Jokerman
Bob Dylan
Composição: Bob Dylan
Standing on the waters
casting your bread
While the eyes of the idol
with the iron head are glowing.
Distant ships sailing into the mist,
You were born with a snake in both of your fists
while a hurricane was blowing.
Freedom just around the corner for you
But with the truth so far off, what good will it do?
Jokerman dance to the nightingale tune,
Bird fly high by the light of the moon,
Oh, oh, oh, Jokerman.
So swiftly the sun sets in the sky,
You rise up and say goodbye to no one.
Fools rush in where angels fear to tread,
Both of their futures, so full of dread,
you don't show one.
Shedding off one more layer of skin,
Keeping one step ahead of the persecutor within.
Jokerman dance to the nightingale tune,
Bird fly high by the light of the moon,
Oh, oh, oh, Jokerman.
You're a man of the mountains, you can walk on the clouds,
Manipulator of crowds, you're a dream twister.
You're going to Sodom and Gomorrah
But what do you care? Ain't nobody there would want to marry yoursister.
Friend to the martyr, a friend to the woman of shame,
You look into the fiery furnace, see the rich man without anyname.
Jokerman dance to the nightingale tune,
Bird fly high by the light of the moon,
Oh, oh, oh, Jokerman.
Well, the Book of Leviticus and Deuteronomy,
The law of the jungle and the sea are your only teachers.
In the smoke of the twilight on a milk-white steed,
Michelangelo indeed could've carved out your features.
Resting in the fields, far from the turbulent space,
Half asleep near the stars with a small dog licking your face.
Jokerman dance to the nightingale tune,
Bird fly high by the light of the moon,
Oh. oh. oh. Jokerman.
Well, the rifleman's stalking the sick and the lame,
Preacherman seeks the same, who'll get there first is uncertain.
Nightsticks and water cannons, tear gas, padlocks,
Molotov cocktails and rocks behind every curtain,
False-hearted judges dying in the webs that they spin,
Only a matter of time 'til night comes steppin' in.
Jokerman dance to the nightingale tune,
Bird fly high by the light of the moon,
Oh, oh, oh, Jokerman.
It's a shadowy world, skies are slippery gray,
A woman just gave birth to a prince today and dressed him in scarlet.
He'll put the priest in his pocket, put the blade to the heat,
Take the motherless children off the street
And place them at the feet of a harlot.
Oh, Jokerman, you know what he wants,
Oh, Jokerman, you don't show any response.
Jokerman dance to the nightingale tune,
Bird fly high by the light of the moon,
Oh, oh, oh, Jokerman.
E agora a minha tradução, acompanhada de notas e prefácio, e posfácio:
Esta canção deve ter sido composta pelo judeu Bob Dylan quando ele esteve convertido ao cristianismo, para surpresa e indignação de alguns.
O “coringa” é uma imagem inusitada para associar a Jesus. A referência deve ser ao inesperado que simboliza o coringa, o surpreendente, a loucura, até, aos olhos do homem. Pois se a sabedoria humana é loucura aos olhos de Deus, também a sabedoria divina deve parecer loucura aos olhos do homem. A música tem passagens que dão conta desse inesperado, dessa surpresa, ao refletir sobre Deus. Na tradução, eu espalhei várias notas com interpretações minhas sobre passagens da letra. Algumas dessas interpretações parecem mais óbvias, algumas mais discutíveis. Não tenho a pretensão de afirmar que desvendei o que Bob Dylan queria dizer. Já se disse que nas interpretações de obras artísticas, revela-se mais o que vai na cabeça do intérprete do que na do autor da obra. Concordo, mas isso não retira o direito de qualquer um fazer a interpretação que lhe apraz, e partilhá-la. Podem lê-la, ou não, concordar com ela ou não, achá-la interessante ou não.
E eu posso escrevê-la. Há tempos eu aprecio letras de música, me emociono com elas, e as reflito. E desde que li uma edição da Divina Comédia, repleta de comentários, tenho a vontade de também fazer minhas traduções comentadas. Não vejo porque as letras de música teriam uma menor dignidade para serem refletidas, estudadas, comentadas. Quem ama a Divina Comédia, que a estude e a comente. Quem ama a letra de música, é estimulado por ela para alguma reflexão, então a reflita! Não vá um sábio de academia querer me dizer o que eu posso ou não gostar. E eu gosto de Dante e de Bob Dylan, e de Mozart e Elvis Presley. E nem preciso comparar, não acredito que haja possibilidade de comparação. Gosto deles, e isto me basta. Uma hora na companhia de um, outra hora na de outro. Que bom que cada um deles existiu, que bom que eu posso ter uma hora ou outra agradável com eles!
E então vamos à tradução:
CORINGA
De pé sobre as águas
Distribuindo o seu pão1
Enquanto os olhos do ídolo
Com a cabeça de ferro brilham2
Navios distantes
Navegam pra bruma3
Você nasceu com uma serpente em ambos os punhos
Enquanto um furacão soprava4
Liberdade, bem ali na esquina pra você
Mas com a Verdade tão distante
Que bem iria fazer?5
Coringa dançando para a melodia do rouxinol
Pássaro voa alto à luz da lua
Oh, Coringa
Tão rápido o sol se põe no céu,
Você se ergue e se despede de ninguém6
Tolos se precipitam
Aonde os anjos temem pisar
Ambos os futuros tão cheios de horror
Você não revela nenhum7
Trocando mais uma camada de pele
Mantendo um passo à frente do perseguidor interior8
Você é um homem da montanha
Você pode caminhar sobre as nuvens
Manipulador das multidões
Você faz os sonhos se torcerem
Você vai pra Sodoma e Gomorra,
Mas o que te importava?
Não tem ninguém por lá
Que quisesse casar com sua irmã9
Um amigo do mártir,
Um amigo da mulher da vergonha,10
Você olha a fornalha ardente
Vê o homem rico sem nome11
O livro de Levítico
E o Deuteronômio12
A lei da selva e o mar
Foram seus únicos mestres
Na fumaça de um crepúsculo
Sobre um corcel branco como leite
Michelangelo, realmente,
Podia ter esculpido sua figura13
Descansando nos campos, longe do espaço turbulento,
Meio adormecido entre as estrelas
Com um cachorro pequeno lambendo a sua face14
O homem do rifle faz tocaia
Para o doente e o aleijado
O pastor vai receber o mesmo
Quem vai chegar primeiro, é incerto15
Cacetetes e canhões de água,
Gás lacrimejante, cadeados,
Coquetéis molotov, e pedras,
Atrás de cada cortina16
Juízes de coração falso
Morrendo nas teias que tecem17
Apenas uma questão de tempo
Até que a noite venha se aproximando18
É um mundo repleto de sombras
Os céus são escorregadios e cinza19
Uma mulher deu à luz um príncipe hoje
E o vestiu de escarlate20
Ele vai colocar o sacerdote no bolso21
Vai colocar a lâmina para aquecer 22
Vai tirar as crianças sem mãe das ruas
E colocá-las aos pés de uma prostituta.23
Oh, coringa, você conhece o desejo do homem!
Oh, coringa, você não oferece qualquer réplica!
Coringa dança para a melodia do rouxinol
Pássaro voa alto à luz da lua
Oh, Coringa
1No primeiro verso, já temos a referência a Jesus, embora em nenhum momento da canção ele seja diretamente mencionado. Mas Jesus é quem caminha, ou fica em pé, sobre as águas do Lago de Genesaré, na Galiléia. No segundo verso, a referência é ao milagre da multiplicação dos pães (ver Mateus 14, 14 a 33).
2Deve ser a inveja que faz brilhar os olhos do ídolo feito de ferro, diante da visão do Deus vivo.
3Os navios do lago da Galiléia, onde Jesus caminhou sobre as águas? Uma metáfora das vidas caminhando para a morte?
4Hércules estrangulou com os punhos, no berço, duas serpentes enviadas por Juno para matá-lo. Também o furacão indica um momento de perturbação, talvez uma referência à reação violenta do velho mundo ameaçado pela nova era que seria inaugurada pelo Messias. Herodes e o massacre dos inocentes.
5Nesta estrofe, a referência talvez seja à tentação de Jesus no Jardim de Getsemani. Ele poderia se livrar de seus perseguidores e de seu destino. Bastaria rezar ao Pai, e um exército de anjos surgiria para afastá-lo do cálice. Mas com a Verdade perdida, de que serviria? Jesus não se apresenta como o Caminho, a Vida e a Verdade? E a Verdade não libertará? Seja feita a Vossa vontade, portanto. (cf. João 8, 21 a 47).
6O sol se põe, a morte na cruz? E, após, erguer-se pode ser uma referência à ressurreição, e que não haveria despedida, porque permaneceria vivo como Espírito Santo para seus discípulos.
7Um aspecto do Coringa, o misterioso. Os tolos e os anjos têm de enfrentar seus destinos, e a morte, cada qual à sua maneira, mas ambos na escuridão. “Pois eu vos digo: Amai vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem, para serdes filhos de vosso Pai que está nos céus. Porque ele faz nascer o sol para bons e maus, e chover sobre justos e injustos.”
8Novas referências à ressurreição? O perseguidor interior = a morte?
9A referência aqui é a Gênesis, 18 e 19. O Jokerman é identificado com o próprio Deus, que decidiu destruir Sodoma e Gomorra pela impiedade de seus habitantes. Mas antes envia dois anjos que vão livrar o justo Ló e sua família da aniquilação. “Ninguém por lá que quisesse casar com sua irmã” - a irmã do Jokerman seria as duas filhas de Ló, o homem justo? Casar com elas seria desposar a justiça. Mas os habitantes de Sodoma queriam violentar os hóspedes de Ló, os anjos do Senhor. O que importava ao Senhor visitar a terra dos homens ímpios? Ainda assim, Ele o faz, na representação de Seus anjos, e conforme a instigação de Abraão, para defender os Seus justos. Ou, melhor dizendo, os que tentam ser justos. Não é fácil entender a atitude de Ló, sacrificando a honra de suas filhas pela de seus hóspedes.
10“Amigo do mártir”, como, por exemplo, no apedrejamento de Estêvão (Atos, 7, 54 a 60), o primeiro mártir. “Amigo da mulher da vergonha”, por exemplo, ao salvar do apedrejamento a mulher adúltera (João, 8, 1 a 11), ou ao perdoar os pecados da mulher comumente identificada como Maria Madalena (Lucas, 7, 36-50).
11O rico sem nome aparece na parábola do rico e do pobre Lázaro, Lucas, 16, 19-31. Este rico da parábola de fato arde no fogo, e não tem nome, ao contrário do pobre, chamado Lázaro. Talvez não ter nome signifique perder a identidade, por amor à riqueza, ou que a condenação não se prende a um homem específico, mas à condição do homem, qualquer homem, que se prende à riqueza. Que idolatra a riqueza.
12Quando perguntaram a Jesus qual era o maior mandamento da Lei, Ele respondeu: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, com toda a alma e com toda a mente. Este é o maior e o primeiro mandamento. Mas o segundo é semelhante a este: Amarás o próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas” (cf. Mateus, 22, 34 a 40). O primeiro mandamento Jesus retira de Deuteronômio 6,5, e o segundo, de Levítico, 19,18. Daí os mestres de Jesus, além da lei da selva e o mar, isto é, a própria natureza.
13Michelangelo realmente esculpe a figura de Jesus, mas apenas na Pietá, que eu me lembre. O “corcel branco como leite” pode ser apenas símbolo de majestade.
14Este trecho me parece uma representação da natureza dupla de Jesus, divina e humana. Em paralelo, o turbulento espaço/as estrelas, e os campos/o cachorrinho lambendo a face.
15Os pastores, os doentes, os aleijados, são todos vítimas do homem com o rifle fazendo tocaia, da crueldade e da covardia humanas, da morte. Permanece oculto o destino de cada um, quem vai ser o primeiro a enfrentar a morte? (Who´ll get there first is uncertain). Compare nota 7.
16Nas imagens de um distúrbio de rua, de um conflito entre policiais e manifestantes, um símbolo para a violência que se oculta em cada coração. A hipocrisia.
17Nova imagem de hipocrisia, agora como causadora da perdição daqueles mesmos que a praticam.
18Noite=morte. A igualadora, inescapável. “Apenas uma questão de tempo...”
19Imagem trágica da vida: incerta, enganadora (cinza), com a sorte mutável (escorregadia), e ameaçada pelo mal (mundo repleto de sombras).
20Nesta vida trágica surge a esperança, Jesus, o Príncipe que foi dado à luz pela humilde Maria. Ela o vestiu de escarlate, cor que denota nobreza, ou com seu próprio sangue no momento do parto, a natureza humana desse Deus surpreendente, motivo de escândalo para tantos?
21São diversas as passagens em que Jesus surpreende e confunde os sacerdotes, os escribas, os doutores da Lei. Por exemplo, Mateus, 22, 15 - 22, 41 - 46; João, 3, 1 - 15. E “ficaram todos tão espantados que perguntavam uns aos outros: “O que é isso? Uma doutrina nova, dada com autoridade! Ele manda até nos espíritos impuros e eles lhe obedecem” (Marcos, 1, 27 - 28).
22“Colocar a lâmina para aquecer”, como um ferreiro que aumenta o gume da espada, tornando-a mais afiada. “Não penseis que vim trazer a paz à terra. Não vim trazer a paz, e sim a espada. Pois vim separar o filho de seu pai, a filha de sua mãe, a nora de sua sogra. Os inimigos da gente serão os próprios parentes” (Mateus, 10, 34 - 36 e Miquéias, 7,6).
23Jesus mostra-se frequentemente surpreendente, como estes versos, subvertendo os valores corriqueiros. Ver nota 10, exemplos da atitude de Jesus, escandalosa aos olhos de seus contemporâneos, de perdão diante das “mulheres da vergonha”. “Tirar as crianças sem mãe das ruas, e colocá-las ao pé da prostituta”, significará amparar as crianças deixadas ao abandono pela indiferença humana, e honrar as prostitutas, habituais repositórios do desprezo dos felizardos(as) bem-de-vida, confiando aqueles órfãos aos cuidados destas.
E termino a tradução, com as notas. Deu-me mais trabalho, e estendi-me mais, do que pensei a princípio. Talvez tenha exagerado, ou forçado a barra, em algumas passagens. Não importa. Como disse, é só uma interpretação, a minha interpretação, sem pretensão de decifrar o pensamento do Bob Dylan.
Creio mesmo que após a publicação, a obra de um autor fica disponível para toda interpretação, qualquer interpretação. Mesmo uma interpretação do próprio autor será apenas mais uma interpretação, talvez sequer a mais interessante.
Também não é que qualquer interpretação se equivalha. O estudo, a imaginação, a própria inspiração, ou talento, do intérprete, podem acrescer ou diminuir o interesse de uma interpretação. Em última instância, porém, quem vai dizer se uma interpretação vai convencer, inspirar, ou emocionar mais que a outra? No clipe de Jokerman que indico no You Tube, em determinado momento surge a figura de Hitler (associada ao verso “manipulador de multidões”). Não sei se o clipe teve alguma aprovação do Bob Dylan, mas não me importa. Como eu disse, a interpretação do próprio autor de uma obra será só mais uma interpretação. Pode ser interessante, mas não obriga, absolutamente, o público a ter a mesma idéia, ou a sentir da mesma maneira.
Para mim Hitler não tem a menor pertinência na música, e não há qualquer termo de comparação entre ele e o Jokerman, Jesus, como eu interpreto. Mas alguns seguidores de Jesus agiram como seguidores de Hitler, massacrando pagãos nas Cruzadas, por exemplo, como se fossem menos humanos, menos o próximo, e pervertendo o mandamento de amor ao semelhante.
Então, se a imagem de Hitler na música pode inspirar a reflexão, ainda que me pareça “errada”, como interpretação, eu não posso deixar de entendê-la válida.
Aliás, eu vejo agora nos comentários ao vídeo, no You Tube, que as teorias são muitas sobre a identidade do Jokerman. Vão de Hitler, ao Cristo, ao Anti-Cristo, ao pai de Dylan, à humanidade... como se vê, a obra artística não se fecha, ela é única para cada intérprete.
E agora, dois links para esta música tão especial: o clipe da versão de estúdio, que saiu no disco Infidels (1983), contando com músicos do naipe do guitarrista Mark Knopfler, o tecladista Alan Clark, ambos dos Dire Straits, Mick Taylor (ex-guitarrista dos Rolling Stones), e os jamaicanos Sly Dunbar (bateria) e Robbie Shakespeare (baixo), badalados como das melhores seções rítmicas do mundo. Note como o fanho Dylan canta com perfeita segurança melódica/de tempo, uma letra grande e espinhosa, ainda carregando de emoção cada frase. http://www.youtube.com/watch?v=JfTMVzbB-u4
E agora vejam esta versão ao vivo, e reparem a segurança com que Dylan modifica arranjo e melodia, sempre reinventando suas canções.
http://www.youtube.com/watch?v=kIS7jFSe8n8
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Advogado assassinado a tiros na Guatemala - Acusado o presidente daquele país
Da Guatemala vem a notícia de que um advogado, assassinado a tiros no último domingo, deixou um vídeo no qual responsabiliza o presidente da Guatemala, Alvaro Colom, o secretário particular da presidência, Gustavo Alejos, e Gregorio Valdez, um empresário ligado ao Governo, por sua morte.
Ele justifica os motivos de quererem sua morte por ter sido advogado do empresário Khalil Mussa e de sua filha, Marjorie, sendo que os três ficaram sabendo de negócios ilícitos e milionários feitos pelo Banco de Desenvolvimento Rural, que incluíam lavagem de dinheiro, desvio de verbas públicas destinadas a programas beneficentes inexistentes chefiados pela primeira-dama Sandra de Colom, e financiamento de empresas de fachada do narcotráfico.
Khalil e Marjorie Mussa também tinham sido assassinados, dias antes. O advogado, Rosemberg Marzano, tinha 47 anos. E o que fica é a lição, de como o poder, misturado com o dinheiro, pode vir a ser manejado por pessoas inescrupulosas, e ai de quem atrapalhar a jogada! Para manter os ganhos, não hesitarão se tiverem de eliminar os que estiverem no caminho.
Na Guatemala, estes velhos conhecidos, corrupção, queima de arquivo, ganharam uma expressão dramática por este caso de vídeo póstumo, e a acusação que chega ao último escalão do poder, a presidência da república. Mas não dá pra dizer, infelizmente, que a história seja inteiramente nova para nós.
Corrupção nós temos no jornal de todo dia, na mistura perigosa de grandes verbas públicas, controladas por políticos e ficha suja e seus apaniguados, falta de transparência, falta de controle, impunidade. E execuções também não são pratos tão raros em nosso cardápio, nossos cabras marcados para morrer, desde o emblemático Chico Mendes, até, recentemente, o ocupante de terras assassinado em Brasília, Marcio Leonardo de Souza Brito, num caso que envolve investigação ao empresário Nenê Constantino, fundador da Gol Linhas Aéreas, e muy amigo do ex-Governador, ex-senador, Joaquim Roriz, para quem teria "emprestado" 2,2 milhões de reais.
Assim é, assim vai continuar sendo. Por quanto tempo?
Homens honestos e corajosos assassinados. Seus assassinos, gozando de impunidade. Gozando da “vida mansa” proporcionada pelo fruto dos seus roubos. Triste realidade, produzida pelo sistema que montamos, e que vai continuar se repetindo, enquanto este mesmo sistema for mantido. É uma lei da natureza, é uma máquina. Se temos uma engrenagem, que alimentamos com ferro, e que produz pregos, não seremos tolos a ponto de lamentar os pregos que são produzidos, ou esperar que a engrenagem produza flores, da próxima vez.
Pois a engrenagem que temos produz as execuções que lemos no jornal, que lamentamos, mas não mudamos NADA. Reunimos o ouro, em quantidades cada vez maiores exigidas, e o entregamos nas mãos dos nossos altos senhores, os políticos. E não os fiscalizamos, não os cobramos por isso. É mais como se fosse DELES do que NOSSO. Somos hipnotizados pelo monstro bi-fronte, o Estado, que ora nos seduz com o canto de sereia: “é pelo social... é para os mais pobres...”, ora nos ameaça com cara de górgona: “é um rebelde! Um contestador! Para o fogo com ele!”. E torcemos para que o sistema produza finalmente a tal GRANDE TRANSFORMAÇÃO REDENTORA. Até a próxima notícia de corrupção, até o próximo assassinato. Círculo macabro, pesadelo do qual não se acorda. Até quando morreremos dormindo?
Ele justifica os motivos de quererem sua morte por ter sido advogado do empresário Khalil Mussa e de sua filha, Marjorie, sendo que os três ficaram sabendo de negócios ilícitos e milionários feitos pelo Banco de Desenvolvimento Rural, que incluíam lavagem de dinheiro, desvio de verbas públicas destinadas a programas beneficentes inexistentes chefiados pela primeira-dama Sandra de Colom, e financiamento de empresas de fachada do narcotráfico.
Khalil e Marjorie Mussa também tinham sido assassinados, dias antes. O advogado, Rosemberg Marzano, tinha 47 anos. E o que fica é a lição, de como o poder, misturado com o dinheiro, pode vir a ser manejado por pessoas inescrupulosas, e ai de quem atrapalhar a jogada! Para manter os ganhos, não hesitarão se tiverem de eliminar os que estiverem no caminho.
Na Guatemala, estes velhos conhecidos, corrupção, queima de arquivo, ganharam uma expressão dramática por este caso de vídeo póstumo, e a acusação que chega ao último escalão do poder, a presidência da república. Mas não dá pra dizer, infelizmente, que a história seja inteiramente nova para nós.
Corrupção nós temos no jornal de todo dia, na mistura perigosa de grandes verbas públicas, controladas por políticos e ficha suja e seus apaniguados, falta de transparência, falta de controle, impunidade. E execuções também não são pratos tão raros em nosso cardápio, nossos cabras marcados para morrer, desde o emblemático Chico Mendes, até, recentemente, o ocupante de terras assassinado em Brasília, Marcio Leonardo de Souza Brito, num caso que envolve investigação ao empresário Nenê Constantino, fundador da Gol Linhas Aéreas, e muy amigo do ex-Governador, ex-senador, Joaquim Roriz, para quem teria "emprestado" 2,2 milhões de reais.
Assim é, assim vai continuar sendo. Por quanto tempo?
Homens honestos e corajosos assassinados. Seus assassinos, gozando de impunidade. Gozando da “vida mansa” proporcionada pelo fruto dos seus roubos. Triste realidade, produzida pelo sistema que montamos, e que vai continuar se repetindo, enquanto este mesmo sistema for mantido. É uma lei da natureza, é uma máquina. Se temos uma engrenagem, que alimentamos com ferro, e que produz pregos, não seremos tolos a ponto de lamentar os pregos que são produzidos, ou esperar que a engrenagem produza flores, da próxima vez.
Pois a engrenagem que temos produz as execuções que lemos no jornal, que lamentamos, mas não mudamos NADA. Reunimos o ouro, em quantidades cada vez maiores exigidas, e o entregamos nas mãos dos nossos altos senhores, os políticos. E não os fiscalizamos, não os cobramos por isso. É mais como se fosse DELES do que NOSSO. Somos hipnotizados pelo monstro bi-fronte, o Estado, que ora nos seduz com o canto de sereia: “é pelo social... é para os mais pobres...”, ora nos ameaça com cara de górgona: “é um rebelde! Um contestador! Para o fogo com ele!”. E torcemos para que o sistema produza finalmente a tal GRANDE TRANSFORMAÇÃO REDENTORA. Até a próxima notícia de corrupção, até o próximo assassinato. Círculo macabro, pesadelo do qual não se acorda. Até quando morreremos dormindo?
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Continua a empolgação com o You tube. Não é pra menos: Eric Clapton, Jimmy Page, Jeff Beck: Layla http://www.youtube.com/watch?v=ICpxgxThG7s
Allman Brothers, com Duane Allman: Whipping post http://www.youtube.com/watch?v=KHhKnc0XZrs
Doors, Roadhouse blues. A filmagem é ruim, mas é a que tem, e rocka: http://www.youtube.com/watch?v=4qLXuyZrRto
Free bird, Lynyrd Skynyrd, 1975 http://www.youtube.com/watch?v=CkTQUtx818w
Janis Joplin, Cry babyhttp://www.youtube.com/watch?v=JjD4eWEUgMM
I am the walrus, Beatles http://www.youtube.com/watch?v=0yNcE8c3j2M, também Lucy in the sky with diamonds (LSD) http://www.youtube.com/watch?v=A7F2X3rSSCU, Get Back http://www.youtube.com/watch?v=JlWFpdPX45g
Allman Brothers, com Duane Allman: Whipping post http://www.youtube.com/watch?v=KHhKnc0XZrs
Doors, Roadhouse blues. A filmagem é ruim, mas é a que tem, e rocka: http://www.youtube.com/watch?v=4qLXuyZrRto
Free bird, Lynyrd Skynyrd, 1975 http://www.youtube.com/watch?v=CkTQUtx818w
Janis Joplin, Cry babyhttp://www.youtube.com/watch?v=JjD4eWEUgMM
I am the walrus, Beatles http://www.youtube.com/watch?v=0yNcE8c3j2M, também Lucy in the sky with diamonds (LSD) http://www.youtube.com/watch?v=A7F2X3rSSCU, Get Back http://www.youtube.com/watch?v=JlWFpdPX45g
terça-feira, 12 de maio de 2009
O manicômio tributário
A manchete do Globo do último domingo (10.05.2009) me trouxe à lembrança o artigo que postei em 22.04.2009, intitulado Daslu e a sanha tributária, sobre a condenação da dona das lojas Daslu a 94 anos de prisão por, basicamente, crime de sonegação fiscal. Diz a tal manchete do Globo, e a chamada que lhe segue: ARTIFÍCIO FAZ PETROBRAS PAGAR MENOS IMPOSTO – Empresa deixou de recolher R$ 4,3 bi desde dezembro.
Ora, se usarmos como critério o montante dos recursos desviados, qual pena deveria ser aplicada para os responsáveis pela sonegação tributária, no caso da Petrobras, em proporção com a pena determinada para a dona da Daslu? Alguns milhares de anos de reclusão? Mas será que vamos ter um juiz pra aplicar punição, qualquer punição, no caso da Petrobras? 4,3 bi, desde dezembro, ou seja, quase um bi por mês, que deixou de pingar nos cofres públicos. No jornal publicaram que a Cidade da Música, que custou R$ 600 milhões (até agora), poderia custear a construção de quatro hospitais. 150 milhões por hospital. Então, por mês, a Petrobras nos tirou meia dúzia de hospitais, com um troco de uns 100 milhõezinhos, pra comprar uns remédios. Pra você, por exemplo, que se aperta porque tem de gastar mil reais por mês pra comprar remédios, os 100 milhões te deixariam tranquilo por cem mil meses. Por 8.333 anos, e mais uns quebrados.
Mas temo que desta vez não veremos operações cinematográficas da polícia federal, com filmagens de helicópteros e cerco de refinarias de petróleo. Nem vamos ver juízes rigorosos condenando diretores e presidente da Petrobras a 15 mil ou 20 mil anos de reclusão. Estes espetáculos quadram bem quando é pra mostrar o rigor do rei para com os súditos. A Petrobras não é estatal? Então fica tudo em casa, entre amigos. Como lembra aquele nosso ditado, é para os inimigos o rigor da lei. Aos amigos, tudo.
Porque, brasileiros, somos estatólatras. Herança lusa, escravidão, nos fizeram assim. Temos por natural os privilégios, que os poderosos façam coisas que não é dado ao comum dos mortais fazer. É o país da impunidade. Dos poderosos, bem entendido. Dos que fazem as leis, dos que controlam as verbas. Caso exemplar: há alguns anos, um parlamentar entrou num restaurante onde almoçava um seu desafeto político. Executou-o, com seu revólver, à vista de todos. O que fez nossa Justiça? Pediu permissão ao nosso Congresso para processar o parlamentar. Foi-lhe negada, em votação secreta, e o processo suspenso à espera do fim do mandato. Acontece que o nosso probo parlamentar seguiu se reelegendo, e o caso todo já tem muitos anos, e eu nem sei o desfecho. Mas dá pra ter uma noção do que estou tentando dizer.
Mas se você for um ladrão pé-de-chinelo, cuidado, porque você pode acabar numa cela com mais cinquenta, onde deveria caber cinco. Sem data pra ser julgado seu processo, e é a coisa mais natural do mundo. Sorteio na cela pra matarem algum preso e sobrar mais espaço. Um país bonzinho, como se vê.
Mas voltando ao nosso tema tributário. Cobra-se muito (cerca de 40% do PIB; 4,8 meses do ano você trabalha pro Estado), e oferece-se pouco (saúde, segurança, educação, renda, andam em falta). Por que isso? Por causa dos mesmos vícios de que vimos tratando. Adoração do Grande Pai, o Estado, e de seus sacerdotes iluminados, os poderosos, os donos da coisa pública, os nossos “nobres”, velhos patrimonialistas.
Este termo, patrimonialismo, significa tratar a coisa pública como propriedade particular. São nossos parlamentares que viajam de férias com namorada, filho, sogra, avô, avó, cachorro e periquito, com passagens pagas pelo ilustre bocó-contribuinte. Aí é que a conta não fecha. Primeiro, o dinheiro arrecadado deve servir para pagar TODAS as mordomias dos nossos poderosos. Depois, deve servir para pingar esmolas assistencialistas nos currais eleitorais, para garantir a permanência no Poder desses muito espertos. No fim, a saúde, educação, segurança e renda podem andar em pandarecos. O nosso já tá garantido.
Nesse lindo sistema que temos, transparência, simplicidade, clareza, são indesejáveis. Como é que se vai favorecer o amigo, como é que se vai tosquiar até a pele do inimigo, se tudo for claro, proporcional, justo e simples? Uma única tributação, de alíquota fixa, sobre toda movimentação financeira? Mas aí vai pegar todo mundo que está lavando dinheiro, que tem uma capacidade tributária muito acima do rendimento que pode explicar. Mas este é um assunto pra ser tratado em outro artigo.
Para fechar este, quero só lembrar que, ainda que o “juridiquês” prevaleça neste caso da Petrobras, e que cada centavo dos 4,3 bi de reais que deixaram de pingar venha a ser justificado como manobras legais dentro do sistema, será preciso um bocado de cegueira para não enxergar que este sistema em que uma empresa pode deixar de recolher 4,3 bi por meio de brechas, e artifícios, e manobras, é um sistema essencialmente irracional, injusto, opressivo. Ganhou até um epíteto, que se firmou, de O manicômio tributário. Como eu disse, pode até ser manicômio, mas a alguns interesses serve que seja assim. Resta saber se o interesse geral, de transparência, racionalidade, justiça, algum dia irá prevalecer. Por enquanto, está perdendo de goleada pros interesses particulares e egoístas. E safados. E pra ignorância, e pra falta de crítica.
Ora, se usarmos como critério o montante dos recursos desviados, qual pena deveria ser aplicada para os responsáveis pela sonegação tributária, no caso da Petrobras, em proporção com a pena determinada para a dona da Daslu? Alguns milhares de anos de reclusão? Mas será que vamos ter um juiz pra aplicar punição, qualquer punição, no caso da Petrobras? 4,3 bi, desde dezembro, ou seja, quase um bi por mês, que deixou de pingar nos cofres públicos. No jornal publicaram que a Cidade da Música, que custou R$ 600 milhões (até agora), poderia custear a construção de quatro hospitais. 150 milhões por hospital. Então, por mês, a Petrobras nos tirou meia dúzia de hospitais, com um troco de uns 100 milhõezinhos, pra comprar uns remédios. Pra você, por exemplo, que se aperta porque tem de gastar mil reais por mês pra comprar remédios, os 100 milhões te deixariam tranquilo por cem mil meses. Por 8.333 anos, e mais uns quebrados.
Mas temo que desta vez não veremos operações cinematográficas da polícia federal, com filmagens de helicópteros e cerco de refinarias de petróleo. Nem vamos ver juízes rigorosos condenando diretores e presidente da Petrobras a 15 mil ou 20 mil anos de reclusão. Estes espetáculos quadram bem quando é pra mostrar o rigor do rei para com os súditos. A Petrobras não é estatal? Então fica tudo em casa, entre amigos. Como lembra aquele nosso ditado, é para os inimigos o rigor da lei. Aos amigos, tudo.
Porque, brasileiros, somos estatólatras. Herança lusa, escravidão, nos fizeram assim. Temos por natural os privilégios, que os poderosos façam coisas que não é dado ao comum dos mortais fazer. É o país da impunidade. Dos poderosos, bem entendido. Dos que fazem as leis, dos que controlam as verbas. Caso exemplar: há alguns anos, um parlamentar entrou num restaurante onde almoçava um seu desafeto político. Executou-o, com seu revólver, à vista de todos. O que fez nossa Justiça? Pediu permissão ao nosso Congresso para processar o parlamentar. Foi-lhe negada, em votação secreta, e o processo suspenso à espera do fim do mandato. Acontece que o nosso probo parlamentar seguiu se reelegendo, e o caso todo já tem muitos anos, e eu nem sei o desfecho. Mas dá pra ter uma noção do que estou tentando dizer.
Mas se você for um ladrão pé-de-chinelo, cuidado, porque você pode acabar numa cela com mais cinquenta, onde deveria caber cinco. Sem data pra ser julgado seu processo, e é a coisa mais natural do mundo. Sorteio na cela pra matarem algum preso e sobrar mais espaço. Um país bonzinho, como se vê.
Mas voltando ao nosso tema tributário. Cobra-se muito (cerca de 40% do PIB; 4,8 meses do ano você trabalha pro Estado), e oferece-se pouco (saúde, segurança, educação, renda, andam em falta). Por que isso? Por causa dos mesmos vícios de que vimos tratando. Adoração do Grande Pai, o Estado, e de seus sacerdotes iluminados, os poderosos, os donos da coisa pública, os nossos “nobres”, velhos patrimonialistas.
Este termo, patrimonialismo, significa tratar a coisa pública como propriedade particular. São nossos parlamentares que viajam de férias com namorada, filho, sogra, avô, avó, cachorro e periquito, com passagens pagas pelo ilustre bocó-contribuinte. Aí é que a conta não fecha. Primeiro, o dinheiro arrecadado deve servir para pagar TODAS as mordomias dos nossos poderosos. Depois, deve servir para pingar esmolas assistencialistas nos currais eleitorais, para garantir a permanência no Poder desses muito espertos. No fim, a saúde, educação, segurança e renda podem andar em pandarecos. O nosso já tá garantido.
Nesse lindo sistema que temos, transparência, simplicidade, clareza, são indesejáveis. Como é que se vai favorecer o amigo, como é que se vai tosquiar até a pele do inimigo, se tudo for claro, proporcional, justo e simples? Uma única tributação, de alíquota fixa, sobre toda movimentação financeira? Mas aí vai pegar todo mundo que está lavando dinheiro, que tem uma capacidade tributária muito acima do rendimento que pode explicar. Mas este é um assunto pra ser tratado em outro artigo.
Para fechar este, quero só lembrar que, ainda que o “juridiquês” prevaleça neste caso da Petrobras, e que cada centavo dos 4,3 bi de reais que deixaram de pingar venha a ser justificado como manobras legais dentro do sistema, será preciso um bocado de cegueira para não enxergar que este sistema em que uma empresa pode deixar de recolher 4,3 bi por meio de brechas, e artifícios, e manobras, é um sistema essencialmente irracional, injusto, opressivo. Ganhou até um epíteto, que se firmou, de O manicômio tributário. Como eu disse, pode até ser manicômio, mas a alguns interesses serve que seja assim. Resta saber se o interesse geral, de transparência, racionalidade, justiça, algum dia irá prevalecer. Por enquanto, está perdendo de goleada pros interesses particulares e egoístas. E safados. E pra ignorância, e pra falta de crítica.
outra versão de Paint it black, Rolling stones http://www.youtube.com/watch?v=Wn6kHgA-eRE
http://www.youtube.com/watch?v=M_bvT-DGcWw another brick in the wall, Pink Floyd
http://www.youtube.com/watch?v=JfTMVzbB-u4, jokerman, Bob Dylan
http://www.youtube.com/watch?v=xO0gSJGJ7Fs, Like a rolling stone, Bob Dylan
http://www.youtube.com/watch?v=0kNEo8OxrT8, Stairway to heaven, Led Zeppelin
http://www.youtube.com/watch?v=ZC8tI5KADy8, Unchained melody, Elvis Presley, sua última música do seu último show. Realmente emocionante, Elvis gordo e acabado, pouco antes de morrer, aos 42 anos. Mas quem é rei não perde a majestade.
Para contrabalançar, assista http://www.youtube.com/watch?v=RAonlWEWYF8 , That´s all right mama, Elvis Presley, a primeira música que gravou para ser lançada comercialmente, no especial de 1968 (menos de dez anos antes de sua morte).
http://www.youtube.com/watch?v=w2ybQuhQv8g, Can´t you hear me knocking, e http://www.youtube.com/watch?v=gAqtsNWkpUk, Jumpin´Jack Flash, Rolling stones
Voodoo chile, Jimi Hendrix http://www.youtube.com/watch?v=hLJhJGnpovo
http://www.youtube.com/watch?v=mvBkbPEoeAI, Tangled up in blue, http://www.youtube.com/watch?v=2-xIulyVsG8, Subterranean homesick blues, http://www.youtube.com/watch?v=iXwynAlYNS0, mr. tambourine man, http://www.youtube.com/watch?v=2BH8U_z7Q6c, http://www.youtube.com/watch?v=2b4FqFEwlL8, Highway 61 revisited, duas versões, Bob Dylan
http://www.youtube.com/watch?v=3Knbh7TkX6A, Viva Las Vegas, Heartbreak Hotel http://www.youtube.com/watch?v=_1Qo1eaWF8c, Baby let´s play house http://www.youtube.com/watch?v=QI97stLQLdw, Milkcow blues boogie, http://www.youtube.com/watch?v=wKxBMYnXLIY, Elvis Presley
http://www.youtube.com/watch?v=M_bvT-DGcWw another brick in the wall, Pink Floyd
http://www.youtube.com/watch?v=JfTMVzbB-u4, jokerman, Bob Dylan
http://www.youtube.com/watch?v=xO0gSJGJ7Fs, Like a rolling stone, Bob Dylan
http://www.youtube.com/watch?v=0kNEo8OxrT8, Stairway to heaven, Led Zeppelin
http://www.youtube.com/watch?v=ZC8tI5KADy8, Unchained melody, Elvis Presley, sua última música do seu último show. Realmente emocionante, Elvis gordo e acabado, pouco antes de morrer, aos 42 anos. Mas quem é rei não perde a majestade.
Para contrabalançar, assista http://www.youtube.com/watch?v=RAonlWEWYF8 , That´s all right mama, Elvis Presley, a primeira música que gravou para ser lançada comercialmente, no especial de 1968 (menos de dez anos antes de sua morte).
http://www.youtube.com/watch?v=w2ybQuhQv8g, Can´t you hear me knocking, e http://www.youtube.com/watch?v=gAqtsNWkpUk, Jumpin´Jack Flash, Rolling stones
Voodoo chile, Jimi Hendrix http://www.youtube.com/watch?v=hLJhJGnpovo
http://www.youtube.com/watch?v=mvBkbPEoeAI, Tangled up in blue, http://www.youtube.com/watch?v=2-xIulyVsG8, Subterranean homesick blues, http://www.youtube.com/watch?v=iXwynAlYNS0, mr. tambourine man, http://www.youtube.com/watch?v=2BH8U_z7Q6c, http://www.youtube.com/watch?v=2b4FqFEwlL8, Highway 61 revisited, duas versões, Bob Dylan
http://www.youtube.com/watch?v=3Knbh7TkX6A, Viva Las Vegas, Heartbreak Hotel http://www.youtube.com/watch?v=_1Qo1eaWF8c, Baby let´s play house http://www.youtube.com/watch?v=QI97stLQLdw, Milkcow blues boogie, http://www.youtube.com/watch?v=wKxBMYnXLIY, Elvis Presley
You tube
Agora, com o You Tube, eu tenho de admitir, nunca se teve tanta informação visual, tão fácil de ser localizada.
Basta um computador, conexão com a internet. O que se demoraria meses para se localizar, para adquirir, para poder assistir, e às vezes nem se assistia, está a um toque de computador.
Para quem gosta de música, por exemplo, é um delírio. Uma biblioteca borgiana maravilhosa. Veja o vídeo de Jimi Hendrix tocando Like a rolling stone http://www.youtube.com/watch?v=gYwZ8I8wOGA Pesquise o que quiser lá. Compartilhe. Veja os Rolling Stones tocando Paint it black em 1966, com Brian Jones na guitarra indiana http://www.youtube.com/watch?v=STWSTgfMruc Coisas que eu nem sabia que existiam. E tudo com qualidade de som e imagem.
Eu gostei tanto que vou publicar por aqui umas dicas de vídeo de vez em quando.
Basta um computador, conexão com a internet. O que se demoraria meses para se localizar, para adquirir, para poder assistir, e às vezes nem se assistia, está a um toque de computador.
Para quem gosta de música, por exemplo, é um delírio. Uma biblioteca borgiana maravilhosa. Veja o vídeo de Jimi Hendrix tocando Like a rolling stone http://www.youtube.com/watch?v=gYwZ8I8wOGA Pesquise o que quiser lá. Compartilhe. Veja os Rolling Stones tocando Paint it black em 1966, com Brian Jones na guitarra indiana http://www.youtube.com/watch?v=STWSTgfMruc Coisas que eu nem sabia que existiam. E tudo com qualidade de som e imagem.
Eu gostei tanto que vou publicar por aqui umas dicas de vídeo de vez em quando.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Estamos seguros?
Na Alemanha pós primeira guerra, uma crise econômica gravíssima achatou os rendimentos, jogou uma parte grande da população na miséria, ou deixou à beira dela, retirou os empregos, trouxe grande sofrimento e desesperança.
Este foi o terreno que tornou propício o crescimento do radicalismo, das soluções vendidas como RÁPIDAS, SEGURAS, DEFINITIVAS.
Rapidamente o povo aceitou a violência dos partidos extremistas, o comunista e o nacional-socialista (nazista). Eles guerreavam entre si, prometiam que se atingissem o poder esmagariam logo o “inimigo”. O judeu, ou o industrial. O outro.
E a população, desejosa de ver um bode expiatório pagando, apoiou o discurso radical. Tinham medo e tinham raiva, não desejavam raciocionar, mas dar vazão a estas emoções ruins. Cobravam sangue, e um delírio coletivo foi se instalando, alimentando-se dos velhos preconceitos, dos velhos pecados. Eles ganharam força, e mesmo depois que as condições de vida melhoraram, o povo permaneceu apoiando os nazistas, que haviam conquistado o poder e o tinham ampliado gerando um Estado totalitarista.
Foi criada uma polícia secreta. Homens eram perseguidos, montou-se uma máquina para isso. Como geralmente essa máquina estava instalada para perseguir e condenar os judeus, “os outros”, a maioria ia seguindo suas vidas conformada, às vezes até apoiando, tacitamente. Mas, uma vez instalada a máquina de destruição, ela pode se voltar contra você. Apenas os chefes do partido, seus amigos, suas famílias, estavam, a princípio, livres dela. Eram seus donos, e a utilizavam para esmagar a oposição, “amiga dos judeus e dos decadentes”. Eram eles quem definiam quem eram os judeus e seus amigos. Ou os burgueses e seus amigos, na União Soviética. Na União Soviética, aliás, com o tempo, a máquina se voltou mesmo contra os chefões, nos expurgos de Stalin. Na Alemanha, não houve tempo, não foi possível disputar a sucessão de Hitler, como se disputou a sucessão de Lenin. Se a sucessão de Hitler fosse disputada dentro do modelo da transferência de poder num estado totalitário, veríamos a mesma guerra de gângster que manchou a União Soviética. Trotski fugiu para o México, mas Stalin exigiu sua morte, e um seu agente foi enfiar uma picareta na cabeça de Trotski.
Na Alemanha não houve disputa pela sucessão de Hitler, mas os nazistas não foram poupados, também, pela máquina que construíram. O seu discurso agressivo, violento, os colocou numa guerra pela dominação dos “inferiores”, que perturbou o mundo, e colocou contra eles grandes forças, que acabaram por massacrar a Alemanha.
O ponto onde quero chegar é este: a Alemanha era uma nação civilizada, adiantada, com bom nível de educação de seu povo, e não foi poupada dos horrores, de cometê-los e sofrê-los. Bastou o empobrecimento, o medo, a desesperança, se instalar entre eles, para que viessem à tona os instintos das velhas tribos bárbaras, os sacrifícios expiatórios, a caça às bruxas, o ódio e o irracionalismo. Com as novas roupagens modernas, as teorias “científicas” de superioridade ariana, ou “filosóficas”, de império da vontade. Na mesma armadilha caíram os italianos com Mussolini e seus camisas pretas fascistas, os já mencionados russos comunistas, e muitos outros povos, no entre guerras e após. Bastou semear convenientemente o terreno, com guerras, crises sociais e econômicas, para que os velhos demônios ressurgissem famintos.
Estamos seguros, afastados de todo o mal? A crise econômica bate à porta, afetando um gigante desta vez, os Estados Unidos. Como em 1929. Não que a história esteja pré-determinada, ou ande em círculos, nada disso. Mas os momentos de crise são os momentos em que as pessoas ficam mais receptivas a algum discurso salvacionista, chantagista, acusador, que promete todos os bens, e toda a segurança, mas não admite contestação, e tira toda a liberdade. E, no fim, também não é capaz de entregar a segurança e a prosperidade prometidas.
Então, é hora de redobrar nossos cuidados. Estejamos atentos às notícias, aos discursos, às novas leis que surgem. Estejamos prevenidos contra os ladrões de liberdade, os acumuladores de poder, que pensam que usam o poder, mas são usados por ele. Porque o poder corrompe. A hora é de vigília.
Este foi o terreno que tornou propício o crescimento do radicalismo, das soluções vendidas como RÁPIDAS, SEGURAS, DEFINITIVAS.
Rapidamente o povo aceitou a violência dos partidos extremistas, o comunista e o nacional-socialista (nazista). Eles guerreavam entre si, prometiam que se atingissem o poder esmagariam logo o “inimigo”. O judeu, ou o industrial. O outro.
E a população, desejosa de ver um bode expiatório pagando, apoiou o discurso radical. Tinham medo e tinham raiva, não desejavam raciocionar, mas dar vazão a estas emoções ruins. Cobravam sangue, e um delírio coletivo foi se instalando, alimentando-se dos velhos preconceitos, dos velhos pecados. Eles ganharam força, e mesmo depois que as condições de vida melhoraram, o povo permaneceu apoiando os nazistas, que haviam conquistado o poder e o tinham ampliado gerando um Estado totalitarista.
Foi criada uma polícia secreta. Homens eram perseguidos, montou-se uma máquina para isso. Como geralmente essa máquina estava instalada para perseguir e condenar os judeus, “os outros”, a maioria ia seguindo suas vidas conformada, às vezes até apoiando, tacitamente. Mas, uma vez instalada a máquina de destruição, ela pode se voltar contra você. Apenas os chefes do partido, seus amigos, suas famílias, estavam, a princípio, livres dela. Eram seus donos, e a utilizavam para esmagar a oposição, “amiga dos judeus e dos decadentes”. Eram eles quem definiam quem eram os judeus e seus amigos. Ou os burgueses e seus amigos, na União Soviética. Na União Soviética, aliás, com o tempo, a máquina se voltou mesmo contra os chefões, nos expurgos de Stalin. Na Alemanha, não houve tempo, não foi possível disputar a sucessão de Hitler, como se disputou a sucessão de Lenin. Se a sucessão de Hitler fosse disputada dentro do modelo da transferência de poder num estado totalitário, veríamos a mesma guerra de gângster que manchou a União Soviética. Trotski fugiu para o México, mas Stalin exigiu sua morte, e um seu agente foi enfiar uma picareta na cabeça de Trotski.
Na Alemanha não houve disputa pela sucessão de Hitler, mas os nazistas não foram poupados, também, pela máquina que construíram. O seu discurso agressivo, violento, os colocou numa guerra pela dominação dos “inferiores”, que perturbou o mundo, e colocou contra eles grandes forças, que acabaram por massacrar a Alemanha.
O ponto onde quero chegar é este: a Alemanha era uma nação civilizada, adiantada, com bom nível de educação de seu povo, e não foi poupada dos horrores, de cometê-los e sofrê-los. Bastou o empobrecimento, o medo, a desesperança, se instalar entre eles, para que viessem à tona os instintos das velhas tribos bárbaras, os sacrifícios expiatórios, a caça às bruxas, o ódio e o irracionalismo. Com as novas roupagens modernas, as teorias “científicas” de superioridade ariana, ou “filosóficas”, de império da vontade. Na mesma armadilha caíram os italianos com Mussolini e seus camisas pretas fascistas, os já mencionados russos comunistas, e muitos outros povos, no entre guerras e após. Bastou semear convenientemente o terreno, com guerras, crises sociais e econômicas, para que os velhos demônios ressurgissem famintos.
Estamos seguros, afastados de todo o mal? A crise econômica bate à porta, afetando um gigante desta vez, os Estados Unidos. Como em 1929. Não que a história esteja pré-determinada, ou ande em círculos, nada disso. Mas os momentos de crise são os momentos em que as pessoas ficam mais receptivas a algum discurso salvacionista, chantagista, acusador, que promete todos os bens, e toda a segurança, mas não admite contestação, e tira toda a liberdade. E, no fim, também não é capaz de entregar a segurança e a prosperidade prometidas.
Então, é hora de redobrar nossos cuidados. Estejamos atentos às notícias, aos discursos, às novas leis que surgem. Estejamos prevenidos contra os ladrões de liberdade, os acumuladores de poder, que pensam que usam o poder, mas são usados por ele. Porque o poder corrompe. A hora é de vigília.
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