desespero...

Não haverá um Deus vingador? Não haverá retribuição? Não haverá um Inferno, para todos os corruptos, para todos os indiferentes?

Quem estará realmente a salvo, neste mundo cambiante, nesta Roda que só faz girar...

Depois, é lamentar pela História, esta mesma que produz holocaustos e catástrofes...

Revoluções, e ditaduras, guilhotinas, e campos de concentração...

Assassinos impunes, trabalhadores roubados...

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

As Ligações Perigosas


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Choderlos de Laclos (1741-1803)



Leio, com deleite e horror, um clássico da literatura: As Ligações Perigosas (1782), de Choderlos de Laclos.

Um texto clássico da literatura, e da literatura “maldita”.

A trama, muito bem arquitetada, mostra, inteiramente através de cartas que revelam os pensamentos mais íntimos dos personagens, os jogos de poder, de sedução e de vingança de dois nobres, o Visconde de Valmont, e a Marquesa de Merteuil.

Valmont é vaidoso, sua vaidade é alimentada por aquilo que é mais valorizado em sua sociedade: a conquista de mulheres, quanto mais difíceis, melhor. "Essa embriaguez dos sentidos, talvez esse delírio de vaidade..."

Na verdade, quase nunca havia dificuldades, pois as mulheres naquela sociedade entregavam-se à mesma vaidade e à mesma disputa. Apenas, tinham de disfarçar mais e melhor.

É o caso da marquesa. Ela se tornou a mestre da dissimulação. Valmont podia se dar ao luxo de apregoar seus feitos, isto lhe causava alguns embaraços, mas muito maior era a satisfação e o orgulho que lhe proporcionavam. Era invejado pelos homens e cobiçado pelas mulheres.

Já a marquesa só podia saborear suas vitórias em silêncio.

Talvez por isso se entregasse à correspondência com Valmont com volúpia. Revelava-se por inteiro naquelas cartas, logo ela, tão prudente, entregando seu disfarce de modo tão definitivo... de fato, a revelação de suas cartas será a sua perdição no final do livro, quando entrar em guerra com Valmont, guerra que perderá a ambos. Freud explica este desejo de destruição...

Mas já estou no final do livro. Voltemos à trama para mais algumas observações.

Valmont deseja o desafio que lhe trará maior glória. Deseja possuir uma mulher de fato possuída pela virtude. Alguém que não está representando um papel, que acredita em tudo aquilo. Maior a dificuldade, maior o prêmio. E se entrega ao assédio a uma mulher casada que passa os dias na casa de sua tia (de Valmont).

Ela resiste o quanto pode, e Valmont ainda se dá ao luxo de adiar sua vitória para melhor apreciar a submissão completa daquela vontade ao seu poder.

Quando isto acontece, Valmont percebe que o resultado de toda uma vida entregue à humilhação do amor resulta em não se poder amar.

Valmont tanto humilhou, tanto desacreditou, tanto menosprezou, o amor, que o amor resolveu se vingar, e de forma terrível.

"Algum dinheiro para o porteiro e alguns cumprimentos para a mulher dele bastaram.. Podeis imaginar que Danceny não soube descobrir um meio tão simples! E se diz que o amor abre a inteligência. Ao contrário, embrutece a quem domina. E eu não saberia defender-me? Ah, ficai sossegada. Já dentro de alguns dias irei enfraquecer, dividindo-a, a impressão talvez demasiado viva que experimentei; e, se uma simples partilha não bastar, saberei multiplicá-la."

Valmont tinha o amor nas mãos, mas não podia deixar de senti-lo como algo estúpido, degradante, vergonhoso, uma imperfeição, uma mácula... ele não poderia deixar de se sentir imbecil, derrotado, humilhado, se ostentasse diante do olhar alheio, diante do olhar próprio, uma fronte de apaixonado.

Lascou-se, porque recebeu o amor completo, daquela que conquistara. Foi mais amor do que poderia ter recebido nas mãos, e ela não poderia ter feito diferente.

Ela caiu por completo, ela se entregou por completo. Para ela, era ou tudo, ou nada.

E despejou todo aquele amor no colo de Valmont, e este viu horrorizado que todo aquele amor não lhe servia para nada...

“Nós nos aborrecemos de tudo, meu anjo, é a lei da natureza, não é minha culpa.

Se hoje, pois, eu me aborreço de uma aventura que me ocupou durante quatro meses mortais, não é minha culpa.

Se, por exemplo, tive tanto amor quanto tiveste virtude, e já é dizer muito, por certo, nada de espantoso em que um tenha acabado ao mesmo tempo que a outra. Não é minha culpa.

Seguem-se daí que há algum tempo te engano: mas, em verdade, tua impiedosa ternura até certo ponto me obriga a isso. Não é minha culpa.

Hoje, uma mulher que amo perdidamente exige que te sacrifique. Não é minha culpa.

Sinto muito bem que te dou uma excelente oportunidade para falar em perjúrio; mas, se a natureza só concedeu aos homens constância enquanto davam obstinação às mulheres, não é minha culpa.

Crê em mim, escolhe outro amante como eu escolhi outra amante. Este conselho é bom, muito bom; se o achares ruim, não é minha culpa.

Adeus, meu anjo, eu te possuí com prazer, deixo-te sem pesar; voltarei a ti, talvez. O mundo é assim. Não é minha culpa.”

Estas as palavras que o Visconde, instigado pela marquesa, envia à sua amada. E o amor perfeito e impiedoso dela, claro, não escolherá outro amante. Ela tem uma crise nervosa que a levará à morte, aquela a quem nem mesmo o ego monstruoso do Visconde pode se opor. Ver o amor mais perfeito, e não poder tocá-lo... imaginem a frustração deste homem, que até certo ponto explica suas reações:

Um ódio profundo, voltado contra si mesmo e contra a marquesa, seu espelho, sua metade... aquela que lhe colocou a espada na mão, e conduziu sua mão para o golpe...

E ainda debochava dele:

“Não foi sobre sua amada, Visconde, que levei vantagem, foi sobre vós. Eis o que é divertido e realmente delicioso.

Sim, visconde, amáveis muito a Sra. De Tourvel, e ainda a amais; e a amais como um louco; mas, como eu me divertia com vos envergonhar disso, corajosamente a sacrificastes. Teríeis sacrificado mil de preferência a suportar uma brincadeira. Aonde nos conduz a vaidade! O sábio tem razão quando diz que ela é inimiga da felicidade!”

A cada hora e meia uma mulher é assassinada no Brasil

Certas notícias, de tão abruptas, podem se resumir numa frase:

“A cada hora e meia uma mulher é assassinada no Brasil.”

A brutalidade, o absurdo de tal sociedade é esclarecido aqui.

Uma sociedade que vê um sacrifício de tal magnitude de alguns de seus membros mais frágeis, é o quê?

Distorcida, doente, vergonhosa...?

Tudo isto, é certo, mas só adjetivos não bastam.

É uma sociedade omissa, covarde, egoísta...

Que nossos governantes venham brandir seus números, para acabar com a violência... e o índice de assassinatos caiu 2 pontos aqui, mas subiu 10 pontos ali...

Estão preocupados é com fazer uma propaganda para a próxima eleição, e não em fornecer qualquer solução real.

Até lucram com isso, sempre podem fazer uns arranjos e conseguir os tais 2 pontos de queda de alguns índices de violência... e continuar a convivência entre o número absurdo de assassinatos, e a vitória eleitoral sobre uma população tão apavorada com a hipótese, nada improvável, de vir a engrossar o número das vítimas, que qualquer 2 pontinhos percentuais lhe parecem um maná dos céus.

A verdade é: um país que convive com estes números e estas percentagens de violência, é um país vergonhoso, derrotado, entregue...

Não conseguiu minimamente se organizar como Estado, não consegue minimamente que suas leis sejam cumpridas.

Está organizado só para favorecer o crime, a negociata entre gente importante.

Tiranos que dominam sobre gente ignorante, oprimida, indefesa.

E as “elites”, vão sendo cooptadas por este jogo de poder...

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Fatos brutos






















Fatos brutos

Pensar novas maneiras. Enxergar novos caminhos.

Por que precisamos ser tão estáticos, mulheres de Ló, aprisionadas pelas dores do passado, transformadas em estátuas de sal à beira do caminho?

É tudo verdade, e tão verdadeiro...

Quem não permite que o Espírito aja livre, faz com que ele morra.

Ele renascerá, livre, mas a morte é real.

Morte, a única certeza da vida...

(além, é claro, da própria vida...)

Será boa? Será má?

Morte.

Ou será que falo da vida?



 

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Briga de Torcida



Quem está acompanhando os jornais, viu que no estádio (perdão, na Arena) Mané Garrincha, em Brasília, nossa capital federal, um bilhão e tanto gastos para ser reformado para a Copa, em padrão-Fifa, aconteceu uma briga na arquibancada, com direito a enfrentamento com a polícia, no último jogo Vasco e Corinthians.

Aliás, no mesmo estádio, no último jogo São Paulo e Flamengo, um torcedor do Flamengo foi espancado quase até a morte pelos membros de uma torcida organizada do São Paulo, fato amplamente documentado através de filmagens com celular. Os poucos que foram presos por tal ato já foram todos liberados.

Retornando ao assunto. Na briga da torcida organizada do Corinthians com a polícia se destacou um certo Raimundo Faustino, vulgo Capá, vereador e presidente do diretório municipal do PT de Francisco Morato – SP.

Agora, vejam a foto, que vale mais do que mil palavras:



Raimundo Faustino, o Capá (sem camisa), leva cacetada de policial durante confusão no jogo Corinthians e Vasco em Brasília
Foto: Jorge William / O Globo




Capá é o tatuado, correndo da polícia.

Agora, vejam Capá nesta foto:



 E nesta outra, abraçado com el jefe:




Fiquei sem palavras...

Diplomacia e Direitos Humanos

O país soube assombrado que um asilado político na embaixada do Brasil na Bolívia permaneceu por 455 dias trancado numa sala, só podendo receber a visita de três pessoas, enquanto nossa Diplomacia (cheia de escritórios pelo mundo afora, gastando rios de dinheiro...) permanecia em infindáveis discussões com o governo boliviano, que descumpria o Direito Internacional e negava a saída do asilado daquele país.

Esta notícia veio junto com a notícia de que 4.000 médicos cubanos virão trabalhar no Brasil. Mas, em regime de semi-escravidão. O Advogado Geral da União (ninguém menos...) proclama que, caso algum dos médicos peça asilo ao Brasil, será encaminhado de volta à ilha-prisão. Precedente já houve, neste governo petista (mais precisamente, na Era Lula... mais precisamente ainda, sendo ministro da Justiça (ninguém menos...) Tarso Genro, hoje governador do Rio Grande do Sul. Bela carreira, tem o menino... deve se orgulhar bastante...

Ficamos sabendo que os médicos cubanos vão ter o salário repassado a uma certa organização, que vai repassar o dinheiro ao governo cubano, que por sua vez vai repassar aos médicos uma fração do total...

E tudo isto passa, tudo isto está aí, à mostra, e ninguém fala nisso... não causa escândalo, indignação... é tudo O Normal...

Estamos à mercê do monstro. Nosso Estado aceita que tudo pode ser feito contra algum pobre cidadão, que ousou incomodar o jogo... taquem-lhe multas, taquem-lhe cassetetes, gás lacrimogêneo, coquetel molotov... taquem-lhe processos judiciais, confisquem-lhe a renda, confisquem-lhe o patrimônio... Vamos queimar sua loja, vamos te entregar pra polícia... é, malandro, sua casa caiu... sabe quem é o Capitão Nascimento? As platéias aplaudiram no cinema... saco de plástico na cabeça, tiro de fuzil, é a polícia que dá sumiço.

E tá tudo valendo, porque o Estado pode fazer o que quiser com quem for inconveniente. Direitos humanos, blá, blá, blá, matam sem dó.

E o cidadão não tem o direito de viver em liberdade, ou com dignidade.

Está condenado a viver sem poder dizer: “Eu tenho meu direito. Eu tenho minha liberdade.”

“Isto, eu não aceito que o Estado, que suas tropas armadas, suas forças de segurança, faça com ninguém.

Se ele é um ladrão, um assassino, prenda-o, e que seja julgado e cumpra pena.

Mas eu não te autorizei a matar, eu não te autorizei a torturar, eu não te autorizei a executar.

Eu exijo que a sua ação tenha um limite, o limite das leis que nosso povo escolheu, e que devem ser respeitadas.

Quem é você, para pleitear viver fora das leis do país? Com que autoridade pretende um salvo-conduto para torturar e matar?

Para decidir quem deve morrer, como se para você não existisse a lei.

Você quer ser algo de especial, maior do que o outro, que precisa cumprir a lei, e precisa cumprir muitas leis, neste Estado corruptíssimo.

E ainda precisará aguentar o ato abusivo, ilegal, de quem deveria ser a primeira garantia da lei, a autoridade a quem se paga o salário.

Que Estado é este, que Polícia é esta, que pacto social é este?

E o que se pode fazer para mudá-lo?”

Um novo pacto social



Pelo mundo, a Liberdade sofre ataques contínuos, vindos de todos os lados, e muito poucos se apresentam para defendê-la.

Tão pouco cavalheiresco, este triste mundo... tão pouco honrado, tão pouco digno...

É triste perder as esperanças, mas olhe para o lado, e veja o que está acontecendo.

Pelo mundo, Estados pisoteiam cidadãos, Partidos e homens se engrandecem de Salvador da Humanidade, inebriam-se com o Poder, com os milhões de dólares que giram, com o medo de ser passado para trás, com o medo de perder.

E todos perdem. Um mundo que deixa para trás sua dignidade, sua liberdade, como se fosse um peso muito difícil de carregar... que aceita indiferente enquanto as maiores injustiças são feitas.

É um mundo que já perdeu sua Liberdade.

Agora, é ganhar dinheiro, botar alguma coisa no lugar...

Mas não tem nada que sirva.

“Que vale ao homem, ganhar o mundo, perder a alma?”

Um novo pacto é preciso.

Um novo pacto, porque o velho está morto. Já nasceu morto.

O pacto de aceitar que tirem hoje, uma rosa do jardim do vizinho?

Este pacto traz o amanhã de ser a sua casa que invadem, e que lhe tirem o seu filho.

Este pacto já mostrou ao que veio, em cada país que sofreu sob algum tirano enlouquecido, trazendo o inferno para a vida de algum povo.

Este pacto é aquele que levou Nero a atear fogo em Roma, tocando sua harpa de uma sacada...

Este pacto é aquele da massa hipnotizada por aquela cascavel arrogante, Hitler, um estúpido se achando a coisa mais linda desse mundo, tamanho foi o poder que sentiu dentro de si... comendo-lhe a alma, enquanto desfrutava de uma bela vista de uma montanha dos Alpes, vivendo num castelo... com bases no sangue de milhões de cadáveres, com polícias secretas invadindo as casas, com crianças sendo separadas de suas mães, para horríveis destinos...

Este pacto é aquele de qualquer criminoso, ordenando invasões de residências e fuzilamentos em massa... e que, quando atingem um certo poder, logo contam com o endeusamento entusiasmado de acólitos prontos para servir seus senhores.

Mas agora podemos sentir que estão todos conformados, aceitando o mundo como isso mesmo...

E que só lhe interessa um pouquinho de segurança...

Pois é justamente isto o que não podem ter. E nem nós, e nem nossos filhos, cada vez mais submetidos a tiranos e tiranetes, sem que lhes armem uma guerra, sem que lhes cobrem pelo novo pacto.

Os tiranos e tiranetes estão confortáveis como nunca, abusando cada vez mais do poder, avançando cada vez mais, enquanto não encontram resistência...

Hoje, é uma rosa... amanhã, é um tapa... depois de amanhã, quem sabe?... podem entrar na sua casa, levar o seu pai, ou levar o seu filho, e sumirem com ele...

Como assim, e não acontece nada?

Nada. Arrumam-se desculpas, muito palavrório. E fica tudo por isso mesmo.

“Era da outra classe”. “Ainda bem que não foi comigo”.

Mas foi com você. Foi com cada um de nós. Foi com a sociedade em que nós vivemos. Foi com um próximo com quem temos responsabilidade.

Ou não temos? Ou não devemos ter?

E a responsabilidade exige que não aceitemos este pacto. Este pacto de morte.

A responsabilidade exige um novo pacto social, em que o poder esteja dividido, em que o bem estar esteja dividido.

A responsabilidade exige que não compactuemos com os criminosos.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Por que as nações fracassam




Do formidável livro “Por que as nações fracassam”, de Daron Acemoglu e James Robinson:

“ (…) O Egito é pobre exatamente por vir sendo governado por uma pequena elite que organizou a sociedade em função de seus próprios interesses, em detrimento da massa da população. O poder político, estritamente concentrado, vem sendo usado para gerar riquezas para aqueles que já a detêm (…)

Países como o Reino Unido e os Estados Unidos enriqueceram porque seus cidadãos derrubaram as elites que controlavam o poder e criaram uma sociedade em que os direitos políticos eram distribuídos de maneira muito mais ampla, na qual o governo era responsável e tinha de responder aos cidadãos e onde a grande massa da população tinha condições de tirar vantagem das oportunidades econômicas.”

A tese do livro: sociedades dividem-se entre aquelas com instituições inclusivas, que garantem direitos políticos e econômicos (ambos são indissoluvelmente ligados), e sociedades extrativas, em que uma elite concentra poderes, traduzidos em leis (direitos), políticos e econômicos, vivendo da exploração da maioria destituída de tais poderes.

Os homens, em cada tipo de sociedade, respondem aos incentivos institucionais. Não são as diferenças de culturas, religiões, circunstâncias geográficas..., que são decisivas para definir o crescimento ou a estagnação econômica. Mas o fato de as instituições dentro de cada sociedade garantirem um maior ou menor nível de igualdade de direitos entre a população.

Sociedades em que a população está garantida em sua liberdade, em sua segurança, em sua propriedade, têm incentivos para fazer esforços, inclusive esforços criativos, inovadores, e para fazer investimentos, de tempo, dinheiro, trabalho, em prol de um progresso pessoal, mas que debordará em benefícios para toda a sociedade.

São estas as sociedades inclusivas.

As outras sociedades, extrativas, formam a grande maioria das experiências históricas. A partir do momento em que existe uma organização social, um poder de dar ordens e ser obedecido, o estabelecimento de leis e polícias e exércitos, a elite que comanda estes poderes tende a configurar os subordinados de forma a explorá-los.

“Se eu posso mandar em você, parece uma boa ideia obrigá-lo a trabalhar para mim.” - não é difícil entender o porquê de, historicamente, as sociedades se constituírem, predominantemente, para a exploração do homem pelo homem. Homem lobo do homem.

Saiu do nível “caçador-coletor”, em que é mais difícil gerar elites muito diferenciadas, aumenta a exploração. Sociedades sedentárias são mais divididas, portanto, mais desiguais, mais hierarquizadas.

Caçadores-coletores desempenhavam, em maior grau, as mesmas funções. Homens caçavam, mulheres cozinhavam a caça. Era mais simples, sem dúvida.

Mas não é apropriado, ao menos não é útil, fazer julgamentos morais das mudanças de paradigma humano; ficar saudoso, idealizar o passado... Não dá para virar do avesso a História, mudar a marcha do tempo, voltar a ser caçador-coletor... O que dá pra fazer é lutar por igualdade de direitos, dentro das sociedades que surgiram, das realidades com que lidamos.

Com sociedades sedentárias, alguns foram cuidar da terra; outros foram fabricar instrumentos; outros foram construir canais, planejar as construções, julgar as disputas de terras, organizar os celeiros, fazer os registros de nascimentos, e uma longa lista de etcs.

De repente, uns mandavam muito mais. E tinham muito mais condições de abusar dos poderes.

Em breve teríamos milhões de escravos carregando pedras pra construir os túmulos dos governantes, alçados à condição divina. Poder de vida e de morte sobre os homens.

Mas, aqui e ali, foram surgindo variações deste roteiro. Sociedades organizadas a partir de famílias que cuidavam de suas próprias terras, que lutavam suas próprias guerras, que se juntavam pra construir um barco e fazer suas piratarias ou suas rotas de comércio.

Estes homens podiam chegar a constituir seus reis, podiam também, esporadicamente, sofrer nas mãos de alguns tiranos e imperadores. Mas já não era tão fácil dominá-los, eles iriam opor resistência aos que ameaçassem suas liberdades.

Estou pensando nos judeus, estou pensando nos romanos, estou pensando nos gregos daqueles antigos tempos. Eram as sociedades inclusivas da época. Carregavam viva a chama da liberdade.

Claro, com os olhos de hoje, diríamos que é um contra-senso reconhecer nestes povos respeito à liberdade, quando todos eles mantinham seus escravos.

Mas devemos julgar cada sociedade pelo padrão de seu próprio tempo. É evidente a diferença entre as 12 tribos de Israel, a democracia ateniense, a república romana, e os impérios do Egito, da Pérsia, da Babilônia, da Assíria...

Por gloriosas que fossem as realizações humanas sob tais impérios, não se vai dizer que aqueles povos gozavam de qualquer grau de liberdade e autonomia comparável aos judeus, gregos e romanos. E, coisa incrível, a eficiência destes pequenos povos, para forjar novas ideias, para lutar, para ganhar dinheiro, era tão grande, que conseguiam resistir e, não raro, prevalecer, contra forças muitas vezes maior.

Fruto das instituições inclusivas. Um grego, ao invés de ser obrigado a carregar pedras para o túmulo do Faraó, podia se juntar com alguns amigos e construir um navio, organizar uma expedição.

Podia organizar uma Academia de pensamento.

Tinham também seus governantes, mas entendiam que os governantes tinham de obedecer a certos limites. Não eram seres divinos, com poderes absolutos.

Em Atenas, aliás, todo cidadão tinha direito de propor e votar leis, mas ficava, por um ano, sujeito a processo, multa, prisão, degredo ou morte, o autor de proposição aprovada, se ulteriormente se verificasse contrária às leis da cidade, ou perigosa para a República.

Isto é que é responsabilizar o governante! Se algo do gênero fosse adotado por aqui, seria um absurdo, por certo, mas certamente seríamos poupados de muitas outras leis absurdas...

Quanto aos romanos, o mito fundador de sua República é a derrubada do Rei, Tarquínio, o Soberbo, depois que seu filho violou Lucrécia, esposa de um patrício. Refundaram seu poder político sob o signo da igualdade, em que os direitos de todos deviam ser respeitados por todos. Não mais aturar a soberba e os desmandos de alguém que se coloca acima de seus pares.

Durou até o Império, mas isto já é outra história...

Já para os judeus, o próprio Deus se vinculava em Aliança, a berith, espécie de pacto, ou contrato, em que se prevêem direitos e deveres, como aquela firmada com Abraão (Gn, 17, 1-16). E o próprio Deus poderia ser questionado por Abraão: “Não fará justiça o juiz de toda a terra?” (Gn, 18, 25).

Se o próprio Deus estava obrigado, era limitado nos termos da Aliança, muito mais os monarcas. O Deuteronômio, 17, 14-20, prevê uma “Lei do rei”, para o caso da nação dizer: “gostaria de ter um rei, como o têm todas as nações que me cercam”.

Então, segundo o Deuteronômio, “escolherás um dos teus irmãos para rei”, que deverá seguir as prescrições divinas, “para que se prolonguem os dias de seu reinado, e do reinado de seus filhos no meio de Israel.”

“Assim não se levantará orgulhoso acima de seus irmãos”.

Ainda que autorizada, a instituição de um monarca é vista com reserva no texto bíblico: “Assim fala o Senhor Deus de Israel: 'Eu tirei Israel do Egito e vos libertei da mão dos egípcios e de todos os reinos que vos oprimiam'. E vós rejeitastes hoje a Deus que vos salvou de todas as calamidades e angústias e dissestes: 'Não importa! É um rei que deves estabelecer sobre nós!'” (1 Sm, 10, 18-19).

E, em 1 Sm, 8, 7-22, temos este interessante relato, que mostra com clareza os efeitos de diminuição da liberdade do povo ante o advento da monarquia:

“E disse o Senhor a Samuel: Ouve a voz do povo em tudo quanto te dizem, pois não te têm rejeitado a ti, antes a mim me têm rejeitado, para eu não reinar sobre eles.
Conforme a todas as obras que fizeram desde o dia em que os tirei do Egito até ao dia de hoje, a mim me deixaram, e a outros deuses serviram, assim também fazem a ti.
Agora, pois, ouve à sua voz, porém adverte-os solenemente, e declara-lhes qual será o costume do rei que houver de reinar sobre eles.
E falou Samuel todas as palavras do Senhor ao povo, que lhe pedia um rei.
E disse: Este será o costume do rei que houver de reinar sobre vós; ele tomará os vossos filhos, e os empregará nos seus carros, e como seus cavaleiros, para que corram adiante dos seus carros.
E os porá por chefes de mil, e de cinqüenta; e para que lavrem a sua lavoura, e façam a sua sega, e fabriquem as suas armas de guerra e os petrechos de seus carros.
E tomará as vossas filhas para perfumistas, cozinheiras e padeiras.
E tomará o melhor das vossas terras, e das vossas vinhas, e dos vossos olivais, e os dará aos seus servos.
E as vossas sementes, e as vossas vinhas dizimará, para dar aos seus oficiais, e aos seus servos.
Também os vossos servos, e as vossas servas, e os vossos melhores moços, e os vossos jumentos tomará, e os empregará no seu trabalho.
Dizimará o vosso rebanho, e vós lhe servireis de servos.
Então naquele dia clamareis por causa do vosso rei, que vós houverdes escolhido; mas o Senhor não vos ouvirá naquele dia.
Porém o povo não quis ouvir a voz de Samuel; e disseram: “Não importa! Contanto que haja sobre nós um rei!
E nós também seremos como todas as outras nações; e o nosso rei nos julgará, e sairá adiante de nós, e fará as nossas guerras”.
Ouvindo, pois, Samuel todas as palavras do povo, as repetiu aos ouvidos do Senhor.
Então o Senhor disse a Samuel: “Dá ouvidos à sua voz, e constitui-lhes rei”. Então Samuel disse aos homens de Israel: Volte cada um à sua cidade.”

Vox populi se sobrepondo à própria vox Dei... talvez, para que se possa aprender, deva ser permitido o erro... Advertido o povo foi, de que teria diminuída sua liberdade. Mas, ainda que podendo muito, o rei não podia tudo... o maior deles, Davi, foi assim repreendido pelo profeta Natã:

Por que desprezaste a palavra do Senhor, fazendo o que lhe desagrada? Feriste à espada o hitita Urias para casar com sua mulher. Mataste-o pela espada dos amonitas! Por isso a espada jamais se afastará de tua casa (...)” (2, Sm 12, 9-10)

Bem, comecei com Economia, vim parar na Bíblia... 

Enfim, limites aos governantes, mais igualdade, resultam em melhores resultados econômicos, maior bem estar para a sociedade...

Então, não nos deixemos enganar:

Reforma política já!

Igualdade já!

Um voto de um brasileiro precisa valer o mesmo que outro voto de um brasileiro!

Voto distrital simples já!

Liberdade já!