O caso Arruda, se arrastando a semanas... o que nos mostra o caso Arruda? Com toda a simplicidade, com toda a honestidade, o caso Arruda nos mostra que não funcionamos como sociedade. Que não somos um país digno.
É cristalino, isto, é exato. Tem toda a força da imagem, da realidade, por mais que uns e outros iludidos por doces miragens de palácios, de privilégios, de aclamações internacionais, de bajuladores, enxerguem um país lindo, e culpem a imprensa por não espelhar esta fantasia de suas mentes.
No país lindo, de 80% de popularidade, não existe essa coisa feia chamada corrupção. Também não existem essas outras coisas feias, jovens morrendo assassinados em números alarmantes; isto se passa naquele outro país, das periferias, onde não temos os muitos homens armados para nos fazer a segurança, a nossa e a dos nossos filhos. Carros blindados, helicópteros, vizinhanças ilustres... o que os olhos não vêem, o coração não sente.
No outro país, aquele das periferias, um jovem no Recife foi assassinado com dois tiros na cabeça. Alcides do Nascimento, 22 anos. Um fato tão corriqueiro, que nem ia dar manchete no jornal. E os bandidos que deram cabo do jovem agiam ao dispor de uma vida como quem confia absolutamente na impunidade que grassa no país. Deram azar porque o caso chegou aos jornais, como mais um símbolo de um país celerado, que vitima seus melhores valores. O rapaz assassinado superava todas as dificuldades de sua origem pobre, filho de uma catadora de papel, e prestava o último ano para se formar na faculdade de biomedicina.
E ele é mais um entre milhares, entre jovens e velhos, mulheres e crianças, vitimados nas nossas violentas periferias/estradas/subúrbios/favelas, vitimados pela nossa desorganização, pela nossa cultura de impunidade, pela nossa sociedade corrupta, pela nossa polícia que não investiga, pelo nosso Judiciário que não pune.
Não poderemos jamais quebrar esta velha maldição que nos consome, enquanto aceitarmos “pragmaticamente” estas realidades, ou enquanto fantasiarmos que elas não existem. Se a realidade é a de um sujeito manejando um grande escândalo de corrupção, enfiando milhões de dinheiros nos bolsos, nas pastas, nas meias e cuecas, cheio de cúmplices e cupinchas, e se esta realidade está gravada, documentada, escancarada para toda a nação, o que é que justifica que esta pessoa continue no comando, continue nos ilustres cargos de deputados, governadores, chefes de gabinete, continue a comandar a polícia que reprime as manifestações, continue a contar piadas e a fazer deboches?
Sim, precisa haver o processo. Mas como é que os nossos processos não se concluem, semanas após semanas, com todas as evidências de vídeos, de escutas, de investigações? Como é que os processos se arrastam, sem que haja uma decisão, uma voz de comando, para afastar da dignidade de cargos públicos pessoas que cometem gravíssimos crimes? Para que estas pessoas encontrem punição para os crimes gravíssimos que praticaram?
Por que é que os nossos processos ganham decisões que não espelham a realidade? Por que é que os nossos processos concluem que não houve corrupção, não houve crime, não é cabida a prisão, quando tantos e tantos destes acusados não explicam absolutamente o modo como amealharam fortunas? QUANDO EXISTEM IMAGENS, QUANDO EXISTEM ÁUDIOS, QUANDO EXISTEM PILHAS DE DINHEIRO EM CIMA DE MESAS SEM QUE SE EXPLIQUE A ORIGEM?
Enquanto os milhões são negociados e rateados nos muitos esquemas, nas periferias falta tudo, e sobra violência. E os homens que deviam estar empregando seus talentos e esforços para dar fim a estas tantas mazelas que afligem tantos da nossa população, os homens que estão nestes cargos de poder e responsabilidade, estão usando suas posições e seu engenho para organizar mais um golpe, e enfiar mais um maço de dinheiro no rabo.
Mas felizmente nada disso acontece no nosso lindo país. O Alcides do Nascimento não morreu assassinado, e só os jovens que já eram “coisas ruins” mesmo, envolvidos com droga, é que são assassinados nas periferias, e eles mereciam, é bom que seja assim.
E se as nossas prisões quase não vêem um desses corruptos de milhões, um desses gente-fina, poderosos, “da alta”, isto acontece porque vivemos num país em que quase não acontecem estes grandes desvios de dinheiro público. Um país onde as pessoas ganham pelo trabalho feito, e em que podem justificar com a fronte erguida a origem de cada ganho.
A imagem do sujeito enfiando o dinheiro na cueca? Isso não diz nada. Temos de esperar a conclusão do processo, com a decisão condenatória decisiva. Se esta decisão não vier nunca, ou vier daqui a 30 anos, e anunciar que ocorreu a prescrição, ou que não foi seguida alguma formalidade do processo, seguiremos na lógica do lunático, aferrados à fantasia: “Foi só caixa-dois”; “todo mundo faz”; “foi coisa de uns aloprados”; “não podemos prejulgar”. E a realidade vai seguindo cor-de-rosa para esses, os amigos não estão na prisão, eles próprios não estão na prisão, todos continuam com seus rendimentos fluindo, viajando para suas palestras em congressos de amigos, intermediando negócios com suas influências, com seus altos cargos, com suas mansões e castelos, com seus seguranças e seus muitos direitos adquiridos, votados em causa própria.
O problema é: se a realidade é enxergada em cor-de-rosa, por que é que se lutar pra mudá-la? Pra ela ficar mais cinza? Ora, se a realidade é cor-de-rosa, mantenha-se assim. E os milhões que têm a realidade muito mais cinza, e até negra? Estes não têm de fato o poder, apenas formalmente.
Realmente, a lei diz que o poder emana do povo. Mas a nossa prática impõe uma nítida distinção entre os governantes e os governados. A nossa prática é a dos políticos que se perpetuam no poder, é a das nossas distintas dinastias que DOMINAM nos seus feudos, sempre os mesmos, um jogo de cartas marcadas.
E os novos talentos que surgem são facilmente cooptados. É só dançar conforme a música, tem muito lombo de trouxa pra fazer a festa. Tem muita pele pra ser esfolada. E o Grande Esquema não precisa mudar e não muda.
Mudará. Em alguma geração mudará. Para isso precisaremos de uma massa crítica de pessoas esclarecidas, com valores dignos e honestos. Por aí se vê o valor prioritário, fundamental, de uma boa educação, no sentido amplo da palavra.
Sinto dizer que esta mudança para um país digno não está no horizonte ainda da nossa próxima geração. É triste dizê-lo, mas eu não poderia compactuar com a mentira e a empulhação. Esta nossa jovem geração amarga os últimos lugares nos exames internacionais de matemática, de ciências, de compreensão de textos. Nossa escola sofre de imensas mazelas, pra não falar da desestrutura em que vivem tantas das nossas famílias.
Mas tudo isto mudará. Vemos o exemplo de escolas que conseguiram superar suas dificuldades e oferecem um bom ensino. Vemos o exemplo de profissionais dedicados, construindo suas ilhas de excelência. São ilhas, por enquanto, mas o bom exemplo irá se multiplicar, se propagar, progredir. Um novo sistema, superior, vai superar o antigo. A boa notícia é que, a contar do momento em que construirmos este sistema de educação, não digo ótimo, apenas razoável, para um suficiente número de escolas, bastará a esta geração crescer, para que os resultados se façam sentir.
Em dez ou quinze anos, a contar do momento em que um ensino de melhor qualidade tiver sido instituído mais igualitariamente pelo país, nos seus rincões, subúrbios, periferias e favelas... O tempo para que um número suficiente, a tal massa crítica, de crianças destes lugares mais desfavorecidos, levar para crescer, depois de ter recebido um ensino apenas minimamente adequado...
Uma seguinte geração já iria aprimorá-lo em mais alguns graus, e estender o seu alcance para uma percentual ainda maior de jovens... e um círculo virtuoso, progressivo, se instalaria.
Mas o ponto de virada, o divisor de águas, seria este primeiro momento em que se atingisse este limite mínimo de qualidade e difusão do ensino. Em que se conseguisse simplesmente alfabetizar bem, e difundir o prazer da leitura. Para este mínimo necessário percentual de alunos, que constituiria a futura elite à frente do país.
Uma futura elite que não terá aquela visão e aquele compromisso com a “realidade cor-de-rosa”, falsa, dos eternos privilegiados do nosso país injusto. Quando se alcançar esta massa crítica de uma elite de pessoas com o discernimento que só uma educação de qualidade produz, e esta elite ocupar os cargos e os postos de comando, então as realidades negras e cinzas do país serão enfrentadas, e poderão ser mudadas. Quando as crianças da periferia, que viveram a realidade da periferia, a violência e a injustiça, alcançarem um nível de pensamento que lhes permita conceber as soluções para os seus problemas, e a maneira de ver estas soluções adotadas pelo poder público. Será a grande hora para os Alcides do Nascimento, quando ao invés de serem assassinados e desperdiçados, viverão como homens dignos e felizes, construtores de uma realidade melhor para todos nós.
Segue o link com a reportagem no Jornal Nacional sobre o assassinato de Alcides do Nascimento
http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL1482264-10406,00-PE+ASSASSINATO+DE+UNIVERSITARIO+CAUSA+INDIGNACAO.html
Música tema: Bob Dylan, The times they are a´changin
http://sinatti.blogspot.com/search?q=times
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Giordano Bruno
O horror a história de Giordano Bruno. O horror... o horror...
Também, um exemplo de santidade. Giordano Bruno, como outros ao longo da história, deu sua vida por sua dignidade. A dignidade de não abrir mão da sua verdade. O exemplo de Giordano Bruno, e de outros como ele, mostra o ponto em que pode chegar a brutalidade humana.
Quantos foram mortos, como ele, nas fogueiras e campos de extermínio, da intolerância humana. Não aceitar um pensamento diferente é não aceitar o ser humano que carrega esta verdade própria.
Grandes criminosos os que usam a violência para endossar suas opiniões. A recusa à violência é o moral, é o mandamento divino. Tantos que preferem a solução “fácil”, do assassinato, do extermínio, ao invés de se esforçar na construção de um mundo melhor, para todos. A sociedade não “funciona”, na cabeça destes? Façam ela funcionar. Lutem por ela. Dêem o seu sangue por ela. Sejam honestos, e responsáveis. Mas não deixem que a corrupção do poder e do dinheiro justifique seus crimes horrorosos. Não aceitem derramar o sangue alheio, pela “sociedade”, ou pela “humanidade”, ou por um algum grande ideal. Pela pureza do comunismo, ou para acabar com a heresia. Acabar com os subversivos.
Assassinatos. Torturas. A maior podridão. Todos ganham uma chancela moral em nossas mentes doentes. Tudo passa a ser justificado por uns supostos “grandes fins”. Mas tudo mal esconde uma luta ferrenha para suprir ambições. Para não perder os postos de comando.
Assim é que a alma gananciosa odeia a verdade de alguns indivíduos que ameaçam suas posições de poder. Assim é que ela odeia estes indivíduos, e os procura eliminar.
Giordano Bruno (Nola, 1548 – Roma, 1600) foi um escritor, filósofo, teólogo, frade dominicano. Condenado porque sua visão do universo foi dita herética, por uns homens com poder, e que se julgavam os senhores da verdade. Os donos do Cristo, segundo julgavam, eis que Cristo se identificou com a Verdade (“Eu sou o caminho, a verdade e a vida”).
Por culpa destes poderosos os últimos oito anos de sua vida Giordano Bruno passou numa prisão, sofrendo torturas. No seu último interrogatório, recusou retratar-se, sustentou sua opinião. Foi queimado numa fogueira, impiamente, como tantas “bruxas”, tantos “hereges”, tantos “diferentes”. A intolerância humana mostrada em sua face mais corrupta e demoníaca.
Giordano Bruno, um último detalhe sórdido, para pintar a podridão: teve a língua perfurada com madeira e um prego, para que não pudesse “blasfemar” enquanto ia para a fogueira. Delito de opinião...
Horrível, mas serve para nos alertar do ponto a que pode chegar a intolerância humana a serviço de uma causa. Tenhamos cuidado com nossas certezas, com nossas “iras santas”. Nada mais assustador e mais próximo do fanatismo que aquele que se enche de “razões” pra defender aquilo que considera “A” verdade. Numa simples briga de trânsito, ou discussão em mesa de jogo, podemos ver a face horrenda da violência intransigente. Mas é em momentos de escassez e de medo, e é no grande cenário da política, que temos os retratos mais nítidos deste mal.
Lembremos o horrível massacre que os cruzados promoveram na Terra Santa, quando pela primeira vez a retomaram dos muçulmanos. Lembremos os horríveis massacres que tiveram lugar no período jacobino da Revolução Francesa, ou durante a Revolução Cultural promovida por Mao Tse Tung na China, ou no Camboja do Khmer Vermelho, ou na Rússia de Lenin e Stalin. Em todos estes exemplos, alguns auto-proclamados senhores da verdade lançavam mão do extermínio dos dissidentes. Negavam o direito do ser humano a uma opinião própria. Uma única “verdade”, tal como eles a entendiam, era tolerada...
Horrível a história de Giordano Bruno, mas ela também nos lembra a força do caráter e da integridade humanas, chegando às raias da santidade.
Segundo consta, a própria Divindade teria escolhido este destino humano, de sacrifício em prol da Verdade, ao realizar sua encarnação...
Existe o filme Giordano Bruno, corajoso e imperdível. Italiano, de 1973, dirigido por Giuliano Montaldo. Cotação: (excelente)
Informações adicionais, Giordano Bruno, consulte wikipedia http://pt.wikipedia.org/wiki/Giordano_Bruno
Também, um exemplo de santidade. Giordano Bruno, como outros ao longo da história, deu sua vida por sua dignidade. A dignidade de não abrir mão da sua verdade. O exemplo de Giordano Bruno, e de outros como ele, mostra o ponto em que pode chegar a brutalidade humana.
Quantos foram mortos, como ele, nas fogueiras e campos de extermínio, da intolerância humana. Não aceitar um pensamento diferente é não aceitar o ser humano que carrega esta verdade própria.
Grandes criminosos os que usam a violência para endossar suas opiniões. A recusa à violência é o moral, é o mandamento divino. Tantos que preferem a solução “fácil”, do assassinato, do extermínio, ao invés de se esforçar na construção de um mundo melhor, para todos. A sociedade não “funciona”, na cabeça destes? Façam ela funcionar. Lutem por ela. Dêem o seu sangue por ela. Sejam honestos, e responsáveis. Mas não deixem que a corrupção do poder e do dinheiro justifique seus crimes horrorosos. Não aceitem derramar o sangue alheio, pela “sociedade”, ou pela “humanidade”, ou por um algum grande ideal. Pela pureza do comunismo, ou para acabar com a heresia. Acabar com os subversivos.
Assassinatos. Torturas. A maior podridão. Todos ganham uma chancela moral em nossas mentes doentes. Tudo passa a ser justificado por uns supostos “grandes fins”. Mas tudo mal esconde uma luta ferrenha para suprir ambições. Para não perder os postos de comando.
Assim é que a alma gananciosa odeia a verdade de alguns indivíduos que ameaçam suas posições de poder. Assim é que ela odeia estes indivíduos, e os procura eliminar.
Giordano Bruno (Nola, 1548 – Roma, 1600) foi um escritor, filósofo, teólogo, frade dominicano. Condenado porque sua visão do universo foi dita herética, por uns homens com poder, e que se julgavam os senhores da verdade. Os donos do Cristo, segundo julgavam, eis que Cristo se identificou com a Verdade (“Eu sou o caminho, a verdade e a vida”).
Por culpa destes poderosos os últimos oito anos de sua vida Giordano Bruno passou numa prisão, sofrendo torturas. No seu último interrogatório, recusou retratar-se, sustentou sua opinião. Foi queimado numa fogueira, impiamente, como tantas “bruxas”, tantos “hereges”, tantos “diferentes”. A intolerância humana mostrada em sua face mais corrupta e demoníaca.
Giordano Bruno, um último detalhe sórdido, para pintar a podridão: teve a língua perfurada com madeira e um prego, para que não pudesse “blasfemar” enquanto ia para a fogueira. Delito de opinião...
Horrível, mas serve para nos alertar do ponto a que pode chegar a intolerância humana a serviço de uma causa. Tenhamos cuidado com nossas certezas, com nossas “iras santas”. Nada mais assustador e mais próximo do fanatismo que aquele que se enche de “razões” pra defender aquilo que considera “A” verdade. Numa simples briga de trânsito, ou discussão em mesa de jogo, podemos ver a face horrenda da violência intransigente. Mas é em momentos de escassez e de medo, e é no grande cenário da política, que temos os retratos mais nítidos deste mal.
Lembremos o horrível massacre que os cruzados promoveram na Terra Santa, quando pela primeira vez a retomaram dos muçulmanos. Lembremos os horríveis massacres que tiveram lugar no período jacobino da Revolução Francesa, ou durante a Revolução Cultural promovida por Mao Tse Tung na China, ou no Camboja do Khmer Vermelho, ou na Rússia de Lenin e Stalin. Em todos estes exemplos, alguns auto-proclamados senhores da verdade lançavam mão do extermínio dos dissidentes. Negavam o direito do ser humano a uma opinião própria. Uma única “verdade”, tal como eles a entendiam, era tolerada...
Horrível a história de Giordano Bruno, mas ela também nos lembra a força do caráter e da integridade humanas, chegando às raias da santidade.
Segundo consta, a própria Divindade teria escolhido este destino humano, de sacrifício em prol da Verdade, ao realizar sua encarnação...
Existe o filme Giordano Bruno, corajoso e imperdível. Italiano, de 1973, dirigido por Giuliano Montaldo. Cotação: (excelente)
Informações adicionais, Giordano Bruno, consulte wikipedia http://pt.wikipedia.org/wiki/Giordano_Bruno
sábado, 6 de fevereiro de 2010
It takes a lot to laugh, it takes a train to cry - Bob Dylan
http://www.youtube.com/watch?v=FPseMUJZSQ8
Uma de vagabundo, de trem e de estrada:
Precisa de muito para rir, mas precisa de um trem para chorar
Estou de carona no trem de correio, querida,
Não posso comprar uma alegria
Eu fiquei acordado a noite inteira
Apoiado no parapeito da janela
Bem, e se eu morrer,
No topo da colina?
Se eu não conseguir...
Você sabe, minha querida consegue.
A lua não parece boa, querida,
Brilhando por entre as árvores?
E o guarda de trilho não parece bom,
Sinalizando o duplo E?
O sol não parece bom,
Descendo por sobre o mar?
E a minha garota não parece bonita,
Quando ela vem me procurando?
Agora o inverno está chegando,
As janelas estão cheias de geada
Eu fui contar pra todo mundo,
Mas não consegui me fazer entender
Eu quero ser o seu amante, querida,
Eu não quero ser seu patrão
Não diga que eu nunca te quis,
Quando o seu trem se perder...
E um vídeo bônus: http://www.youtube.com/watch?v=7uTm0kFwjhg
Uma de vagabundo, de trem e de estrada:
Precisa de muito para rir, mas precisa de um trem para chorar
Estou de carona no trem de correio, querida,
Não posso comprar uma alegria
Eu fiquei acordado a noite inteira
Apoiado no parapeito da janela
Bem, e se eu morrer,
No topo da colina?
Se eu não conseguir...
Você sabe, minha querida consegue.
A lua não parece boa, querida,
Brilhando por entre as árvores?
E o guarda de trilho não parece bom,
Sinalizando o duplo E?
O sol não parece bom,
Descendo por sobre o mar?
E a minha garota não parece bonita,
Quando ela vem me procurando?
Agora o inverno está chegando,
As janelas estão cheias de geada
Eu fui contar pra todo mundo,
Mas não consegui me fazer entender
Eu quero ser o seu amante, querida,
Eu não quero ser seu patrão
Não diga que eu nunca te quis,
Quando o seu trem se perder...
E um vídeo bônus: http://www.youtube.com/watch?v=7uTm0kFwjhg
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
You got the silver - Rolling Stones
Outra dos Stones, essa na voz do Keith Richards (e que interpretação!). Do grande disco Let it bleed, resposta agressiva/irônica ao "deixa estar" (Let it be) dos Beatles. Deixa sangrar:
http://www.youtube.com/watch?v=qqZ0BFSaNFw
http://www.youtube.com/watch?v=qqZ0BFSaNFw
sábado, 2 de janeiro de 2010
Divisão
O que é inteiramente imoral é haver tanto trabalho útil a ser feito, e trabalhadores ansiando pela oportunidade de fazê-lo, deixar de ser feito, em razão de apropriadores corruptos do dinheiro que deveria ser bem empregado.
O custo desta corrupção é inestimável. Em vidas. Vidas que poderiam ser salvas se um pouco de trabalho bem feito tivesse sido empregado. Encostas que desabam, por falta de obras, por falta de investimentos? Culpa desta desorganização, que permite esta imoralidade.
Um desses grandes ricos espertos, curtindo na impunidade, o quanto de trabalho ele não impede de ser feito? Um desses ricos bem ricos, que embolsam U$ 450 milhões em contas no exterior. Quanto só isso representa de trabalho de alguém que ganha um salário, R$ 450? Resposta, admirável: um milhão e oitocentos mil. Um milhão e oitocentas mil pessoas, que poderiam ganhar um salário, um meio digno de vida, para conter uma encosta, ou fazer um reflorestamento, ou construir um canal de escoamento, ou fazer um saneamento, ou dar uma aula, ou trocar um curativo, e que fica no bolso de UM dos nossos tantos corruptos.
O dia em que este povo vai sorrir de contente será o dia em que este povo acabar com esta imoralidade. Pegar o dinheiro que arrecada, e usá-lo TODO para pagar pessoas que desempenham um trabalho útil. Um trabalho que se submeta à fiscalização da sociedade que o paga.
Até este dia chegar, nosso povo não estará realmente livre.
O custo desta corrupção é inestimável. Em vidas. Vidas que poderiam ser salvas se um pouco de trabalho bem feito tivesse sido empregado. Encostas que desabam, por falta de obras, por falta de investimentos? Culpa desta desorganização, que permite esta imoralidade.
Um desses grandes ricos espertos, curtindo na impunidade, o quanto de trabalho ele não impede de ser feito? Um desses ricos bem ricos, que embolsam U$ 450 milhões em contas no exterior. Quanto só isso representa de trabalho de alguém que ganha um salário, R$ 450? Resposta, admirável: um milhão e oitocentos mil. Um milhão e oitocentas mil pessoas, que poderiam ganhar um salário, um meio digno de vida, para conter uma encosta, ou fazer um reflorestamento, ou construir um canal de escoamento, ou fazer um saneamento, ou dar uma aula, ou trocar um curativo, e que fica no bolso de UM dos nossos tantos corruptos.
O dia em que este povo vai sorrir de contente será o dia em que este povo acabar com esta imoralidade. Pegar o dinheiro que arrecada, e usá-lo TODO para pagar pessoas que desempenham um trabalho útil. Um trabalho que se submeta à fiscalização da sociedade que o paga.
Até este dia chegar, nosso povo não estará realmente livre.
Daniel Dantas
Sem ganhar destaque em primeira capa, veio a notícia de que o juiz Arnaldo Esteves Lima do nosso Superior Tribunal de Justiça decidiu suspender todas as ações da Operação Satiagraha, que investiga o banqueiro Daniel Dantas.
O caso, que já havia provocado rumores diversos nos noticiários do país, com o juiz Fausto de Sanctis mandando prender o banqueiro duas vezes, e o presidente do Supremo Tribunal Federal dando duas liminares mandando soltar, liminares que provocaram questionamentos diversos, com mal estar e repreensões ao Juiz de primeira instância por parte de Gilmar. Fausto de Sanctis foi inclusive afastado do caso. Lembra-se ainda que as liminares foram dadas com uma presteza exemplar, pelo juiz do Supremo.
Depois disso, como uma bomba espalhando seu raio de alcance, o terremoto chegou na Polícia Federal: cenas inéditas no país: o delegado que chefiava a operação, Protógenes Queiroz, foi afastado não só da investigação, mas da própria Polícia Federal. A bomba explodiu tão forte que o próprio diretor da Agência Brasileira de Inteligência, Paulo Lacerda, foi demitido do cargo que ocupava desde outubro de 2007. Ganhou um “prêmio de consolação”, entretanto, sendo nomeado pelo Governo adido policial (?) em Portugal.
Dantas teve inclusive uma condenação em ação penal por corrupção ativa e suborno, ganhando pena nada desprezível de dez anos e multa de R$ 12 milhões. Mas, pela notícia do Globo de 22.12.2009, até mesmo esta ação penal foi suspensa pela decisão do juiz do Superior Tribunal de Justiça.
Seguindo com a notícia de Flávio Freire, “A decisão beneficia Dantas também porque o STJ decidiu suspender a cooperação internacional. A Justiça dos Estados Unidos havia bloqueado contas do empresário naquele país que somariam U$ 450 milhões. A Secretaria Nacional de Justiça pediu a ajuda americana para tentar repatriar esse dinheiro para o Brasil.”
Como se vê, a decisão do juiz do STJ tem amplíssima repercussão. Fico imaginando a situação do funcionário que foi comunicar à Justiça dos Estados Unidos o teor da decisão: “- Hey, mister! Sabe aquela cooperação internacional que tínhamos? Aquela em que vocês bloquearam as contas de um banqueiro que respondia processo na Justiça do Brasil, aquelas contas de US$ 450 milhões de dólares? Pois é, tá suspenso. Libera a grana, aí, o money. É que teve uma decisão nova aí, da nossa Justiça...”
O caso do suborno que resultou na condenação de Dantas foi gravado pela polícia e apareceu nos noticiários televisivos: o delegado federal Vitor Hugo Rodrigues Alves relatou ao juiz criminal Fausto de Sanctis que recebeu proposta de um milhão de reais (vou repetir: UM MILHÃO DE REAIS), para deixar de fora da investigação Daniel Dantas e seus parentes. Foi daí que veio a autorização judicial para gravação e monitoramento de telefonemas e encontros entre o delegado e os homens que se apresentaram como emissários do banqueiro, para negociação da propina.
Um deles, Hugo Chicaroni, foi preso em seu apartamento com R$ 1,3 milhão em dinheiro vivo. Este mesmo Chicaroni foi gravado dizendo ao delegado que “a preocupação de Daniel Dantas seria apenas com o processo na primeira instância, uma vez que, no Superior Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal, ele resolveria tudo com facilidade".
Pois é. O caso de Daniel Dantas se arrasta há meses em nossos noticiários, e tem implicações amplas, como temos visto. Não vou me estender sobre o assunto, mas vai um link da internet com outras informações, para os interessados: http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL640374-10406,00-PF+PRENDE+DANIEL+DANTAS+NAJI+NAHAS+E+CELSO+PITTA.html
Não conheço detalhes das “argumentações jurídicas” empregadas pelos advogados de Dantas, e pelos juízes que já decidiram sobre o caso. Mas entendo que as decisões da Justiça deveriam ter os olhos bem abertos para os FATOS. É UM MILHÃO DE DÓLARES que foi encontrado no apartamento? São dois milhões de dólares na cueca? São dez milhões em cima de uma mesa? São 450 milhões em contas bancárias no exterior? Isto é um fato? E por que é que não se questiona severamente a origem deste dinheiro? E por que é que não se pune exemplarmente estes que têm as montanhas de dinheiro sem poder explicar as origens? É um fato pequenininho, a que não se deve dar atenção? Ou é uma montanha de excremento na frente do nariz, CLAMANDO POR SER LIMPADA? UM POVO EXPLORADO CLAMANDO POR JUSTIÇA?
E isto tudo gravado, filmado, documentado, carimbado em três vias... mas nunca se chega a condenações, sempre se tropeça nas filigranas... ou nas filiGRANAS... ignora-se o fato clamoroso, em prol da “argumentação jurídica”. E “argumentação jurídica” é que não falta, para todos os gostos...
E se perdendo assim nas filigranas é que a toda hora a nossa Justiça põe na rua um sujeito de altíssima periculosidade. Sujeitos presos com fuzis, com mísseis, com lança-chamas, assassinos, estupradores, líderes de bandos altamente armados, pegam seis meses, pegam um ano... saem com um de tantos recursos, de um de tantos juízes, saem para visitas de Natal, dia dos pais, dia das mães, dia das crianças, saem e esquecem de voltar, presos de alta periculosidade, sujeitos que desviam milhões, voltam e voltam para atormentar a sociedade... mas é a sociedade sem os seguranças, sem os helicópteros, sem os condomínios-fortalezas... deixa penar, e não vai ser o sujeitinho da esquina que vai cobrar alguma coisa das decisões que a Justiça lhe empurra pela garganta...
Este é o ponto que deve fazer parte do nosso processo penal, a ser pensado e cobrado de nossos legisladores e juízes. Amor aos fatos, e acabar com amor aos dinheiros.
E agora, vamos à nossa lição de matemática: 450 milhões de dólares. Vamos simplificar botando um dólar a 2 reais: 900 milhões de reais. Vamos comparar com o nosso salário mínimo nacional, já com valores de 2010, cerca de 500 reais: é igual a um milhão e oitocentos mil salários! Um milhão e oitocentos mil trabalhadores. Ou um milhão e oitocentos mil meses de trabalho, e isso no país onde muitos trabalham e não ganham um salário. Dividido por anos, e dando décimo terceiro de lambuja, dá 138.461 anos! Dispensando os trocados. É o tempo que um trabalhador ganhando salário mínimo levaria para juntar o dinheirinho encontrado.
E esta é a medida dos fatos.
Trilha sonora: Plebe Rude, Até quando esperar: http://www.youtube.com/watch?v=syL3QlD9S3M
A canção de rock de todos os tempos
Se me perguntarem qual é A minha canção de rock de todos os tempos, a resposta seria essa: All along the watchtower, composição de Bob Dylan, interpretação de Jimi Hendrix e Experience:http://www.youtube.com/watch?v=14qTXRkAKr8
Composta por Dylan para o álbum John Wesley Harding, de 1968, foi gravada por Hendrix no álbum Electric Ladyland, também de 1968, que marcou o final do conjunto Jimi Hendrix Experience, e foi o último álbum "oficial", de estúdio, finalizado por Hendrix.
No livro das gravações comentadas de Dylan, Larousse, tem a informação: "Dylan lembrou em Biograph: "Ela provavelmente veio a mim durante uma tempestade de raios e trovões, tenho certeza". Consulte Isaías 21: cavaleiros trazem notícias sobre a queda de Babilônia."
Letra traduzida:
"Deve haver alguma saída daqui" - disse o Comediante para o Ladrão,
"Tem confusão demais. Eu não consigo qualquer alívio,
Homens de negócio, eles bebem meu vinho,
Lavradores cavam a terra que é minha
Nenhum deles ao longo da linha
É capaz de saber o valor de tudo isso"
"Não há razão pra ficar nervoso"
O Ladrão gentilmente respondeu
"Há muitos aqui entre nós
Que sentem que a vida não é mais que uma piada
Mas você e eu, nós passamos por isso,
E este não é nosso destino
Então vamos deixar de falar com falsidade agora
O tempo está se esgotando"
Por todos os lados da Torre de Vigia
Príncipes apuravam a vista
Enquanto todas as mulheres corriam de um lado pro outro
Servas descalças também
Lá fora na distância fria
Um gato selvagem realmente rugiu
Dois cavaleiros se aproximavam
E o vento começou a uivar
Composta por Dylan para o álbum John Wesley Harding, de 1968, foi gravada por Hendrix no álbum Electric Ladyland, também de 1968, que marcou o final do conjunto Jimi Hendrix Experience, e foi o último álbum "oficial", de estúdio, finalizado por Hendrix.
No livro das gravações comentadas de Dylan, Larousse, tem a informação: "Dylan lembrou em Biograph: "Ela provavelmente veio a mim durante uma tempestade de raios e trovões, tenho certeza". Consulte Isaías 21: cavaleiros trazem notícias sobre a queda de Babilônia."
Letra traduzida:
"Deve haver alguma saída daqui" - disse o Comediante para o Ladrão,
"Tem confusão demais. Eu não consigo qualquer alívio,
Homens de negócio, eles bebem meu vinho,
Lavradores cavam a terra que é minha
Nenhum deles ao longo da linha
É capaz de saber o valor de tudo isso"
"Não há razão pra ficar nervoso"
O Ladrão gentilmente respondeu
"Há muitos aqui entre nós
Que sentem que a vida não é mais que uma piada
Mas você e eu, nós passamos por isso,
E este não é nosso destino
Então vamos deixar de falar com falsidade agora
O tempo está se esgotando"
Por todos os lados da Torre de Vigia
Príncipes apuravam a vista
Enquanto todas as mulheres corriam de um lado pro outro
Servas descalças também
Lá fora na distância fria
Um gato selvagem realmente rugiu
Dois cavaleiros se aproximavam
E o vento começou a uivar
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