terça-feira, 30 de julho de 2013

Haja bênção do Santo Papa!




Veio o Papa, foi embora o Papa, e nossa elite dirigente nem com reza forte!

Impressionante o festival de desatinos, parece que providenciados pela Providência, tamanha a recorrência, tamanha a explicitude, que funcionam como símbolos de uma corrupção e uma ineficiência atávicas.

Símbolos, foram muitos os símbolos. Na chegada, o Papa preso num engarrafamento homérico, aquela profusão de ônibus entupindo a avenida, aquele caos no trânsito básico, tão familiar aos cariocas, mas ver Sua Santidade, naquele automovelzinho, com um rio de seguranças atabalhoadamente tentando acompanhar, enquanto a multidão aproveitava para ser abençoada... foi algo...

No dia seguinte, as explicações desencontradas das autoridades, uma empurrando a culpa pra outra... no final, todos se entendem, e ainda bem que Deus é brasileiro! Nada irá estragar o banquete!

Daí, vem a presidenTA, e pra recepcionar o Papa faz um discurso de campanha! Daquele tipo: nestes dez anos de Governo do PT fizemos tantas coisas boas; salvamos este país, coitadinho, entregue aos neoliberais do consenso de Washington! Ou se não salvamos o país, pelo menos garantimos umas boquinhas boas pra companheirada! É quase que a mesma coisa...

Mas o ápice, claro, foi a furada de Guaratiba... palco de 15 metros, 300 árvores cortadas, 4.400 banheiros, 15 postos médicos, milhões de milhões gastos - claro que ninguém está divulgando o custo da grande obra – mas com certeza pagava uns bons passeios de helicóptero pro Governador e sua família, dentre outras das nossas autoridades, e seus amigos/familiares... “todos fazem” - como diz nosso Governadorzinho, menininho apanhado fazendo estripulias... “eu não faço estripulias” - todo menininho que faz estripulias diz isso...

Mas, falava de Guaratiba... moradores fazendo planos, comerciantes comprando mercadorias... e aí, vem umas fortes chuvas (claro, totalmente atípicas pra esta época do ano... verdadeiras tormentas, monções, tornados, ciclones extra-tropicais... verdadeiras tsunâmis, quiçá uma storm...

E o terreno inteiro onde se instalariam 3 milhões de pessoas vira aquele mar de lama básico, tão familiar aos brasileiros...

E daí se recorre ao jeitinho... taca os 3 milhões pra Copacabana, tumultua a vida do bairro, e será que o Governador emitiu outro Decreto-Lei?

E ficou nisso mesmo, 3 milhões de pessoas, de uma hora pra outra, atiradas para um outro bairro, e, claro, com os problemas de logística se acumulando... pane do metrô, passagens de ônibus que não podiam ser usadas, engarrafamentos, e etc. etc. etc.

Claro, quem passeia de helicóptero acima de tudo isso não deve estar se importando... e, como Deus é brasileiro, como existe muito boa vontade, de muita gente (Paz na Terra aos homens de boa vontade), a vinda do Papa escapou de ser um fiasco completo.

Já para nossa elite dirigente, a exibição do fracasso não poderia ser mais completa...

Há quanto tempo estava anunciada a vinda do Papa? Há mais de um ano foi decidido fazer o encontro em Guaratiba. Milhões de milhões foram gastos. Pra resultar que não pôde ser feito o encontro? E quem vai pagar esta conta?

Manda pro contribuinte. O trouxa. O otário. O palhaço.

Houvesse seriedade, cidadania, teríamos a Justiça sendo interpelada, e providenciando o bloqueio das contas dos organizadores.

Ah, contratou as empresas X, Y, Z, para prover a estrutura do encontro? E as referidas empresas não entregaram aquilo que os milhões de milhões haviam comprado?

Pois devolvam. Paguem pelo prejuízo da população, dos comerciantes. Bloqueia a conta do presidente da empresa, dos diretores, dos acionistas. Devolvam aquilo que lucraram. Não deveriam lucrar, não entregaram o combinado. Esqueceram de drenar, não quiseram gastar com a construção de canais, de caneletas? Azar, paguem por isso. Vendam o helicóptero, o jatinho...

Mas, por aqui, isto seria impensável, seria mexer com o amigo... o amigo vizinho de mansão na praia, o amigo que empresta helicóptero, que empresta jatinho, com quem se passeia em Paris, e paga as contas nos melhores restaurantes...

Melhor não mexer com essa gente... e se ela sai colocando a boca no trombone, falando dos senadores que tem no bolso, que custam tantos milhões, e das doações pras campanhas?

Não; deixa o prejuízo pros tontos, eles estão acostumados a pagar, mesmo. Deixa a estrada cair aos pedaços, o estádio ruir, o cano d´água estourar, que tudo vai ficar por isso.

Uma menina de três anos morrerá, mas as elites dirigentes ainda poderão posar de boazinhas, garantindo “aluguéis sociais” pra vítimas que tiveram suas casas derrubadas...

Haja bênção!



sábado, 20 de julho de 2013

Estatuto da Juventude

Os Poderes reunidos em Brasília procuram aplacar os ânimos da insatisfação que ocupa as ruas. Tremores passam pelas espinhas de gente importante, tão acostumada a viajar pra lá e pra cá de jatinho da FAB, de helicóptero, tudo, é claro, sem botar um tostão do próprio bolso.

O que fazer pra não perder nenhum desses privilégios? Assessores são consultados, analistas políticos, palpiteiros, marqueteiros, videntes e pais-de-santos... e a conclusão a que se chega:

“Os protestos de hoje são organizados na internet, nas redes sociais, território majoritariamente jovem. Este é o seu público-alvo.”

“E o que podemos fazer para agradar aos jovens, dar-lhes um afago, um cala-boca?”

“Convoca aí a Manuela d´Ávila. Ela não é a deputada dos jovens? Olha a página dela na internet: “A cara da NOVA política”. Do PCdoB, per supuesto.”

“Mas que ótima ideia! Ela mesmo é bem jovem, vai ficar bem na foto! E ela tem aquele projeto, que tá há dez anos pra ser votado, um tal de Estatuto da Juventude, mais um Estatuto, pra arranjar uns direitinhos diferenciados pr´alguma base de apoio... um Estatuto a mais um a menos, qual é a diferença? Claro, não pega bem pra Princípio de Igualdade, ter um bando de leis prevendo tratamentos diferentes... mas quem está ligando pra Igualdade, não é mesmo?”

E o Estatuto da Juventude é logo aprovado. E a Manuela d´Ávila (diria “bela”, mas acho que ela se sentiria ofendida...) é chamada para dar entrevista. E ela nos explica, didaticamente, que os recursos para subsidiar passagens de ônibus sairão do orçamento do Governo, portanto, não haverá “subsídio cruzado”, ou seja, não haverá um “custo a mais” para o outro passageiro do ônibus. Vejam no vídeo abaixo.

É a ilusão fatal dos comunistas. Acreditam em almoço grátis. Algum Papai Noel que vai bancar os gastos dos filhinhos, mimadinhos. Não, não existe multiplicação de peixes, e de pão, isto é ópio do descerebrado do povo. Mas taí o Papai-Estado, pra pagar helicóptero, pagar jatinho da FAB... e, com o troco, pagar umas passagens de ônibus... muito certo isso. O dinheiro de todos, é o dinheiro de ninguém, é de quem botar a mão primeiro, de quem passar uma lei pra garantir um naco... claro, é mais fácil pra quem está no topo, exercendo um alto cargo...

Comunista? “Claro, companheiro, eu sonho com o dia em que a propriedade será abolida, e todos vão poder viver mansamente, à sombra do Papai-Estado... ninguém terá mais posses que ninguém, será o Paraíso na Terra... até lá, todavia, eu sigo com meu salário e vantagens de deputada... sabe como é... cê vai de busão que eu vou de jatinho...”

Ah, eu acho isso tudo tão lindo... “novilíngua”, “duplo-pensar”, e “todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que os outros”... preciso reler os sempre atuais 1984 e A Revolução dos Bichos, de George Orwell...

É pena que os comunistas não percebam que quanto mais gritam por socorros e favores do Papai-Estado, mais dependentes se tornam. Mais entregam sua Liberdade, e com ela a Igualdade...

Essa Ideologia se encaixa como uma luva nos nossos velhos hábitos patrimonialistas. “Tudo precisa mudar, para que tudo permaneça o mesmo”. Precisava reler também o formidável “Leopardo”, de Lampedusa...

O nome do jogo é: “Comprar apoio com o dinheiro dos trouxas.”

É o que têm feito, com os sindicatos, com a União dos Estudantes, com as ONGs, e com cada entidade de classe, com cada movimento organizado, que recebe alguma verba sem fiscalização, ou ganha de presente alguma lei “sob medida” para favorecer os seus integrantes.

Igualdade? É só uma palavra, na Constituição.

Mas como dói!

Enfim...





sexta-feira, 19 de julho de 2013

Da Janela do Helicóptero

Uma loja de roupas destruída, no Leblon.

Sacrificada, aos interesses dos brutos e covardes, dos que gostam de exercer sua força sobre os mais fracos. E dos que olham calados.

Assim foi na Alemanha nazista. Invadiam lojas, agrediam as vidas de quem buscava trabalhar, de quem criava famílias, de quem queria viver com paz.

As hordas dos agressores, entusiasmadas com a embriaguez da impunidade.

Se realmente vislumbrassem uma prisão, começariam a tremer. Começariam a entregar seus líderes, seus führers.

É uma baixeza de nazistas. Ideólogos, que não gostariam de enxergar as próprias caras num espelho, dizem que é certo roubar, é certo depredar, “daqueles ricos”. Que alguém tem de sofrer (claro, o Outro...) para pagar pelas falhas do sistema. Troque “o rico”, por “o judeu”, e aí está o nazista...

Tão auto-iludidos, que se vêem como heróis, lutando... por Liberdade... por Justiça... por Caridade...

Assassinos, linchadores, ladrões e covardes. Contando com a proteção e o apoio do líder, do bando, pra “arranjar a vida”... ou um empreguinho, ou uma verbinha já servem.

Acreditam que estão se mostrando rebeldes contra o Governo corrupto? Vocês são o Governo corrupto! Vocês querem que tudo mude, para que tudo permaneça o mesmo!

Mostrando a fidelidade canina ao líder...

“Olhe pra mim! Eu não tenho princípios! Eu sigo diretrizes! Eu não tenho consciência! Qual é a palavra de ordem?

Eu posso ser usado e abusado, Grande Líder, goste de mim! Jogue-me um osso...”

Quão baixo pode descer um país?

Polícia que não prende criminosos... Polícia que não consegue impedir crimes, à vista de todos...

Serve pra quê?

Pra baixar a porrada, pra oferecer espetáculos de guerra e de selvageria?

O Governador, voando de helicóptero, mandando a família, o cachorro, pra andar pra lá e pra cá de helicóptero...

Que bela educação pros seus filhos. “Olhem o exemplo de mamãe e papai.”

“Olhem pela janela do helicóptero... aquela loja, sendo queimada... Aqueles infelizes, baderneiros e policiais, se engalfinhando... aquele povo morrendo em acidentes de ônibus, acidentes de trens, acidentes de barcas... Sintam-se acima de tudo isso... Vocês têm segurança, vocês andam de helicóptero, que o papai arranja... papai dá um jeitinho... Sejam felizes, meus filhos...”

Sejam felizes.

P.S. E será que este Governo, que gasta milhões com helicópteros, com jatinhos da FAB, para o lazer e a diversão de nossas autoridades e suas famílias, e cuja Polícia não é capaz sequer de impedir crimes à vista de todos, terá a hombridade de ressarcir a este dono de loja, e às outras vítimas da inépcia administrativa, cidadãos deste Estado falido, indivíduos cujos direitos são pisoteados sem dó ou pudor, os prejuízos sofridos? A sociedade organizada para socorrer os seus membros atingidos em seus direitos, e não para extorqui-los, e depois esquecê-los, entregues à própria sorte, ou azar?

Seria uma grande reviravolta. Duvido muito. 

terça-feira, 16 de julho de 2013

Tempos Perigosos

Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas.
Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela;
E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem.
Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores.
Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos?
Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus.
Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons.
Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo.
Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.

Mateus 7:12-20
Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas.
Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela;
E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem.
Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores.
Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos?
Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus.
Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons.
Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo.
Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.

Mateus 7:12-20
"Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas.
Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela;
E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem.
Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores.
Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos?
Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus.
Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons.
Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo.
Portanto, pelos seus frutos os conhecereis."

Mateus, 7, 12-20



Um modelo se esgota, deixando seus frutos de frustração, de desespero, de infortúnio, para todo um país.

Tão previsível... brasileiro, moderno Sísifo, condenado a transportar a imensa rocha montanha acima... e quando chega no topo, ela rola, e todo o trabalho precisa ser recomeçado...

A propaganda oficial faz parecer que é uma dádiva divina: “Sou brasileiro, e não desisto nunca!”, proclamam atores pagos pra fazer propaganda.

Mas deveríamos desistir, sim, dos caminhos que levam a péssimos resultados. Insistir no erro não é bravura, é estupidez.

Mas o que se há de fazer? A ditadura dos militares enveredou por nacionalismos de bravata, por capitalismo de Estado. Elegeu seus empresários campeões, fez chover dinheiro em obras vistosas e inúteis. Foi uma grande farra, para uns poucos escolhidos, enquanto durou.

E agora vem a nossa ditadura do proletariado, aquela prevista por Marx para quando o partido dos iluminados de esquerda finalmente atingisse o Poder. (algum idiota da objetividade – après Nelson Rodrigues – vai dizer que agora vivemos uma democracia plena. Mas eu vou lembrar uma frase de Juscelino Kubistchek, proferida num discurso há 50 anos: “O silêncio da Oposição é a porta aberta para a ditadura”.

Há 50 anos Kubistchek ouviu (está certo isso?) este silêncio da Oposição... e logo depois veio a ditadura dos militares.

E, agora, mais uma vez, só se ouve a voz do Governo. O Governo do iluminado de índices recordes de aprovação, que pode justificar qualquer escândalo de abuso de poder, de gastos desnecessários, e até de corrupção pura e simples, porque nada “pega”, e a reeleição está no papo, e depois se consegue eleger até um poste (ou uma posTA), e o líder está sempre certo, e os nacos do poder continuarão bem seguros, repartidos com os amigos, enquanto, para os inimigos, restará a dureza da lei...

Oh, quanta ironia da História: os excluídos durante a ditadura militar, agora no Poder, aliados aos mesmos coronéis que davam sustentação àquele regime. Sarney, Maluf, e tantos outros, acostumados a lucrar apoiando os ditadores militares, não viram problema algum em apoiar os novos cabeças do Poder. O importante é que os lucros não cessem!

E, aqueles, denunciadores das políticas dos militares, quando atingem o Poder, o que fazem?

Nacionalismos de bravata, capitalismo de Estado. Elegem seus empresários campeões, fazem chover dinheiro em obras vistosas e inúteis.

Promovem uma grande farra, para uns poucos escolhidos.

Antes, o “milagre econômico”, o ouro de tolo, uma grande euforia... e, enquanto os bobos festejavam, a ditadura aprofundava suas presas e suas garras na nossa pobre Liberdade, com suas leis, e decretos-leis, e atos institucionais, favorecendo o domínio de alguns senhores sobre muitos escravos...

Desaguou em hiper-inflação, em recessão ( o monstro da estagflação), em caos econômico, em empréstimos bilionários feitos pelo Governo terminando em calote, em obras faraônicas abandonadas, desabando, sendo engolidas pelo mato...

Qualquer semelhança, não é mera coincidência...

O Brasil já foi definido por alguém como ciclotímico, bipolar. Antigamente, se dizia maníaco-depressivo.

O Brasil alterna fases de euforia, de gastança, com fases de frustração e décadas perdidas.

Não há meio termo, não há equilíbrio.

Uma fase de anarquia, Governos prepotentes e arrogantes, Governos que podem tudo, demagógicos, alardeando facilidades, apregoando o ouro dos tolos, promovendo “almoços grátis”:

“Atenção, atenção! Somos Gigantes pela própria Natureza! Os bons de bola! Malemolentes! Nosso céu tem mais estrelas, nossos bosques têm mais flores, nossas vidas mais amores! Nossos mares têm mais pré sal! Renda a gente fabrica por decreto! Bons empregos a gente produz com vontade política!”

E metade dos brasileiros continua pisando no esgoto, porque não tem saneamento básico.

E as crianças continuam passando muitos anos na escola (quando têm escola), para ao final mal saber desenhar o próprio nome, e somar 2 mais 3.

E daí a onda quebra, e vem o choque de realidade. O dinheiro dos mais pobres é corroído pela inflação. O emprego fica difícil, principalmente o formal. Vive-se num limbo, à margem de proteção social. Morre-se como moscas, em Hospitais falidos, sem médicos, sem remédios...

Uma elite se protege garantindo para si alguns “trens da alegria”, correção monetária, pensões, gatilhos salariais... Tudo por lei, tudo direito adquirido.

Para a grande massa, é choro e ranger de dentes... o que é que queriam Num Mundo Perfeito, as leis fariam jorrar leite e mel dos rios... mas como não dá pra favorecer a todos, deixa eu garantir o meu. Farinha pouca, meu pirão vem primeiro!

Um clima de insatisfação e de injustiça se instaura. Muito favorável para ver surgir um “Salvador da Pátria”, um Messias profano, um ditador pra restaurar a ordem.

E aí podem vir alguns ajustes dolorosos. E os mais pobres, mais uma vez, são convocados para pagar o grosso da conta.

E quanto da nossa Liberdade será sacrificado, quanto retrocederemos, nas nossas instituições, na nossa cultura?

Imprevisível, é claro, mas, em grandes linhas, estamos aprisionados em certos padrões da nossa História. Repetimos privilégios, favorecimentos, que agridem nossa Igualdade, nosso bem estar, nossa dignidade, nossa Liberdade.

Caímos no conto do vigário. Acreditamos em mágica. Acreditamos em atalhos e caminhos fáceis.

Não existem caminhos fáceis.

Apenas trabalho. Apenas educação. Apenas organização.

Apenas honestidade.

domingo, 7 de julho de 2013

Dinheiro na cueca



 

Um assessor parlamentar do presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves, foi roubado quando carregava uma pasta com 100 mil reais.

Escândalo?

Nem tanto... chegou no máximo à quarta ou quinta página do jornal.

Não houve explicação para o fato de o assessor estar portando uma pasta com 100 mil merrecas. Parece que não é incomum.

Chegou a causar algum espanto quando o assessor do então deputado estadual pelo Ceará, José Nobre Guimarães, irmão de José Genoíno, deputado federal que assumiu o cargo depois de condenado criminalmente pelo Supremo Tribunal Federal, foi flagrado com 100 mil dólares na cueca, em 2005.

Mas qual foi o resultado?

José Nobre se elegeu deputado federal em 2006. Reeleito em 2010. Hoje é o presidente do PT na Câmara.


Dinheiro na cueca é tão definitivo quanto batom na cueca.

E o que o Brasil fez? Cada brasileiro fez?

Aceitou bonitinho, sem tugir nem mugir...

Ou seja, nada de ficar preocupado, Henrique Alves, porque seu assessor carregava 100 miletas. No máximo aborrecido, porque lhe tiraram cenzinho. Mas isto se recupera fácil, o senhor é um homem importante...

Também chamou a atenção um outro assessor do mesmo Henrique Alves. Não, este não foi apanhado carregando altas somas em dinheiro vivo.

Mas foi condenado, pela Lei Maria da Penha, a não se aproximar... DA PRÓPRIA MÃE!

Ele a teria ameaçado, e ficou decidido que não poderia chegar a menos de 200 metros dela. Mas foi acusado de novo, de fazer novas ameaças, dessa vez pelo telefone...

Mas será o Norman Bates?

E, afinal, quantos belos assessores que nossos Parlamentares escolhem, não é mesmo?, cujos salários, é claro, são pagos com o nosso suado dinheirinho...

Será que não conhecem aquele ditado: “Diga-me com quem andas e eu te direi quem és”?

O grito das ruas morreu!


No meio da maior manifestação de descontentamento da História deste país, o presidente da Câmara e o presidente do Senado resolveram afrontar a opinião pública.

Depois de demonstrarem sua covardia, correndo “pra mostrar serviço”, aprovando atabalhoadamente aumentos de despesa (a serem cobertos pelos dignos “contribuintes” - já fez sua declaração pra Receita?), eles agora querem se vingar, com a arma que costumam usar, do deboche.

Henrique Alves, presidente da Câmara, vem ao Rio de Janeiro, no final de semana, final da Copa das Confederações.

A trabalho.

Almoçou, a trabalho, com o prefeito da cidade maravilhosa, Eduardo Paes.

Depois, rumaram para o Maracanã, assistir à final da Copa.

E Henrique Alves veio no jatinho da FAB. Estava trabalhando.

E aproveitou e deu carona pra noiva, pra parentes e amigos.

Depois, disse que cometeu um equívoco.

E se prontificou a pagar 9 mil e poucos, pelo vôo grátis dos caronas.

O Ancelmo Góis diz que um vôo desses sai por no mínimo 70 mil.

E o presidente do Senado, o inesquecível Renan Calheiros, também pegou um jatinho desses, dessa vez pra ir ao casamento da filha de um Senador.

Ainda gritou que tinha DIREITO! Depois, também resolveu ressarcir um dinheirinho...

Agora, pensem bem:

Cada um desses vôos que uma dessas Excelências utiliza custa pelo menos uns 103 salários mínimos - 70.000 divididos por 678.

Daria pra um trabalhador receber por 7,9 anos. Já contando a “bondade” legal de 13º.

7,9 anos de trabalho de um homem... Daria pra tapar uns buracos na sua rua? Daria pra plantar umas árvores no bairro? Daria pra cortar o galho da árvore, que amanhã caiu, causou prejuízo, levou uma vida?

Daria pra cuidar da sua cidade, do seu patrimônio, da sua qualidade de vida?

Pois bem. Serviu pra sua Excelência assistir a um jogo. Ir ao casamento.

Fora os outros casos, PERFEITAMENTE DENTRO DA LEI.

Isso é Brasil. Essa vergonha que nem se esconde.

Essa insensibilidade, esse descompromisso.

Que ninguém pensa muito, pra não sofrer.

Mas que por ninguém pensar se perpetua.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Qualquer semelhança não é mera coincidência

 


Em 1977, em plena ditadura militar, e com o “milagre econômico” fazendo água, o Governo Geisel decide fechar o Congresso temporariamente, e editar um “Pacote” de leis para as eleições legislativas de 1978.

É o chamado Pacote de Abril, uma emenda constitucional e seis decretos-leis, feito na medida para impedir o fiasco do Governo nas eleições: metade das vagas em disputa para o Senado seriam preenchidas por voto indireto do Colégio Eleitoral; também seriam mantidas as eleições indiretas para Governadores, e o mandato presidencial passava de cinco para seis anos.

Mas a pior das medidas, a mais deletéria, e de efeitos mais prolongados (estendem-se até hoje!) foi o aumento da representação dos Estados menos populosos, e mais pobres, mais atrasados, e não por acaso, mais propensos a votar nas indicações do Governo.

Foi a quebra do tradicional Princípio Democrático: “A cada homem um voto”. Naquele momento, e a partir dali, um voto das regiões mais dominadas pelo tradicional coronelismo passava a valer cerca de três votos de regiões mais desenvolvidas, com melhores indicadores sociais.

E estes ovos de serpente deixados pela Ditadura continuam a ser chocados pela nossa Democracia. A justificativa, claro, é a tradicional, do país dos coitadinhos: instituía-se a desigualdade dos votos, para equilibrar a desigualdade de renda. Uma desigualdade serve para reduzir a outra, entende? Claro, claro, sempre com as melhores das intenções...

E, como de hábito, “pelos frutos os conhecereis”. Mais de trinta anos passados, e as regiões atrasadas continuam atrasadas. Mas os políticos destas regiões vão muito bem, obrigado, elegendo-se com uma fração dos votos de seus colegas do Rio de Janeiro e São Paulo, por exemplo. E com bancadas totalmente desproporcionais em relação à população que representam.

Para comparar os extremos: São Paulo, com 42 milhões de habitantes, e Roraima, com 470 mil. A Constituição diz que nenhum Estado pode ter menos de 8 deputados, nem mais de 70. Portanto, na média, um deputado de São Paulo representa 600.000 brasileiros, enquanto outro de Roraima representa 58.750. No caso, a diferença é de um para mais de 10!

Não admira que Estados produtores levem surras na guerra por royalties; e que existam distorções grotescas na distribuição de recursos entre os entes federativos.

Não admira que estes recursos acabem no bolso destes políticos cujo Poder no Congresso é muitas vezes maior do que a quantidade de votos que representa.

O Brasil continua refém dos seus coronéis. Dos seus donatários de Capitanias Hereditárias.

E agora vem o nosso Governo “popular”, Governo dos “inimigos da ditadura”, no momento em que faz água a “nova matriz macroeconômica”, e o povo insatisfeito nas ruas ameaça o projeto de perpetuação no Poder, propor um novo “Pacote de Abril” para alterar as regras eleitorais, defendendo voto em lista fechada e financiamento público de campanha, reforma na medida para o Governo e a base aliada... mas dessa vez, através de plebiscito, buscando a chancela do povo.

Dá pra acreditar?

Pobre do povo, convocado para entregar os resquícios de sua liberdade, e ainda ter de fazê-lo sorrindo...

Por isso:

Reforma política já!

Voto distrital já!

A cada brasileiro um voto!

Igualdade já!

Liberdade já!

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Entre o Céu e o Inferno


Chegou o momento da decisão, nossa Grande Encruzilhada! Queremos ser um povo livre, responsável pelo próprio destino? Ou vamos seguir divididos, massas inermes de escravos, satisfeitos se conseguimos o pão e o circo, e do outro lado nossos senhores, entupidos de privilégios, deformados pela impunidade, tratando apenas dos seus próprios interesses?

De um lado, democracia verdadeira, a cada homem um voto, representantes vinculados, prestando contas aos representados.

Do outro lado, o escancaramento da farsa, caciques arrogantes mandando e desmandando, mistificando os trouxas com “bondades” que os próprios trouxas financiam, migalhas que não matam a fome, mas que criam dependência, enquanto eles próprios, e seus apaniguados, garantem, POR LEI, E POR DIREITO ADQUIRIDO, privilégios com que a plebe ignara sequer ousa sonhar.

Reclamam que o povo nas ruas não pede reforma política, e sim mais saúde, melhores escolas, segurança e o fim da corrupção.

Não percebem que está tudo relacionado, que foi o imenso descolamento entre representantes e representados que proporcionou esta liberdade para que a casta dos senhores virasse as costas aos nossos anseios, desprezasse olimpicamente nossos direitos, e se entregasse com gosto a uma vida de luxo e de corrupção, apartada da dureza da vida de quem é obrigado a financiar essa festa.

Hospitais bons, esquemas de segurança, mobilidade urbana, através de helicóptero? Isso é para poucos, para os que estão no Poder, e para os que gravitam ao redor destes.

Escolas ruins? Mandem o filho pra estudar lá fora! Aumentos salariais, aposentadorias polpudas? Dá-se um jeito, prepara-se uma lei, uma resolução, arruma-se alguma indenização retroativa. Os Tribunais aceitam, eles fazem também.

Arruma-se um esquema. O empresário empresta o jatinho. O filho dele ganha um cargo de confiança. Abre-se uma ONG, recebe-se uma verba. Ninguém presta contas. O escândalo de hoje abafa o escândalo de ontem. E tudo é legal, e tem o beneplácito da jurisprudência.

Dá-se um jeito. É o país do jeitinho. Pelo menos para os que esperam tirar uma casquinha (ou um cascão) do Poder. Para os que esperam contar com os privilégios de pertencer à casta dos senhores, ou de ser um dos protegidos.

Para os que não têm as costas quentes não tem jeitinho, não. Podem trabalhar 12 horas do dia por um salário de fome. Sim, a lei diz que no máximo são 8 horas, mas e quem não consegue um emprego formal?

Podem passar 5 horas do dia espremidos num ônibus, presos em engarrafamentos.

Podem morrer em estradas da morte, estradas esburacadas, pessimamente sinalizadas, enquanto o dinheiro da reforma foi parar no bolso de algum partido, e de algum político.

Podem morrer queimados por bandidos; podem morrer em prisões super-lotadas.

Podem morrer no chão de algum hospital que não tem leito.

Podem aprender que 2+2 = 5. Podem aprender a falar presidenTA. Podem aprender que podem ficar sem aulas, sem professor, e que fica tudo por isso mesmo. E daí, sem saber ler nem escrever, vão ter uma aula de filosofia onde terão de dissertar sobre a transvaloração dos valores em Nietzsche.

Dignidade, Liberdade. Ou é para todos, ou é pra ninguém.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Jogo de Espelhos Revisited

A Economia vai rateando, o estoque de “mágicas” (ilusionismo) do Governo se esgota, a insatisfação está aumentando.

Contas públicas maquiadas; bilhões, gastos por fora do Orçamento, através das transferências da União para seus bancos, CEF, BB, BNDES. Juros empurrados pra baixo por força de cara feia da PresidenTA. Inflação estourando a meta.

O povo sente que, depois de tantos sacrifícios, depois de ajustes dolorosos, pode ser feito de trouxa de novo, amargar outra hiper-inflação galopante, outra deterioração do cenário econômico... PIBinho, perda de empregos, achatamento de renda...

As empresas de Eike Batista fazendo água são um bom símbolo da falência deste modelo. O encerramento de um ciclo. Surgiram como promessas e bravatas, muito som e muita fúria... igualzinho ao parceiro Lula... mas vendiam vento, e vendiam palavras, e agora a ilusão se desfez, e estão nus ao relento... significavam nada.

Capitalismo de Estado, receita de Mussolini, receita de Hitler, receita de nossa ditadura militar, do nosso Estado Novo... quem diria que andavas tão próximo dos nossos socialistas? Bem que dizem, o socialismo é o neo-patrimonialismo... tanto se odeiam, tanto se acusam, mas como se entendem bem... basta que um atinja o poder, para que o outro perceba sua alma-gêmea... têm tanto a ganhar, juntando os trapinhos... as duas faces da mesma moeda.

Dinheiro pros afilhados, ou dinheiro pros companheiros, qual a diferença?

Marco Maia, presidente da Câmara, José Sarney, presidente do Senado...

E qual a diferença? 

 

terça-feira, 2 de julho de 2013

Da série: As Fábulas de Esopo - Zeus e a Serpente

 

 

Zeus realizou bodas de casamento e todos os animais levaram presentes, cada um segundo a sua capacidade.

Uma serpente rastejando recolheu uma rosa em sua boca e subiu até ele.

Eis que Zeus disse:

- De todos os animais eu recebo os presentes, mas da sua boca nada aceito.

O mito mostra que: Dos maus até as graças são terríveis.

O plebiscito do PT

 Ficheiro:Beware of Greeks bearing gifts.jpg


"Cuidado com os gregos, e os seus presentes!" - Laocoonte, sacerdote de Tróia

Nossa presidenTA e seu partido, o PT, querem recolher os limões que lhes foram atirados e preparar uma limonada docinha...

Plebiscito para reforma política? Que tremendo ovo de serpente!

Identificaram o óbvio: que o povo não aguenta mais tanta falta de representatividade. Tanta democracia de mentirinha. E querem se aproveitar da pressão do movimento popular pra passar uma reforma que consegue o feito de piorar o que já é horroroso!

O PT já havia apresentado proposta, através de seu deputado Henrique Fontana, de lista fechada e financiamento público da campanha. Esta proposta havia sido rejeitada pelo Congresso (quem disse que ele não serve pra nada?).

Mas o PT acata e respeita a decisão da maioria no Congresso DESDE QUE corresponda aos seus interesses... e está vendo na crise atual uma oportunidade de ouro para manobrar a insatisfação popular para favorecer os seus projetos de perpetuação no poder...

Querem enganar o povo, usar o poder do povo para acabar com o poder do povo, acabar com a pouca democracia que temos...

Não seria a primeira vez na História do Mundo. As massas são movidas pela paixão, e pequenos grupos de manobra, com objetivos bem definidos, e um repertório de frases-feitas, símbolos bem escolhidos, palavras de ordem, conduzem as multidões na direção escolhida, ou seja: o poder nas mãos dos grupinhos, a liberdade suprimida.

Pois é esse o plano petista: não conseguiu a reforma política que melhor atende aos interesses do partido no Congresso? Manobre as massas para consegui-la.

Foi esta a conclusão do 3º Congresso do PT, em (notem bem o ano) 2007: “A reforma política não pode ser um debate restrito ao Congresso Nacional, que já demonstrou ser incapaz de aprovar medidas que prejudiquem os interesses estabelecidos de seus integrantes” (ainda mais quando estes integrantes forem petistas)

E:

A reforma política deve assumir um estatuto de movimento e luta social, ganhando as ruas com um sentido de conquista e ampliação de direitos políticos e democráticos”.

O pulo do gato, aqui, é: de qual reforma política nós estamos falando? Para o PT, no mesmo documento, o voto distrital, e o voto facultativo, têm sentido “claramente conservador”, xingamento supremo da novilíngua progressista.

Segue o relatório:

A implantação, no Brasil, do financiamento público exclusivo de campanhas, combinado com o voto em listas preordenadas, permitirá contemplar a representação de gênero, raça e etnia.”

Olhem aí a famigerada fórmula: “contemplar a representação de gênero, raça (existe isso?) e etnia”... é importante cabalar os votos das minorias, bajulando-as... aliás, nem são minorias: mulheres, negros, índios, sei lá mais quem? Folgada maioria... minoria, que muito apanha, é de quem ergue a voz por igualdade num país onde todo mundo quer garantir algum privilégio pra sua panelinha...

Aqui, vale o seguinte:

Os poderosos, os políticos, não têm um monte de privilégios? Eu também quero o meu! Claro que não vai ser, nem de longe, tão grande quanto o dos políticos... mas pelo menos eu tiro onda com o meu vizinho!”

E a pobre da Igualdade, e a pobre da Liberdade, vão embora pelo ralo...

Para estes grupos de manobra, estimular esta corrida por privilégios tem um claro sentido estratégico: conquistar apoios para seus projetos de perpetuação no poder. Dividir para dominar.

E aí vem um plebiscito apressado, em que a máquina governamental, e a máquina partidária, e a militância teleguiada, e os slogans, e a propaganda, vão apregoar voto em lista fechada, financiamento público de campanha, e cuidado com o voto distrital, com o voto facultativo, que são racistas, sexistas, e vão acabar com o Bolsa Família!, e pronto!

Teremos nossa Revolução DO POVO, e o partido DO POVO vai poder ficar no Poder pelos próximos mil anos.





Laocoonte e seus filhos, atacados pela serpente marinha. Leviatã?

P.S. Sobre o voto em lista fechada, publiquei em 2009 o seguinte artigo: 

segunda-feira, 1 de julho de 2013

O Maraca é nosso?



Uma nota no Ancelmo Gois me chamou a atenção: um gringo queria 5 lugares de camarote para ver a final da Copa das Confederações, e recebeu de um cambista a oferta de arranjar os ingressos por módicos 60 mil reais.

Não sei qual é o preço oficial. Mas sei que é muito hipócrita e ridículo um ingresso custar 10 (na lei, mas não na realidade), e ser comprado por 1000 (fora da lei, mas é o que vale).

Gastaram 1 BILHÃO e 200 MILHÕES pra reformar o Maraca. Diminuiu, e muito, a capacidade de público. E, depois da reforma feita e da conta paga, caiu no colo de um consórcio formado por Odebrecht e Eike a administração dos lucros.

Aí, vem o tabelamento de preços. E o discurso pra justificá-lo: “Porque o Maraca é... DO POVO!!!” (Enchem a boca pra falar, e até disfarçam uma furtiva lágrima...) “E, POR LEI, o ingresso só pode custar 10 real!!!!” (Gritos, aplausos, multidões enlouquecidas).

Mas, aí, sabe como é, na REAL? Passa milzinho, ou fica de fora!

Melhor seria, mais transparente e lógico, fazer um leilão de ingressos. Todos ficam sabendo dos lances, leva quem der o maior. Tudo público, tudo pela internet, tudo moderno. E, aí, quem administra poderia ressarcir o Poder Público do Bilhãozinho e 200 investidos, com todo o zelo, com toda a transparência, com toda a presteza exigidas por quem trata de dinheiro público... kkkkkkkk, desculpem, não consegui segurar o riso...

Voltando. Claro que a mera ideia de fazer um leilão enfureceria nossos intelectuais: “O quê? Maior lance? Isto é coisa neo-liberal! São Marx jamais aprovaria! Tem de ter LEI, tem de ter TABELAMENTO! O Maraca é... DO POVO!!!”

E ficamos neste melhor dos mundos (pra quem?): OFICIALMENTE, NA LEI, foram vendidos 100 mil ingressos, a 10 cada.

Já na realidade, essa desimportante, cada um custou milzinho... mas fala baixo, porque é por debaixo dos panos...

Podem ficar tranquilos, nossos Governadores, Ministros, Juízes, e outras Autoridades, bem como suas famílias... as cotas de ingressos DE CORTESIA, estão garantidas...

O Maraca é nosso!

Tem de pagar o preço, pra viver em ilusão...