Santana, Black magic woman http://www.youtube.com/watch?v=ymh1o09vRWE
Elvis, You were always on my mind http://www.youtube.com/watch?v=VI94AsuvUUA e Bridge over troubled water http://www.youtube.com/watch?v=mLbOBoa8vD8
Pink Floyd, Atom Heart Mother ao vivo http://www.youtube.com/watch?v=UkzHXlFUBwU
domingo, 24 de maio de 2009
Stones no you tube
Guitarras infernizadas de Keith Richards e Mick Taylor, piano de Ian Stewart, baixo de Bill Wyman, Charlie Watts na bateria, gaita e voz de blueseiro de Mick Jagger, sim, são os Rolling Stones à época da gravação de Exile on Main St. (1972), numa versão para Robert Johnson, Stop Breaking Down http://www.youtube.com/watch?v=NnDpW5vpbDY .S-E-N-S-A-C-I-O-N-A-L, é claro. Para muitos críticos Exile é o melhor LP dos Stones. Eu ainda prefiro Sticky Fingers (1971), também com Mick Taylor, desta maravilhosa Can´t you hear me knocking? http://www.youtube.com/watch?v=sPGf980cLn4
Mas Exile é mesmo especial, com sua sonoridade diversificada, das fontes profundas inspiradoras dos Stones, músicas muito rurais, do interior dos Estados Unidos, e vai dizer que os Stones são ingleses, brilhantemente recriadas: Ventilator Blues e I just want to see his face http://www.youtube.com/watch?v=sWKq6AO17Zw. Com participação especial de Buster Keaton.
Sweet Black Angel: http://www.youtube.com/watch?v=v8M8f9x435I
Loving cup: http://www.youtube.com/watch?v=Ex1nxuM1fU8
Turd on the run: http://www.youtube.com/watch?v=7xzMkWMlCbw
Shine a light http://www.youtube.com/watch?v=oLBB-7-z3SM
Mas Exile é mesmo especial, com sua sonoridade diversificada, das fontes profundas inspiradoras dos Stones, músicas muito rurais, do interior dos Estados Unidos, e vai dizer que os Stones são ingleses, brilhantemente recriadas: Ventilator Blues e I just want to see his face http://www.youtube.com/watch?v=sWKq6AO17Zw. Com participação especial de Buster Keaton.
Sweet Black Angel: http://www.youtube.com/watch?v=v8M8f9x435I
Loving cup: http://www.youtube.com/watch?v=Ex1nxuM1fU8
Turd on the run: http://www.youtube.com/watch?v=7xzMkWMlCbw
Shine a light http://www.youtube.com/watch?v=oLBB-7-z3SM
Os Beatles então remanescentes na reunião nos anos 90, com homenagens a John. Bonito... The long and winding road http://www.youtube.com/watch?v=JrcYPTRcSX0
E por falar em John Lennon, Woman http://www.youtube.com/watch?v=PaLfDnShEn0
e Instant Karma http://www.youtube.com/watch?v=EqP3wT5lpa4
Karma instantâneo vai te pegar
Vai te socar logo na cabeça
É melhor que se recomponha logo
Muito em breve você vai estar morto
No que no mundo você está pensando?
Rindo na cara do amor.
O que no mundo você está tentando fazer?
É só com você. É. Com você.
Karma instantâneo vai te pegar.
Vai te olhar de volta na cara.
É melhor se recompor, querida,
Junte-se à raça humana.
Como no mundo você vai enxergar?
Rindo de tolos como eu.
Quem na terra você pensa que é.
Um super-astro? Bem, está certo, você é.
Karma instantâneo vai te pegar.
Vai te derrubar dos seus pés.
É melhor reconhecer seus irmãos.
Cada um que você encontra.
Por que no mundo estamos aqui?
Certamente não para viver em dor e medo.
Por que na terra você está lá?
Quando você está em toda parte.
Vá recolher a sua parte.
Quando todos nós seguimos brilhando
Como a lua, e as estrelas, e o sol.
Nós todos seguimos brilhando.
Como a lua
E as estrelas
E o sol.
Instant Karma
John Lennon
Composição: Indisponível
Instant Karma's gonna get you
Gonna knock you right on the head
You better get yourself together
Pretty soon you're gonna be dead
What in the world you thinking of
Laughing in the face of love
What on earth you tryin' to do
It's up to you, yeah you
Instant Karma's gonna get you
Gonna look you right in the face
Better get yourself together darlin'
Join the human race
How in the world you gonna see
Laughin' at fools like me
Who in the hell d'you think you are
A super sta
rWell, right you are
Well we all shine on
Like the moon and the stars and the sun
Well we all shine on
Ev'ryone come on
Instant Karma's gonna get you
Gonna knock you off your feet
Better recognize your brothers
Ev'ryone you meet
Why in the world are we here
Surely not to live in pain and fear
Why on earth are you there
When you're ev'rywhere
Come and get your share
Well we all shine on
Like the moon and the stars and the sun
Yeah we all shine on
Come on and on and on on on
Yeah yeah, alright, uh huh, ah
Well we all shine on
Like the moon and the stars and the sun
Yeah we all shine onOn and on and on on and onWell we all shine onLike the moon and the stars and the sunWell we all shine onLike the moon and the stars and the sunWell we all shine onLike the moon and the stars and the sunYeah we all shine onLike the moon and the stars and the sun
E por falar em John Lennon, Woman http://www.youtube.com/watch?v=PaLfDnShEn0
e Instant Karma http://www.youtube.com/watch?v=EqP3wT5lpa4
Karma instantâneo vai te pegar
Vai te socar logo na cabeça
É melhor que se recomponha logo
Muito em breve você vai estar morto
No que no mundo você está pensando?
Rindo na cara do amor.
O que no mundo você está tentando fazer?
É só com você. É. Com você.
Karma instantâneo vai te pegar.
Vai te olhar de volta na cara.
É melhor se recompor, querida,
Junte-se à raça humana.
Como no mundo você vai enxergar?
Rindo de tolos como eu.
Quem na terra você pensa que é.
Um super-astro? Bem, está certo, você é.
Karma instantâneo vai te pegar.
Vai te derrubar dos seus pés.
É melhor reconhecer seus irmãos.
Cada um que você encontra.
Por que no mundo estamos aqui?
Certamente não para viver em dor e medo.
Por que na terra você está lá?
Quando você está em toda parte.
Vá recolher a sua parte.
Quando todos nós seguimos brilhando
Como a lua, e as estrelas, e o sol.
Nós todos seguimos brilhando.
Como a lua
E as estrelas
E o sol.
Instant Karma
John Lennon
Composição: Indisponível
Instant Karma's gonna get you
Gonna knock you right on the head
You better get yourself together
Pretty soon you're gonna be dead
What in the world you thinking of
Laughing in the face of love
What on earth you tryin' to do
It's up to you, yeah you
Instant Karma's gonna get you
Gonna look you right in the face
Better get yourself together darlin'
Join the human race
How in the world you gonna see
Laughin' at fools like me
Who in the hell d'you think you are
A super sta
rWell, right you are
Well we all shine on
Like the moon and the stars and the sun
Well we all shine on
Ev'ryone come on
Instant Karma's gonna get you
Gonna knock you off your feet
Better recognize your brothers
Ev'ryone you meet
Why in the world are we here
Surely not to live in pain and fear
Why on earth are you there
When you're ev'rywhere
Come and get your share
Well we all shine on
Like the moon and the stars and the sun
Yeah we all shine on
Come on and on and on on on
Yeah yeah, alright, uh huh, ah
Well we all shine on
Like the moon and the stars and the sun
Yeah we all shine onOn and on and on on and onWell we all shine onLike the moon and the stars and the sunWell we all shine onLike the moon and the stars and the sunWell we all shine onLike the moon and the stars and the sunYeah we all shine onLike the moon and the stars and the sun
sábado, 23 de maio de 2009
Novos links pro You Tube
Jimi Hendrix, Hear my train a´comin, o único registro em violão do mago da guitarra. http://www.youtube.com/watch?v=wCQBbgb_Lvo
Stones, 1965, Get Off my cloud http://www.youtube.com/watch?v=Ss02sfQinxI
The Who, gravando Who are you? http://www.youtube.com/watch?v=l_FZVD5lsAw, olha as caras do figuraça Keith Moon, fera da batera, bem diferente e gordinho aqui, em 1978, pouco antes de morrer. Mas o mesmo alucinado e engraçadíssimo de sempre. Dizem que só ele conseguia fazer o sorumbático baixista John Entwistle sorrir, como neste vídeo. Compare com o Keith Moon novinho (1968, só 10 anos antes) de A Quick One (While he´s away), no Rolling Stones Rock n´roll circus http://www.youtube.com/watch?v=QW3lCBkJPrk.
E como estamos falando do Who, The Seeker http://www.youtube.com/watch?v=CR-ZAnil_Mw, e Join Together http://www.youtube.com/watch?v=eX8uCdenpgU
Stones, 1965, Get Off my cloud http://www.youtube.com/watch?v=Ss02sfQinxI
The Who, gravando Who are you? http://www.youtube.com/watch?v=l_FZVD5lsAw, olha as caras do figuraça Keith Moon, fera da batera, bem diferente e gordinho aqui, em 1978, pouco antes de morrer. Mas o mesmo alucinado e engraçadíssimo de sempre. Dizem que só ele conseguia fazer o sorumbático baixista John Entwistle sorrir, como neste vídeo. Compare com o Keith Moon novinho (1968, só 10 anos antes) de A Quick One (While he´s away), no Rolling Stones Rock n´roll circus http://www.youtube.com/watch?v=QW3lCBkJPrk.
E como estamos falando do Who, The Seeker http://www.youtube.com/watch?v=CR-ZAnil_Mw, e Join Together http://www.youtube.com/watch?v=eX8uCdenpgU
POLÍCIA
O que dizer de uma polícia, em um país, em que se tortura? O que dizer de uma polícia, em um país, em que 1% dos assassinatos têm como resultado a conclusão de um processo com uma condenação?
Eu não estou falando por hipótese, ou de uma ilha irreal chamada Distopia. Eu estou falando do Brasil, e da sua polícia. São fatos, e só escandalizam pouco porque não pensamos muito nisso, porque nos habituamos com qualquer absurdo. Isto é o que vivemos, e é estranho pensar que vivemos isto.
Notem que falo em “polícia” e não em “policiais”. Não acho justo colocar os homens que vivem dentro deste sistema insano como responsáveis por toda a insanidade do sistema. Geralmente, são suas próprias vítimas, e muitas vezes conseguem fazer algo de útil e honesto, mesmo tendo de lutar contra todas as dificuldades e insanidades imposta pelo “monstro”.
Também não é só a polícia. Falei em polícia para destacar, em cores vivas, os imensos problemas, as imensas dificuldades, da sociedade em que vivemos. Qual exemplo atinge melhor o sentimento, a imaginação, que a própria segurança, e a de nossos familiares?
Se a polícia é podre, violenta, despreparada, também o são a saúde, a educação, a justiça, a política, a economia, a cultura. E todos sofremos com esta corrupção geral, com esta insegurança, com esta injustiça, deste sistema fraudulento, insano, corrupto. Todos, menos uns tantos “espertos”, que acham que tudo está às mil maravilhas, porque estão “se dando tão bem”. Se corrompem, e querem que tudo esteja corrompido, para “ninguém ser melhor do que o outro”, para “ser tudo a mesma geléia, a mesma merda, e chafurdemos todos”. Uns “melhores” do que outros, porque têm um carrão, e têm muito dinheiro, e têm a mansão, e são muito espertos.
Talvez seja verdade que todos precisemos lamber o chão, sentir o chicote, a humilhação, para poder abrir os olhos. Como diria Bob Dylan, everybody must get stoned. Um país que se habituou a ver homens como escravos, e homens como patrões, não é de uma hora para outra, num passe de mágica, que vai conquistar uma cultura de igualdade, respeito, dignidade. Vamos manter o sistema que não dá dignidade, sofrendo como escravo, sonhando com ser o patrão, até que conquistemos a compreensão de que enquanto não se constrói uma sociedade em que dignidade seja partilhada por todos, vai-se estar condenado a viver a indignidade.
Eu não estou falando por hipótese, ou de uma ilha irreal chamada Distopia. Eu estou falando do Brasil, e da sua polícia. São fatos, e só escandalizam pouco porque não pensamos muito nisso, porque nos habituamos com qualquer absurdo. Isto é o que vivemos, e é estranho pensar que vivemos isto.
Notem que falo em “polícia” e não em “policiais”. Não acho justo colocar os homens que vivem dentro deste sistema insano como responsáveis por toda a insanidade do sistema. Geralmente, são suas próprias vítimas, e muitas vezes conseguem fazer algo de útil e honesto, mesmo tendo de lutar contra todas as dificuldades e insanidades imposta pelo “monstro”.
Também não é só a polícia. Falei em polícia para destacar, em cores vivas, os imensos problemas, as imensas dificuldades, da sociedade em que vivemos. Qual exemplo atinge melhor o sentimento, a imaginação, que a própria segurança, e a de nossos familiares?
Se a polícia é podre, violenta, despreparada, também o são a saúde, a educação, a justiça, a política, a economia, a cultura. E todos sofremos com esta corrupção geral, com esta insegurança, com esta injustiça, deste sistema fraudulento, insano, corrupto. Todos, menos uns tantos “espertos”, que acham que tudo está às mil maravilhas, porque estão “se dando tão bem”. Se corrompem, e querem que tudo esteja corrompido, para “ninguém ser melhor do que o outro”, para “ser tudo a mesma geléia, a mesma merda, e chafurdemos todos”. Uns “melhores” do que outros, porque têm um carrão, e têm muito dinheiro, e têm a mansão, e são muito espertos.
Talvez seja verdade que todos precisemos lamber o chão, sentir o chicote, a humilhação, para poder abrir os olhos. Como diria Bob Dylan, everybody must get stoned. Um país que se habituou a ver homens como escravos, e homens como patrões, não é de uma hora para outra, num passe de mágica, que vai conquistar uma cultura de igualdade, respeito, dignidade. Vamos manter o sistema que não dá dignidade, sofrendo como escravo, sonhando com ser o patrão, até que conquistemos a compreensão de que enquanto não se constrói uma sociedade em que dignidade seja partilhada por todos, vai-se estar condenado a viver a indignidade.
TRABALHO
Trabalho é princípio de organização nuclear de qualquer sociedade.
O trabalho gera o rendimento, o responsável pelo teto, pelo alimento, pela tranquilidade de alma. Reconhecer a importância do trabalho significa querer que todos possam ter acesso a ele, mediante suas capacidades, e que isto lhes proporcione um rendimento que lhe permita viver em paz. Construir o mundo, e permanecer no mundo, à sua maneira.
Por que o trabalho é tao desorganizado, no Brasil, que pessoas passem fome, ou se desperdicem em sub-empregos? Por que o trabalho não pode ser dividido, racionalizado, para que todos possam ter seu quinhão de contribuição comum, e ninguém fique desempregado, e o trabalho não se converta também numa escravidão?
O princípio organizador de uma sociedade livre, sadia, é a distribuição da tarefa, de maneira que não haja exploradores e explorados. No Brasil temos ouvido falar em permanência da escravidão, grandes milionários que escravizam homens miseráveis, ignorantes, na desenfreada ambição.
Vemos grandes fortunas serem transferidas, indo acabar nas maos de gente que sequer trabalha, tudo chancelado pelas “leis” do nosso Estado.
Absurdos à luz do dia, para sangrar os olhos de quem se arrisca a ver. Gente graúda “aposentada” porque ocupou um cargo de Governador, por alguns minutos que seja. Isto está na “Constituição” de muitos de nossos valorosos Estados. Tudo tão descarado, aproveitando-se de um povo adormecido pela mais negra ignorância.
E as nossas “elites”, meu Deus, tão e tão, cooptadas. Sequer pensam o sistema que se desmonta e as ameaça, à sua frente. Injustiças celebradas como piada. Falta de idéias, falta de interesse... o que pode explicar tamanha imobilidade? Falta de compreensão, falta de fé, é o mais grave. É preciso ter esperança no homem e no futuro, para se evitar as tentações da corrupção. O interesse pelo próximo faria os homens se portarem com dignidade, mas não é sempre que isto se dá.
Vemos os homens com os dólares na cueca, vemos as pilhas de dinheiro em cima das mesas, vemos o sujeito que ganha de presente um carro, uma casa, ocupando diretorias, ocupando os governos. Tudo isto vem à tona, e ninguém sai do seu entorpecimento. As pessoas envolvidas nestes esquemas, à vista diante dos olhos de todos (e Deus salve a liberdade de imprensa!), continuam protegidas pelos nossos poderosos no poder.
E como acreditar em Justiça num país assim? Como acreditar num país assim? O
que esperar de suas leis, de sua moral, de sua cultura, do seu povo, destes homens que nos governam? A esperança reside em que a juventude, sofrendo estas injustiças, experimentando o que é viver e trabalhar num país construído assim, desperte, e se revolte.
Revoltar-se, que eu digo, não é acrescer a confusão e a loucura, numa manifestação irracional, não refletida, sem propósito. É preciso cultura, entendimento e valor, para ver que a revolta é contra as práticas de corrupção. É preciso que as pessoas se acostumem a não aceitar como justificável, normal, irrelevante, o crime, o roubo, a falta de moral.
Não acredito em revolta sem idéia, ou sem ideal. Isto para mim é apenas a outra face da conformismo idiotizado. Ambos servem ao sistema.
Numa sociedade corrupta, a cooptação de consciências é uma constante. O sistema é todo construído para se auto-proteger. A própria cultura circundante age no sentido de empurrar as consciências para esta mesma aceitação uniforme, passiva, mesmo dos maiores absurdos. O roubo fica aceito, quando tanta gente passa pelo governo, ou por qualquer instituição em que se exerça algum poder, e em breve enriqueça. Isto acontece à vista de todos, gente que “não tinha nada” e logo tem mansões, e castelos, e automóvel importado, e avião. De onde vem isto? Não admira a disputa insana por poder, pois uma vez adquirido o roubo, vai-se usufruir para sempre dele, e prevalece a impunidade.
E como acreditar então nestas instituições, que deveriam nos proteger, a polícia, o Ministério Público, o Judiciário? Para que servem, se não servem para reprimir e prevenir o roubo, as organizações criminosas, a corrupção? Por que as nossas leis, os nossos regulamentos, os nossos decretos e medidas provisórias não nos protegem? Por que estamos tão expostos, acompanhando o absurdo de ver tantas pessoas assassinadas, velhos e jovens, mulheres e crianças?
Ou se adquire uma “massa crítica” de elite pensante, honesta, que se revolte contra esta “organização” corrupta da sociedade, que rejeite a “vida fácil”, e se proponha criar uma sociedade de acordo com este ideal, ou vai-se permanecer amargando os sofrimentos e retrocessos de uma (in)cultura selvagem.
Na Venezuela, em outros países, muitas vezes na história, vemos isto acontecer. É um grande erro supor que as conquistas boas estão garantidas para sempre. Os governantes (tiranos) fazem esforços constantes para suprimir a oposição, para calar a crítica, para se perpetuarem no poder. Sempre em nome de belos ideais, e de terríveis ameaças. “Dêem-nos o poder, para que o reino da justiça e da abundância caiam sobre você, e porque estamos terrivelmente ameaçados pelos judeus/gays/pobres/pretos/drogados/estrangeiros/banqueiros/burgueses/bruxas (o bode expiatório da vez).” Um filme que se repete a todo instante, mas quem não tiver valores e cultura não o vê, e está destinado a perpetuá-lo, sofrendo-lhe os efeitos, mas quase sem o perceber, como tudo o que é habitual, rotineiro, por absurdo e terrível que seja. E consequentemente sem poder lhe fazer face, sem o enfrentar, para lhe derrotar.
Esta que é a mais completa vitória de um sistema injusto: fazer crer que não adianta a luta, porque ele não pode ser derrotado. Aceitar a corrupção, porque as coisas são assim, é a mais completa derrota para um povo. Lutar para preservar a democracia, a liberdade, a justiça, é a maior prova de que um povo é consciente, e sadio.
O trabalho gera o rendimento, o responsável pelo teto, pelo alimento, pela tranquilidade de alma. Reconhecer a importância do trabalho significa querer que todos possam ter acesso a ele, mediante suas capacidades, e que isto lhes proporcione um rendimento que lhe permita viver em paz. Construir o mundo, e permanecer no mundo, à sua maneira.
Por que o trabalho é tao desorganizado, no Brasil, que pessoas passem fome, ou se desperdicem em sub-empregos? Por que o trabalho não pode ser dividido, racionalizado, para que todos possam ter seu quinhão de contribuição comum, e ninguém fique desempregado, e o trabalho não se converta também numa escravidão?
O princípio organizador de uma sociedade livre, sadia, é a distribuição da tarefa, de maneira que não haja exploradores e explorados. No Brasil temos ouvido falar em permanência da escravidão, grandes milionários que escravizam homens miseráveis, ignorantes, na desenfreada ambição.
Vemos grandes fortunas serem transferidas, indo acabar nas maos de gente que sequer trabalha, tudo chancelado pelas “leis” do nosso Estado.
Absurdos à luz do dia, para sangrar os olhos de quem se arrisca a ver. Gente graúda “aposentada” porque ocupou um cargo de Governador, por alguns minutos que seja. Isto está na “Constituição” de muitos de nossos valorosos Estados. Tudo tão descarado, aproveitando-se de um povo adormecido pela mais negra ignorância.
E as nossas “elites”, meu Deus, tão e tão, cooptadas. Sequer pensam o sistema que se desmonta e as ameaça, à sua frente. Injustiças celebradas como piada. Falta de idéias, falta de interesse... o que pode explicar tamanha imobilidade? Falta de compreensão, falta de fé, é o mais grave. É preciso ter esperança no homem e no futuro, para se evitar as tentações da corrupção. O interesse pelo próximo faria os homens se portarem com dignidade, mas não é sempre que isto se dá.
Vemos os homens com os dólares na cueca, vemos as pilhas de dinheiro em cima das mesas, vemos o sujeito que ganha de presente um carro, uma casa, ocupando diretorias, ocupando os governos. Tudo isto vem à tona, e ninguém sai do seu entorpecimento. As pessoas envolvidas nestes esquemas, à vista diante dos olhos de todos (e Deus salve a liberdade de imprensa!), continuam protegidas pelos nossos poderosos no poder.
E como acreditar em Justiça num país assim? Como acreditar num país assim? O
que esperar de suas leis, de sua moral, de sua cultura, do seu povo, destes homens que nos governam? A esperança reside em que a juventude, sofrendo estas injustiças, experimentando o que é viver e trabalhar num país construído assim, desperte, e se revolte.
Revoltar-se, que eu digo, não é acrescer a confusão e a loucura, numa manifestação irracional, não refletida, sem propósito. É preciso cultura, entendimento e valor, para ver que a revolta é contra as práticas de corrupção. É preciso que as pessoas se acostumem a não aceitar como justificável, normal, irrelevante, o crime, o roubo, a falta de moral.
Não acredito em revolta sem idéia, ou sem ideal. Isto para mim é apenas a outra face da conformismo idiotizado. Ambos servem ao sistema.
Numa sociedade corrupta, a cooptação de consciências é uma constante. O sistema é todo construído para se auto-proteger. A própria cultura circundante age no sentido de empurrar as consciências para esta mesma aceitação uniforme, passiva, mesmo dos maiores absurdos. O roubo fica aceito, quando tanta gente passa pelo governo, ou por qualquer instituição em que se exerça algum poder, e em breve enriqueça. Isto acontece à vista de todos, gente que “não tinha nada” e logo tem mansões, e castelos, e automóvel importado, e avião. De onde vem isto? Não admira a disputa insana por poder, pois uma vez adquirido o roubo, vai-se usufruir para sempre dele, e prevalece a impunidade.
E como acreditar então nestas instituições, que deveriam nos proteger, a polícia, o Ministério Público, o Judiciário? Para que servem, se não servem para reprimir e prevenir o roubo, as organizações criminosas, a corrupção? Por que as nossas leis, os nossos regulamentos, os nossos decretos e medidas provisórias não nos protegem? Por que estamos tão expostos, acompanhando o absurdo de ver tantas pessoas assassinadas, velhos e jovens, mulheres e crianças?
Ou se adquire uma “massa crítica” de elite pensante, honesta, que se revolte contra esta “organização” corrupta da sociedade, que rejeite a “vida fácil”, e se proponha criar uma sociedade de acordo com este ideal, ou vai-se permanecer amargando os sofrimentos e retrocessos de uma (in)cultura selvagem.
Na Venezuela, em outros países, muitas vezes na história, vemos isto acontecer. É um grande erro supor que as conquistas boas estão garantidas para sempre. Os governantes (tiranos) fazem esforços constantes para suprimir a oposição, para calar a crítica, para se perpetuarem no poder. Sempre em nome de belos ideais, e de terríveis ameaças. “Dêem-nos o poder, para que o reino da justiça e da abundância caiam sobre você, e porque estamos terrivelmente ameaçados pelos judeus/gays/pobres/pretos/drogados/estrangeiros/banqueiros/burgueses/bruxas (o bode expiatório da vez).” Um filme que se repete a todo instante, mas quem não tiver valores e cultura não o vê, e está destinado a perpetuá-lo, sofrendo-lhe os efeitos, mas quase sem o perceber, como tudo o que é habitual, rotineiro, por absurdo e terrível que seja. E consequentemente sem poder lhe fazer face, sem o enfrentar, para lhe derrotar.
Esta que é a mais completa vitória de um sistema injusto: fazer crer que não adianta a luta, porque ele não pode ser derrotado. Aceitar a corrupção, porque as coisas são assim, é a mais completa derrota para um povo. Lutar para preservar a democracia, a liberdade, a justiça, é a maior prova de que um povo é consciente, e sadio.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Querem estuprar a democracia no Brasil
E agora temos a notícia de que está sendo tramada uma reforma política. Cinco partidos apresentaram o projeto para ser votado. Quais são eles? Nada menos que PMDB (como sempre), PT (é, o PT...), DEM (nossos liberais de m...), e PPS e PCdoB (isso aí, os velhos comunistas, mas depois eles podem inventar que não estupraram a democracia, mas a aperfeiçoaram, fizeram dela a “verdadeira” democracia, a “democracia popular”, digamos).
Mas qual é esse projeto mágico, capaz de reunir inimigos tão figadais quanto os velhos comunas do PCdoB e do PPS (ex-Partido Comunista Brasileiro), os nossos “liberais” (põe aspa nisso) do DEM, e o PT, auto-proclamado guardião da ética? O PMDB não surpreende em nada, está em todas mesmo.
Mas deve ser um projeto e tanto mesmo, pra reunir tantas cabeças coroadas, de cinco grandes (no sentido de tamanho, é claro) partidos do nosso Brasi-zil-zil (ah, me dêem um lenço, eu vou chorar...)
Pois o ilustre projeto propõe o financiamento público de campanhas (já ouvi falar em coisa de um bilhãozinho anual, mas isso ainda não é o pior. Ai ai ai.). O projeto propõe ainda (e isto é o pior) o voto em lista fechada.
O que isto significa? Que o povo vai perder o direito de votar numa pessoa de sua escolha, ou deixar de votar em uma pessoa de sua escolha. Ele vai ter de votar numa lista, com uma ordem de nomes de candidatos estabelecida pelos partidos, e esta ordem terá de ser seguida para preencher os cargos na Assembléia.
Não é lindo? Está explicado o que reuniu caciques tão diversos. Nada como um estuprozinho da democracia para gerar um consenso. Nada como combinar um arranjo pra dar todo o poder pros caciques dos nossos partidos, pra deixá-los satisfeitos. Eles é que mandam nos partidos, eles organizam as listas, e só eles vão entrar na festa, eles e os amiguinhos, ninguém pra protestar, encher o saco, dar dor de cabeça... Nada como uma pequena reserva de poder. Nada como escolher os nomes de quem vai partilhar com eles o poder. Tutti buona genti, tutti cosa nostra...
Mas o brasileiro é um forte, e não desiste nunca! Não é assim que fala na propaganda? Um paisinho em que as pesquisas mostram que a maioria do povo nem considera a democracia tão importante assim, um paisinho desses logo supera o trauma. O novo Congresso prometeu aumentar o carnaval para quinze dias. Depois, é só dar um mandato eterno pro Lulinha, podíamos coroá-lo também.
Já pensou? Lulinha I, o Paz e Amor. Lulinha vai ficar tão chique, de coroa dourada e manto púrpura... e nós vamos ficar bem contentinhos, enquanto nos roubam a democracia. Mas nós nem entendemos direito essa coisa de democracia. Isso deve ser uma invenção de gringo, isso não deve nem fazer muito bem nos trópicos... perdeu, playboy, tá dominado... tá tudo dominado...
Vamos nos consolar pensando na História. As invasões bárbaras não duram para sempre. Uns duzentinhos anos, trezentinhos, e quem sabe não temos outra campanha de diretas já? Nesse meio tempo, podemos até escrever uma história própria, interessante como as dos passados de outros povos: intrigas na Corte, lutas dinásticas, assassinatos de pais e irmãos, de mães e de filhos, na briga pelo poder... cada povo tem a história, e a civilização, que pode ter...
Eu é que preferia ler essas histórias de lutas de dinastias apenas em Plutarco ou em Shakespeare, e não nas páginas do jornal. Como será a vida na Nova Zelândia? Será que eles aceitam pedidos de cidadania?
Em tempo: o nosso sistema eleitoral já é repleto de distorções e equívocos. Nenhum sistema será perfeito, mas algumas falhas que se evidenciem podem ser discutidas e corrigidas. Não sou radicalmente avesso a qualquer mudança. Porém, se houver mudança, ela precisa servir para aproximar o eleitor de seu representante, aprimorar os mecanismos de fiscalização e controle. Jamais as mudanças podem servir para afastar o eleitor de seu candidato. Jamais os problemas do sistema devem ser vistos como pretexto para mutilar, ou até matar, a democracia. A discussão sobre um modelo melhor de representação política fica para outro artigo. Este é só para servir de alerta.
Mas qual é esse projeto mágico, capaz de reunir inimigos tão figadais quanto os velhos comunas do PCdoB e do PPS (ex-Partido Comunista Brasileiro), os nossos “liberais” (põe aspa nisso) do DEM, e o PT, auto-proclamado guardião da ética? O PMDB não surpreende em nada, está em todas mesmo.
Mas deve ser um projeto e tanto mesmo, pra reunir tantas cabeças coroadas, de cinco grandes (no sentido de tamanho, é claro) partidos do nosso Brasi-zil-zil (ah, me dêem um lenço, eu vou chorar...)
Pois o ilustre projeto propõe o financiamento público de campanhas (já ouvi falar em coisa de um bilhãozinho anual, mas isso ainda não é o pior. Ai ai ai.). O projeto propõe ainda (e isto é o pior) o voto em lista fechada.
O que isto significa? Que o povo vai perder o direito de votar numa pessoa de sua escolha, ou deixar de votar em uma pessoa de sua escolha. Ele vai ter de votar numa lista, com uma ordem de nomes de candidatos estabelecida pelos partidos, e esta ordem terá de ser seguida para preencher os cargos na Assembléia.
Não é lindo? Está explicado o que reuniu caciques tão diversos. Nada como um estuprozinho da democracia para gerar um consenso. Nada como combinar um arranjo pra dar todo o poder pros caciques dos nossos partidos, pra deixá-los satisfeitos. Eles é que mandam nos partidos, eles organizam as listas, e só eles vão entrar na festa, eles e os amiguinhos, ninguém pra protestar, encher o saco, dar dor de cabeça... Nada como uma pequena reserva de poder. Nada como escolher os nomes de quem vai partilhar com eles o poder. Tutti buona genti, tutti cosa nostra...
Mas o brasileiro é um forte, e não desiste nunca! Não é assim que fala na propaganda? Um paisinho em que as pesquisas mostram que a maioria do povo nem considera a democracia tão importante assim, um paisinho desses logo supera o trauma. O novo Congresso prometeu aumentar o carnaval para quinze dias. Depois, é só dar um mandato eterno pro Lulinha, podíamos coroá-lo também.
Já pensou? Lulinha I, o Paz e Amor. Lulinha vai ficar tão chique, de coroa dourada e manto púrpura... e nós vamos ficar bem contentinhos, enquanto nos roubam a democracia. Mas nós nem entendemos direito essa coisa de democracia. Isso deve ser uma invenção de gringo, isso não deve nem fazer muito bem nos trópicos... perdeu, playboy, tá dominado... tá tudo dominado...
Vamos nos consolar pensando na História. As invasões bárbaras não duram para sempre. Uns duzentinhos anos, trezentinhos, e quem sabe não temos outra campanha de diretas já? Nesse meio tempo, podemos até escrever uma história própria, interessante como as dos passados de outros povos: intrigas na Corte, lutas dinásticas, assassinatos de pais e irmãos, de mães e de filhos, na briga pelo poder... cada povo tem a história, e a civilização, que pode ter...
Eu é que preferia ler essas histórias de lutas de dinastias apenas em Plutarco ou em Shakespeare, e não nas páginas do jornal. Como será a vida na Nova Zelândia? Será que eles aceitam pedidos de cidadania?
Em tempo: o nosso sistema eleitoral já é repleto de distorções e equívocos. Nenhum sistema será perfeito, mas algumas falhas que se evidenciem podem ser discutidas e corrigidas. Não sou radicalmente avesso a qualquer mudança. Porém, se houver mudança, ela precisa servir para aproximar o eleitor de seu representante, aprimorar os mecanismos de fiscalização e controle. Jamais as mudanças podem servir para afastar o eleitor de seu candidato. Jamais os problemas do sistema devem ser vistos como pretexto para mutilar, ou até matar, a democracia. A discussão sobre um modelo melhor de representação política fica para outro artigo. Este é só para servir de alerta.
Assinar:
Postagens (Atom)