quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Briga de Torcida



Quem está acompanhando os jornais, viu que no estádio (perdão, na Arena) Mané Garrincha, em Brasília, nossa capital federal, um bilhão e tanto gastos para ser reformado para a Copa, em padrão-Fifa, aconteceu uma briga na arquibancada, com direito a enfrentamento com a polícia, no último jogo Vasco e Corinthians.

Aliás, no mesmo estádio, no último jogo São Paulo e Flamengo, um torcedor do Flamengo foi espancado quase até a morte pelos membros de uma torcida organizada do São Paulo, fato amplamente documentado através de filmagens com celular. Os poucos que foram presos por tal ato já foram todos liberados.

Retornando ao assunto. Na briga da torcida organizada do Corinthians com a polícia se destacou um certo Raimundo Faustino, vulgo Capá, vereador e presidente do diretório municipal do PT de Francisco Morato – SP.

Agora, vejam a foto, que vale mais do que mil palavras:



Raimundo Faustino, o Capá (sem camisa), leva cacetada de policial durante confusão no jogo Corinthians e Vasco em Brasília
Foto: Jorge William / O Globo




Capá é o tatuado, correndo da polícia.

Agora, vejam Capá nesta foto:



 E nesta outra, abraçado com el jefe:




Fiquei sem palavras...

Diplomacia e Direitos Humanos

O país soube assombrado que um asilado político na embaixada do Brasil na Bolívia permaneceu por 455 dias trancado numa sala, só podendo receber a visita de três pessoas, enquanto nossa Diplomacia (cheia de escritórios pelo mundo afora, gastando rios de dinheiro...) permanecia em infindáveis discussões com o governo boliviano, que descumpria o Direito Internacional e negava a saída do asilado daquele país.

Esta notícia veio junto com a notícia de que 4.000 médicos cubanos virão trabalhar no Brasil. Mas, em regime de semi-escravidão. O Advogado Geral da União (ninguém menos...) proclama que, caso algum dos médicos peça asilo ao Brasil, será encaminhado de volta à ilha-prisão. Precedente já houve, neste governo petista (mais precisamente, na Era Lula... mais precisamente ainda, sendo ministro da Justiça (ninguém menos...) Tarso Genro, hoje governador do Rio Grande do Sul. Bela carreira, tem o menino... deve se orgulhar bastante...

Ficamos sabendo que os médicos cubanos vão ter o salário repassado a uma certa organização, que vai repassar o dinheiro ao governo cubano, que por sua vez vai repassar aos médicos uma fração do total...

E tudo isto passa, tudo isto está aí, à mostra, e ninguém fala nisso... não causa escândalo, indignação... é tudo O Normal...

Estamos à mercê do monstro. Nosso Estado aceita que tudo pode ser feito contra algum pobre cidadão, que ousou incomodar o jogo... taquem-lhe multas, taquem-lhe cassetetes, gás lacrimogêneo, coquetel molotov... taquem-lhe processos judiciais, confisquem-lhe a renda, confisquem-lhe o patrimônio... Vamos queimar sua loja, vamos te entregar pra polícia... é, malandro, sua casa caiu... sabe quem é o Capitão Nascimento? As platéias aplaudiram no cinema... saco de plástico na cabeça, tiro de fuzil, é a polícia que dá sumiço.

E tá tudo valendo, porque o Estado pode fazer o que quiser com quem for inconveniente. Direitos humanos, blá, blá, blá, matam sem dó.

E o cidadão não tem o direito de viver em liberdade, ou com dignidade.

Está condenado a viver sem poder dizer: “Eu tenho meu direito. Eu tenho minha liberdade.”

“Isto, eu não aceito que o Estado, que suas tropas armadas, suas forças de segurança, faça com ninguém.

Se ele é um ladrão, um assassino, prenda-o, e que seja julgado e cumpra pena.

Mas eu não te autorizei a matar, eu não te autorizei a torturar, eu não te autorizei a executar.

Eu exijo que a sua ação tenha um limite, o limite das leis que nosso povo escolheu, e que devem ser respeitadas.

Quem é você, para pleitear viver fora das leis do país? Com que autoridade pretende um salvo-conduto para torturar e matar?

Para decidir quem deve morrer, como se para você não existisse a lei.

Você quer ser algo de especial, maior do que o outro, que precisa cumprir a lei, e precisa cumprir muitas leis, neste Estado corruptíssimo.

E ainda precisará aguentar o ato abusivo, ilegal, de quem deveria ser a primeira garantia da lei, a autoridade a quem se paga o salário.

Que Estado é este, que Polícia é esta, que pacto social é este?

E o que se pode fazer para mudá-lo?”

Um novo pacto social



Pelo mundo, a Liberdade sofre ataques contínuos, vindos de todos os lados, e muito poucos se apresentam para defendê-la.

Tão pouco cavalheiresco, este triste mundo... tão pouco honrado, tão pouco digno...

É triste perder as esperanças, mas olhe para o lado, e veja o que está acontecendo.

Pelo mundo, Estados pisoteiam cidadãos, Partidos e homens se engrandecem de Salvador da Humanidade, inebriam-se com o Poder, com os milhões de dólares que giram, com o medo de ser passado para trás, com o medo de perder.

E todos perdem. Um mundo que deixa para trás sua dignidade, sua liberdade, como se fosse um peso muito difícil de carregar... que aceita indiferente enquanto as maiores injustiças são feitas.

É um mundo que já perdeu sua Liberdade.

Agora, é ganhar dinheiro, botar alguma coisa no lugar...

Mas não tem nada que sirva.

“Que vale ao homem, ganhar o mundo, perder a alma?”

Um novo pacto é preciso.

Um novo pacto, porque o velho está morto. Já nasceu morto.

O pacto de aceitar que tirem hoje, uma rosa do jardim do vizinho?

Este pacto traz o amanhã de ser a sua casa que invadem, e que lhe tirem o seu filho.

Este pacto já mostrou ao que veio, em cada país que sofreu sob algum tirano enlouquecido, trazendo o inferno para a vida de algum povo.

Este pacto é aquele que levou Nero a atear fogo em Roma, tocando sua harpa de uma sacada...

Este pacto é aquele da massa hipnotizada por aquela cascavel arrogante, Hitler, um estúpido se achando a coisa mais linda desse mundo, tamanho foi o poder que sentiu dentro de si... comendo-lhe a alma, enquanto desfrutava de uma bela vista de uma montanha dos Alpes, vivendo num castelo... com bases no sangue de milhões de cadáveres, com polícias secretas invadindo as casas, com crianças sendo separadas de suas mães, para horríveis destinos...

Este pacto é aquele de qualquer criminoso, ordenando invasões de residências e fuzilamentos em massa... e que, quando atingem um certo poder, logo contam com o endeusamento entusiasmado de acólitos prontos para servir seus senhores.

Mas agora podemos sentir que estão todos conformados, aceitando o mundo como isso mesmo...

E que só lhe interessa um pouquinho de segurança...

Pois é justamente isto o que não podem ter. E nem nós, e nem nossos filhos, cada vez mais submetidos a tiranos e tiranetes, sem que lhes armem uma guerra, sem que lhes cobrem pelo novo pacto.

Os tiranos e tiranetes estão confortáveis como nunca, abusando cada vez mais do poder, avançando cada vez mais, enquanto não encontram resistência...

Hoje, é uma rosa... amanhã, é um tapa... depois de amanhã, quem sabe?... podem entrar na sua casa, levar o seu pai, ou levar o seu filho, e sumirem com ele...

Como assim, e não acontece nada?

Nada. Arrumam-se desculpas, muito palavrório. E fica tudo por isso mesmo.

“Era da outra classe”. “Ainda bem que não foi comigo”.

Mas foi com você. Foi com cada um de nós. Foi com a sociedade em que nós vivemos. Foi com um próximo com quem temos responsabilidade.

Ou não temos? Ou não devemos ter?

E a responsabilidade exige que não aceitemos este pacto. Este pacto de morte.

A responsabilidade exige um novo pacto social, em que o poder esteja dividido, em que o bem estar esteja dividido.

A responsabilidade exige que não compactuemos com os criminosos.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Por que as nações fracassam




Do formidável livro “Por que as nações fracassam”, de Daron Acemoglu e James Robinson:

“ (…) O Egito é pobre exatamente por vir sendo governado por uma pequena elite que organizou a sociedade em função de seus próprios interesses, em detrimento da massa da população. O poder político, estritamente concentrado, vem sendo usado para gerar riquezas para aqueles que já a detêm (…)

Países como o Reino Unido e os Estados Unidos enriqueceram porque seus cidadãos derrubaram as elites que controlavam o poder e criaram uma sociedade em que os direitos políticos eram distribuídos de maneira muito mais ampla, na qual o governo era responsável e tinha de responder aos cidadãos e onde a grande massa da população tinha condições de tirar vantagem das oportunidades econômicas.”

A tese do livro: sociedades dividem-se entre aquelas com instituições inclusivas, que garantem direitos políticos e econômicos (ambos são indissoluvelmente ligados), e sociedades extrativas, em que uma elite concentra poderes, traduzidos em leis (direitos), políticos e econômicos, vivendo da exploração da maioria destituída de tais poderes.

Os homens, em cada tipo de sociedade, respondem aos incentivos institucionais. Não são as diferenças de culturas, religiões, circunstâncias geográficas..., que são decisivas para definir o crescimento ou a estagnação econômica. Mas o fato de as instituições dentro de cada sociedade garantirem um maior ou menor nível de igualdade de direitos entre a população.

Sociedades em que a população está garantida em sua liberdade, em sua segurança, em sua propriedade, têm incentivos para fazer esforços, inclusive esforços criativos, inovadores, e para fazer investimentos, de tempo, dinheiro, trabalho, em prol de um progresso pessoal, mas que debordará em benefícios para toda a sociedade.

São estas as sociedades inclusivas.

As outras sociedades, extrativas, formam a grande maioria das experiências históricas. A partir do momento em que existe uma organização social, um poder de dar ordens e ser obedecido, o estabelecimento de leis e polícias e exércitos, a elite que comanda estes poderes tende a configurar os subordinados de forma a explorá-los.

“Se eu posso mandar em você, parece uma boa ideia obrigá-lo a trabalhar para mim.” - não é difícil entender o porquê de, historicamente, as sociedades se constituírem, predominantemente, para a exploração do homem pelo homem. Homem lobo do homem.

Saiu do nível “caçador-coletor”, em que é mais difícil gerar elites muito diferenciadas, aumenta a exploração. Sociedades sedentárias são mais divididas, portanto, mais desiguais, mais hierarquizadas.

Caçadores-coletores desempenhavam, em maior grau, as mesmas funções. Homens caçavam, mulheres cozinhavam a caça. Era mais simples, sem dúvida.

Mas não é apropriado, ao menos não é útil, fazer julgamentos morais das mudanças de paradigma humano; ficar saudoso, idealizar o passado... Não dá para virar do avesso a História, mudar a marcha do tempo, voltar a ser caçador-coletor... O que dá pra fazer é lutar por igualdade de direitos, dentro das sociedades que surgiram, das realidades com que lidamos.

Com sociedades sedentárias, alguns foram cuidar da terra; outros foram fabricar instrumentos; outros foram construir canais, planejar as construções, julgar as disputas de terras, organizar os celeiros, fazer os registros de nascimentos, e uma longa lista de etcs.

De repente, uns mandavam muito mais. E tinham muito mais condições de abusar dos poderes.

Em breve teríamos milhões de escravos carregando pedras pra construir os túmulos dos governantes, alçados à condição divina. Poder de vida e de morte sobre os homens.

Mas, aqui e ali, foram surgindo variações deste roteiro. Sociedades organizadas a partir de famílias que cuidavam de suas próprias terras, que lutavam suas próprias guerras, que se juntavam pra construir um barco e fazer suas piratarias ou suas rotas de comércio.

Estes homens podiam chegar a constituir seus reis, podiam também, esporadicamente, sofrer nas mãos de alguns tiranos e imperadores. Mas já não era tão fácil dominá-los, eles iriam opor resistência aos que ameaçassem suas liberdades.

Estou pensando nos judeus, estou pensando nos romanos, estou pensando nos gregos daqueles antigos tempos. Eram as sociedades inclusivas da época. Carregavam viva a chama da liberdade.

Claro, com os olhos de hoje, diríamos que é um contra-senso reconhecer nestes povos respeito à liberdade, quando todos eles mantinham seus escravos.

Mas devemos julgar cada sociedade pelo padrão de seu próprio tempo. É evidente a diferença entre as 12 tribos de Israel, a democracia ateniense, a república romana, e os impérios do Egito, da Pérsia, da Babilônia, da Assíria...

Por gloriosas que fossem as realizações humanas sob tais impérios, não se vai dizer que aqueles povos gozavam de qualquer grau de liberdade e autonomia comparável aos judeus, gregos e romanos. E, coisa incrível, a eficiência destes pequenos povos, para forjar novas ideias, para lutar, para ganhar dinheiro, era tão grande, que conseguiam resistir e, não raro, prevalecer, contra forças muitas vezes maior.

Fruto das instituições inclusivas. Um grego, ao invés de ser obrigado a carregar pedras para o túmulo do Faraó, podia se juntar com alguns amigos e construir um navio, organizar uma expedição.

Podia organizar uma Academia de pensamento.

Tinham também seus governantes, mas entendiam que os governantes tinham de obedecer a certos limites. Não eram seres divinos, com poderes absolutos.

Em Atenas, aliás, todo cidadão tinha direito de propor e votar leis, mas ficava, por um ano, sujeito a processo, multa, prisão, degredo ou morte, o autor de proposição aprovada, se ulteriormente se verificasse contrária às leis da cidade, ou perigosa para a República.

Isto é que é responsabilizar o governante! Se algo do gênero fosse adotado por aqui, seria um absurdo, por certo, mas certamente seríamos poupados de muitas outras leis absurdas...

Quanto aos romanos, o mito fundador de sua República é a derrubada do Rei, Tarquínio, o Soberbo, depois que seu filho violou Lucrécia, esposa de um patrício. Refundaram seu poder político sob o signo da igualdade, em que os direitos de todos deviam ser respeitados por todos. Não mais aturar a soberba e os desmandos de alguém que se coloca acima de seus pares.

Durou até o Império, mas isto já é outra história...

Já para os judeus, o próprio Deus se vinculava em Aliança, a berith, espécie de pacto, ou contrato, em que se prevêem direitos e deveres, como aquela firmada com Abraão (Gn, 17, 1-16). E o próprio Deus poderia ser questionado por Abraão: “Não fará justiça o juiz de toda a terra?” (Gn, 18, 25).

Se o próprio Deus estava obrigado, era limitado nos termos da Aliança, muito mais os monarcas. O Deuteronômio, 17, 14-20, prevê uma “Lei do rei”, para o caso da nação dizer: “gostaria de ter um rei, como o têm todas as nações que me cercam”.

Então, segundo o Deuteronômio, “escolherás um dos teus irmãos para rei”, que deverá seguir as prescrições divinas, “para que se prolonguem os dias de seu reinado, e do reinado de seus filhos no meio de Israel.”

“Assim não se levantará orgulhoso acima de seus irmãos”.

Ainda que autorizada, a instituição de um monarca é vista com reserva no texto bíblico: “Assim fala o Senhor Deus de Israel: 'Eu tirei Israel do Egito e vos libertei da mão dos egípcios e de todos os reinos que vos oprimiam'. E vós rejeitastes hoje a Deus que vos salvou de todas as calamidades e angústias e dissestes: 'Não importa! É um rei que deves estabelecer sobre nós!'” (1 Sm, 10, 18-19).

E, em 1 Sm, 8, 7-22, temos este interessante relato, que mostra com clareza os efeitos de diminuição da liberdade do povo ante o advento da monarquia:

“E disse o Senhor a Samuel: Ouve a voz do povo em tudo quanto te dizem, pois não te têm rejeitado a ti, antes a mim me têm rejeitado, para eu não reinar sobre eles.
Conforme a todas as obras que fizeram desde o dia em que os tirei do Egito até ao dia de hoje, a mim me deixaram, e a outros deuses serviram, assim também fazem a ti.
Agora, pois, ouve à sua voz, porém adverte-os solenemente, e declara-lhes qual será o costume do rei que houver de reinar sobre eles.
E falou Samuel todas as palavras do Senhor ao povo, que lhe pedia um rei.
E disse: Este será o costume do rei que houver de reinar sobre vós; ele tomará os vossos filhos, e os empregará nos seus carros, e como seus cavaleiros, para que corram adiante dos seus carros.
E os porá por chefes de mil, e de cinqüenta; e para que lavrem a sua lavoura, e façam a sua sega, e fabriquem as suas armas de guerra e os petrechos de seus carros.
E tomará as vossas filhas para perfumistas, cozinheiras e padeiras.
E tomará o melhor das vossas terras, e das vossas vinhas, e dos vossos olivais, e os dará aos seus servos.
E as vossas sementes, e as vossas vinhas dizimará, para dar aos seus oficiais, e aos seus servos.
Também os vossos servos, e as vossas servas, e os vossos melhores moços, e os vossos jumentos tomará, e os empregará no seu trabalho.
Dizimará o vosso rebanho, e vós lhe servireis de servos.
Então naquele dia clamareis por causa do vosso rei, que vós houverdes escolhido; mas o Senhor não vos ouvirá naquele dia.
Porém o povo não quis ouvir a voz de Samuel; e disseram: “Não importa! Contanto que haja sobre nós um rei!
E nós também seremos como todas as outras nações; e o nosso rei nos julgará, e sairá adiante de nós, e fará as nossas guerras”.
Ouvindo, pois, Samuel todas as palavras do povo, as repetiu aos ouvidos do Senhor.
Então o Senhor disse a Samuel: “Dá ouvidos à sua voz, e constitui-lhes rei”. Então Samuel disse aos homens de Israel: Volte cada um à sua cidade.”

Vox populi se sobrepondo à própria vox Dei... talvez, para que se possa aprender, deva ser permitido o erro... Advertido o povo foi, de que teria diminuída sua liberdade. Mas, ainda que podendo muito, o rei não podia tudo... o maior deles, Davi, foi assim repreendido pelo profeta Natã:

Por que desprezaste a palavra do Senhor, fazendo o que lhe desagrada? Feriste à espada o hitita Urias para casar com sua mulher. Mataste-o pela espada dos amonitas! Por isso a espada jamais se afastará de tua casa (...)” (2, Sm 12, 9-10)

Bem, comecei com Economia, vim parar na Bíblia... 

Enfim, limites aos governantes, mais igualdade, resultam em melhores resultados econômicos, maior bem estar para a sociedade...

Então, não nos deixemos enganar:

Reforma política já!

Igualdade já!

Um voto de um brasileiro precisa valer o mesmo que outro voto de um brasileiro!

Voto distrital simples já!

Liberdade já!


domingo, 4 de agosto de 2013

O que fazer?

A pergunta é: “O que fazer?”

mesmo o mais louco revolucionário podia fazer a pergunta certa.

Por não ter a resposta certa, fez mais do mesmo.

Talvez com ferocidade redobrada, mas fez mais do mesmo.

Quem lê, volta e meia se depara com algum fato insólito da União Soviética, aquele Paraíso Reencontrado na Terra.

Haja fé!

Por exemplo, lendo o formidável livro “Por que as nações fracassam”, notei dados interessantes sobre a criminalização de faltas de trabalho na União Soviética.

Números impressionantes.

Saiam da sala se tiverem o coração fraco.

250 mil fuzilados por faltas no trabalho.

Alguns milhões presos, exilados na Sibéria (o Paraíso do Paraíso).

Ler “Um dia na vida de Ivan Denissovich” é tão libertador, tão instrutivo...

Não o leiam, vocês que o tacham de “direitista”, proibido.

Vocês que têm o Índex do pensamento.

Vocês que só podem ler os livros recomendados pelo partido.

Vocês que preferem uma vida sem questionamento.

Vocês que acham que o preço a pagar por isso é bem pouquinho.

Nada como ter uma boa vida, não é mesmo?

Passar bem, e apagar no coração a chama do inconformismo.

Acatar a injustiça.

Abaixar a cabeça pro poder.

Aceitar 3 dinheiros pra trair o que se é.

Como disse Henry Thoureau, em algumas épocas o único lugar de um homem decente é a cadeia.

E em algumas épocas, é uma fogueira, ou uma forca.

Ou uma Cruz.

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Levantada, sempre, no peito de um irmão.

Na alma de alguém que poderia ser seu amigo.

Perdoai-nos, Pai. Perdoai-nos.

All along the watchtower n. 1

“Uma vida sem reflexão não é digna de ser vivida.”
- Sócrates


Gostaria de dizer algumas palavras.

Como as escrevo não vou me impor ao seu ouvido.

Quero expressar meu pensamento.

Uma liberdade.

Um direito.

Uma justiça.

Isso é o que peço pra você.

Não a queiram roubar de mim, não se queiram desculpar quando a roubam.

Sabemos dos povos mortos.

Dos homens mortos.

Dos povos prisioneiros do medo.

Dos homens mortos por dizer uma palavra.

Dos mortos pela sua intolerância.

Não se deixem esquecer.

Das suas pilhas de mortos.

Das suas pilhas de mortos.

Por não saber conviver.

Por não saber o que é o respeito.

Aprender.

Este é o chamado que pra sempre nos chama.

Almejar segurança


Por que não se dar ao respeito?

Por que aceitar que se use o território nacional, e, sem cobrar por isso, ainda bancar, literalmente, com milhões e bilhões que deveriam ser gastos para afastar doenças deste povo. Para lhe dar educação. Para lhe dar dignidade.

Que mentira é essa, de dizer que se pauta pelos princípios da dignidade humana, e ter no território nacional este desrespeito absoluto.

Que imagem querem ter por isso? Acham que tudo vale, que não existe moral, que não existe honra?

Que sucesso é ter isso, é ter aquilo, é se mostrar mais e melhor do que o outro?

Esta fonte de toda a impureza, esta água envenenada.

Fonte da morte, água sem vida.

Quando tudo que te pedem é mostrar-se digno.

É vencer. É conseguir.

Tudo que te pedem é para que sejas vitorioso.

Para o teu bem. 

De mais ninguém.

Um homem digno.