sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O palhaço e a palhaçada, ou Vote Tiririca! Pior que tá não fica!




Na revista Veja de 22.09.2010 o artigo de Roberto Pompeu de Toledo, “Fraudes Eleitorais”, fala do fenômeno destas eleições, o palhaço Tiririca. Candidato a deputado federal por São Paulo, ele lidera as pesquisas de intenção de voto. Eis um link para a íntegra do artigo: http://avaranda.blogspot.com/2010/09/roberto-pompeu-de-toledo_19.html

Toledo alerta para uma das artimanhas do nosso sistema político: “O leitor opta por um candidato e elege outro. (...) Isso acontece porque os puxadores angariam votos muito além do chamado “quociente eleitoral”, o necessário para se eleger. As sobras vão para o partido ou a coligação.”

Ou seja, “a avalanche de votos que, ao que se divisa no horizonte, o conduzirá (a Tiririca) à Câmara Federal levará a reboque outros candidatos do seu partido (PR) e dos coligados PT, PC do B, PRB e PT do B.”

Um desses candidatos que entrarão “a reboque” do palhaço Tiririca é seu companheiro de partido, Valdemar Costa Neto. Envolvido no escândalo do mensalão, tendo inclusive confessado que recebeu dinheiro de Delúbio Soares, o ex-tesoureiro do PT, renunciou em 2005 para não ser cassado, e reelegeu-se em 2006. Vai, agora, “entrar no vácuo” do palhaço, pra renovar seu mandato.

O artigo de Roberto Pompeu de Toledo lembra ainda que os eleitores de Tiririca talvez pensem que seu voto é uma forma de protesto contra a palhaçada de um sistema eleitoral que permite tais engodos, e os revolta. Mas com seu próprio voto-desabafo, voto-protesto, jogam o jogo dos que se aproveitam de tais brechas em benefício próprio.

Não é o único absurdo da nossa legislação eleitoral. Temos Senadores sem um único voto! Senadores, sim! Como o caso do figuraço Wellington Salgado, olhem a imagem para entender do que estou falando:





Como é que se dá o fenômeno de, numa democracia, um sujeito se tornar senador sem um único voto?

Bem, Wellington Salgado foi um dos principais financiadores da campanha que elegeu Hélio Costa senador pelo estado de Minas Gerais em 2002, sendo também seu primeiro suplente. Trata-se de uma clássica combinação de talentos: Helio Costa entrou com a notoriedade de seu nome, Wellington Salgado entrou com seu prestígio monetário. Quando Helio Costa foi nomeado ministro das Comunicações pelo presidente Lula, em julho de 2005, Salgado assumiu a titularidade do mandato de Senador.. Ou seja, o eleitor de Helio Costa levou Salgado ao Senado, sem sequer conhecê-lo.

Coisa tão linda, esta nossa democracia!

Um último caso ilustrativo: Lindbergh Farias elegeu-se deputado federal pelo PC do B em 1994. Em 1997, mudou de partido, ingressando no PSTU. Em 1998, embora recebesse expressiva votação (73 mil votos), não conseguiu se reeleger, porque seu partido não atingiu coeficiente eleitoral suficiente. Pelo mesmo motivo, não pôde assumir o cargo de vereador do Rio de Janeiro, em 2000, embora fosse o quarto mais votado, com 47 mil votos.

Deus sabe que não morro de amores por Lindbergh ou pelo radicalzinho PSTU, com seu famigerado slogan, “Contra burguês, vote 16”. Mas penso que se frustra mais um pouco
a democracia quando as regras do sistema fazem uma pessoa com menos votos ser eleita, outra com mais votos ficar de fora.

Não precisamos gastar nossas lágrimas com Lindbergh, contudo. Ele acabou aprendendo sua lição, e pulou pro PT em 2001, elegendo-se deputado federal, e depois prefeito de Nova Iguaçu por dois mandatos. Agora, é um dos favoritos para uma das vagas do Senado pelo Rio de Janeiro, disputando com Cesar Maia e o bispo Crivella. Oh, Deus...

Mas este é o nosso sistema eleitoral. Ninguém pode me convencer de que tal sistema é sério, ou democrático. Para quem tentasse, eu sugeriria assistir um Programa Eleitoral Gratuito (outra pequena fraude: não é gratuito coisa nenhuma, as emissoras descontam o tempo de propaganda dos seus impostos de renda; imaginem a fábula: 100 minutos de horário nobre, de todos os canais abertos, todos os dias, exceto os domingos...). O desfile acelerado daqueles picaretas insanos: “Você me conhece”; “olha pra mim”; “contra o imperialismo ianque”; “a favor dos direitos das jabuticabas”; “meu nome é Enééééas!” 10 segundos, 4 segundos, 3 segundos, para a sua mensagem. E quem os conhece, e como é que se escolhe, e quem se lembra dos nomes em que se votou na eleição passada?

Uma grande piada, um grande circo, uma grande palhaçada. Mas de sérias e terríveis consequências. É simplesmente o Poder, e como será exercido na nossa sociedade. São simplesmente as leis que vão nos conduzir.

Nessa hora eu devo explicar, para não ser vítima de mal intencionados, que de forma alguma defendo qualquer solução não democrática para os defeitos do nosso sistema eleitoral. Não creio em nenhum “Líder Iluminado”, ou “Partido Iluminado”, que vá “botar ordem na casa”.

Qualquer reforma do nosso sistema eleitoral precisaria se dar num sentido de aprofundar a democracia, termos mais democracia, verdadeira democracia, efetiva democracia. Num sentido de aproximar o eleitor de seu representante, e submeter o representante à fiscalização do eleitor, da sociedade como um todo. Democracia é isso, todo o Poder emana do povo, artigo 1, parágrafo único de nossa Constituição Federal.

Qualquer reforma precisa ser num sentido de aclarar e simplificar o sistema. Cada voto ter o mesmo peso, cada cidadão ter os mesmos direitos, inclusive de ver os representantes eleitos prestando contas de sua atuação. Qualquer reforma precisa lutar contra os engodos e as injustiças deste sistema, que leva X com mil votos a ficar de fora, e Y com 10 votos (ou sem nenhum voto) a entrar.

Qual seria, então, esta reforma perfeita? Lembrando que não existe reforma perfeita. Mas qual seria, então, esta reforma para melhorar, para termos mais democracia, e não menos democracia? Em termos concretos, e não genéricos, qual seria esta reforma?

A pergunta de um milhão de dólares. Para uma tentativa de resposta, um esboço de resposta, um começo de resposta, um próximo artigo.

sábado, 18 de setembro de 2010

The lonesome death of Hattie Carroll - Bob Dylan






Outras duas versões dessa música fantástica. No blog tem uma postagem antiga com a letra traduzida.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Então é isso?




Ficamos assim, então. Erenice Guerra, a Ministra da Casa Civil, “coração do Governo”, como definiu o próprio Presidente da República, “aparelha” o Estado com diversos parentes e chegados em cargos de confiança: um irmão na Infraero, depois na Controladoria Geral da União, o filho na Agência Nacional de Aviação Civil, uma irmã no Ministério do Planejamento, a ex-cunhada na Secretaria do Patrimônio da União, outro irmão no Ministério das Cidades, um amigo de seu filho na Casa Civil... ufa!

Além de tudo isso, lemos no jornal O Globo de 14.09.2010 que Erenice pressionou para que o comando dos Correios fosse trocado, e indicou presidente e o diretor de operações daquela estatal.

Daí então, ficamos sabendo das vantagens de se ter tanta gente conhecida, amiga, tomando decisões que envolvem contratos com órgãos públicos. O filho de Erenice foi acusado pela Revista Veja de ter conseguido um contrato para uma empresa de transportes com os Correios, mesmo não possuindo a tal empresa os requisitos para assumir o contrato. Um contrato de 84 milhões, e o filho de Erenice embolsaria 5 milhões, era sua “taxa de sucesso”. Que serviria também para o pagamento de “compromissos políticos”, conforme justificativa do filho de Erenice.

Mas não ficou por aí. Aparecem novas denúncias, de um empresário que afirma que intermediava com o mesmo filho de Erenice, Israel Guerra, um empréstimo de 9 bilhões no BNDES. De novo, haveria a tal “taxa de sucesso”, padronizada em 5% da grana, no caso, 450 milhões arredondados, que também serviria para pagar uma dívida de uma tal de “dama de ferro”. Oh, que mistério...

E claro que Erenice não cumpria seu dever de servidora pública, de prestar informações de sua renda, e de parentes que tivesse na Administração Pública. Deixou de apresentar os seus dados, embora a Comissão de Ética a cobrasse, reiteradas vezes, sem resposta. Ficou por isso mesmo, até que o caso viesse a público, quando então a Comissão de Ética se resolveu a tomar uma providência: Erenice foi punida com uma “censura ética”, seja lá o que for isso. E ficamos por isso mesmo.

Com tudo isso acontecendo, e só sabemos daquilo que vaza pra imprensa, a pontinha do iceberg, Erenice foi se reunir com outros altos figurões, para organizar sua linha de defesa. Erenice veio a público, para ler uma acusação contra a oposição. Erenice, tadinha, se diz a vítima de uma “sórdida campanha”, e acusou o adversário político de ser “aético e já derrotado”. Agora, o chefão de todos, o presidente Lula, segue a mesma linha: em comício com sua candidata, em Juiz de Fora, discursa:

" - Estou sabendo que tem gente nervosa, e não somos nós que estamos aqui. Levanta a mão para eu ver se tem alguém tremendo aqui. Não tem ninguém. Do lado de lá, se mandar levantar a mão, tem gente que vai perder os dedos de tanta tremedeira. Eles estão com raiva, não acreditaram que eu ia ganhar em 2002. depois, acreditavam que não ia dar certo, e deu tão certo que até eles colocam minha cara no programa da TV como se fossem meus amigos."

Que interessante, não? Tudo se resolve sempre, exclusivamente, na campanha... fazem acusações de corrupção pesada, roubo de milhões, desvio de finalidade do poder público, desequilíbrio da disputa eleitoral, ameaças à própria democracia. Mas a resposta que se dá é um ataque aos adversários políticos. É o clima de guerra, de vale tudo instaurado. É nós contra eles, até a morte. Temos de extirpar opositores, como declarou recentemente nosso presidente, secundado por sua candidata.

E depois Lula diz que “eles” estão com raiva. É sempre “eles”, não é, presidente, nunca somos “nós”. O inferno são os outros, não é, presidente? O problema nunca é com os parentes que nomeamos, com os nossos milhões que não se explicam, com o nosso descumprimento das leis...

O discurso de nosso presidente nos diz mais. Ele pensa que há uma conspiração contra ele. É o outro lado do delírio megalomaníaco. Por um lado, sente-se imbatível, 80% de popularidade! Eu cheguei lá! EU CHEGUEI LÁ! EU... CHEGUEI... LÁ... EU... EU... EU...

Por outro lado, aqueles 20% estão contra mim... Eles me odeiam... eles odeiam o meu sucesso... Eles querem me destruir... A MIM... A MIM... A MIM...

E então é o vale tudo. E então é a guerra. Você não está do meu lado? Então você é bom. Se rouba, é pra mim. Se nomeia parentes, eu vou me favorecer. Vale tudo, nós temos de EXTIRPAR, ESTÁ OUVINDO, EXTIRPAR, O ADVERSÁRIO! SÃO ELES, OU SOMOS NÓS!

Não, não é democrático. Não é sequer civilizado. Onde é o final da ditadura? Nas prisões, nas masmorras, nas torturas, nos desaparecimentos, nos assassinatos em série? Na censura da imprensa, na cassação de políticos? Na uniformização do pensamento, na proibição da liberdade de pensar, de criticar, de se manifestar?

Lá vai o Brasil / Descendo a ladeira... Para onde estamos indo? Aonde podemos chegar? É Cuba o modelo? É União Soviética? É Venezuela? É China? É o próprio Brasil, de 1964, de 1937?

Pode corrupção? Pode aparelhamento? Vale tudo, se for pelo Partido, tudo para se perpetuar no poder?

Não é democrático, não é republicano, mas quem sabe, na massa de analfabetos, o que significa republicano? Quem sabe o que significa democracia? Mesmo nossos universitários, nossa elite intelectual, pouco lê, contenta-se em repetir velhos chavões gastos de dois séculos, é cômodo, dispensa de pensar por conta própria...

Imagino as velhas “justificativas ideológicas”, para os mais letrados: “NÓS SOMOS O GOVERNO DO POVO”; “NÓS PRECISAMOS DEFENDER O POVO DA SANHA DO CAPITALISMO NEO-LIBERAL IMPERIALISTA IANQUE”; “NÓS FAREMOS RESSURGIR A CHAMA DO SOCIALISMO, ESSA IDÉIA TÃO ELEVADA, TÃO PURA”; “NÓS SOMOS AS PESSOAS LINDAS, OS ILUMINADOS DESTE MUNDO”; “NÓS MERECEMOS ESTE PODER, HOJE E PARA TODO O SEMPRE, NOSSOS INIMIGOS SÃO O MAL, QUEREM VENDER ESTE PAÍS, SÃO OS INIMIGOS DO POVO”; “ESSA PREOCUPAÇÃO COM MORALIDADE É PEQUENO-BURGUESA, É DEMODÉ, É NEURÓTICA”.

Para a distinta platéia, atiram-se alguns ossos: diz-se que vai haver investigação, “doa a quem doer”. “A fundo”. Mas isto já havia sido dito, quando estourou o caso dos “aloprados”, quatro anos atrás. 1,7 milhão em dinheiro vivo, em cima de uma mesa, para pagar dossiê contra adversário político, prisões em flagrante de membros da campanha eleitoral do petista Aloísio Mercadante para o Governo de São Paulo. E o que deu? Parentes dos aloprados continuam com bons empreguinhos na Administração; aloprados foram readmitidos no partido; foram readmitidos em cargos públicos, foram apanhados em outra fraude; e não se ouve falar de qualquer punição...

Ou então se repete que: “se errar, tem de pagar”. As acusações são de crimes envolvendo, literalmente, centenas de milhões. Bilhões, para ser mais exato. Crimes contra a democracia. Mas o máximo que se admite falar é em “erros”. Talvez porque “crime”, só quando a Justiça brasileira tiver dado uma decisão de que não caibam recursos. Uma decisão de última instância, ou com trânsito em julgado. Só que certos crimes no Brasil não transitam nunca em julgado. Um assassino de uma mulher, com três tiros de revólver, por motivo torpe, confesso, fica por dez anos em liberdade (e continua contando...), esperando a tal decisão transitada em julgado... e é tudo normal, é tudo assim mesmo, é meu Brasil, brasileiro, e não seja ingênuo...

Ou então o caso prescreve, e a Justiça manda arquivar, sem julgar o mérito. É o que diz a Revista Veja a respeito de Joaquim Roriz, Maluf, dentre outros políticos, numa reportagem sobre crimes prescritos, em 28.07.2010:

“O ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz, hoje no PSC, foi denunciado à Justiça em 2003 sob a acusação de ter comprado remédios sem licitação, por preços altíssimos. O caso só foi analisado em primeira instância há duas semanas, mas já estava prescrito. Por isso, foi arquivado”

A reportagem completa, de Laura Diniz, pode ser lida neste link, STJ na mídia (sim, sim, a Justiça monitora sua imagem na mídia):

http://www.google.com.br/url?sa=t&source=web&cd=4&ved=0CCAQFjAD&url=http%3A%2F%2Fwww.stj.myclipp.inf.br%2Fdefault.asp%3Fsmenu%3Dnoticias%26dtlh%3D146516%26iABA%3DNot%25EDcias%26exp%3D&ei=z2mVTJv7OMP-8AaIwJWNDA&usg=AFQjCNHdO3pwvJ5oIS-kwyoziFyp5BJW3Q

Vocês repararam bem? A acusação é de compra de remédios superfaturados. REMÉDIOS, ENTENDEU? ROUBO DE DINHEIRO PÚBLICO, PREJUÍZO DA SAÚDE PÚBLICA, PREJUÍZO DA VIDA DE BRASILEIROS.

Mas sinto muito, prescreveu, a Justiça se abstém de julgar. Não, não pode investigar, não se pode punir. Prescreveu, já era. É coisa técnica, não é para uns leigos opinarem, mesmo. Pode ter havido um crime contra a Saúde Pública, um agente público envolvido, mas já não interessa. Já tem o que, sete anos? Pois é, sinto muito, mas não deu tempo de analisar isso, não deu tempo de analisar outro desvio de alguns milhões, é isso. Segue a vida. Morreu. Não se fala mais nisso. É carnaval / é folia / neste dia / ninguém chora...

Um último aspecto que gostaria de destacar no pronunciamento do Lula: a parte em que ele debocha dos adversários colocarem a sua cara no programa eleitoral, como se eles fossem seus amigos. E neste ponto eu tenho de concordar com O Cara. Que papel ridículo desempenhava Serra, antes da disputa eleitoral começar, posando para fotos ao lado de Lula e de Dilma! Que espécie de oposição é essa? Consideravam O Cara tão imbatível, que não se atreviam a fazer-lhe críticas? Pois agora engulam mais essa!

Melhor seria se tivessem se atido a princípios. Que honestidade possui uma oposição a favor? Uma oposição que abdica do direito de se opor, do direito de criticar? Desempenhassem seu papel com honestidade, e ainda que perdessem, não pagariam esse mico... esse gorila, esse King Kong...

Do jeito que tá tá bom. Com esse Governo, com essa Oposição...

Mas o brasileiro é um forte, e não desiste nunca!

É isso, por hoje...

Bob Dylan - Things have changed



Não estranhem ao ver no clipe desta música algumas figurinhas conhecidas de atores. Tobey Maguire, Michael Douglas, e o pitéuzinho Katie Holmes. É que a música é da trilha sonora do filme Garotos Incríveis (Wonder Boys), de 2000.

Desde Pat Garrett e Billy The Kid (1973) Dylan não compunha música para um filme. Fez esta Things have changed atendendo um pedido do diretor Curtis Hanson, seu amigo. E acabou compondo mais um clássico para integrar suas coletâneas, e ganhando um Oscar por esta canção. Dylan agradeceu à Academia com típico orgulho, parabenizando-a "por ter tido a coragem homenagear uma música que não doura a pílula da natureza humana nem finge não enxergá-la".

O filme é uma comédia satírica sobre a crise de meia idade, e a música parece ter captado bem este espírito. Dylan, com 59 anos, de tantos engajamentos passados, parece se auto-ironizar: Eu costumava me importar /Mas as coisas mudaram".

Alguma crítica que li acusava Dylan de ter escrito uma letra em que os versos não formavam um todo coeso, algo assim. Mas pra mim é admirável justamente que estas imagens soltas da letra transmitam tão bem a idéia geral, a crise da meia idade, com um senso de humor amargo, nada complacente.

Bom, vejam a letra vocês mesmos. E não esqueçam de pegar na locadora o filme, é uma boa comédia, com bons atores. O clipe é que é um bocado tosco e incompreensível.

As coisas mudaram

Um homem preocupado
com uma mente ansiosa

Ninguém à minha frente
e nada por detrás

Tem uma mulher no meu colo e ela
está bebendo champanhe

tem pele branca
tem olhos assassinos

eu estou olhando pra cima
os céus pintados de safira

estou bem vestido
esperando pelo último trem

de pé sobre o patíbulo
com um laço em volta do pescoço

a qualquer instante agora
eu aguardo que todo o Inferno vá se libertar

Pessoas são loucas
e os tempos são estranhos

Eu estou trancado aqui dentro
estou fora de alcance

Eu costumava me importar mas
As coisas mudaram

Este lugar não está me ajudando em nada
estou na cidade errada, tinha de ser Hollywood

Só por um instante, agora,
Pensei ter visto algo se mexer...

Vou ter lições de dança
Fazer o passo do jitterbug

Não existem atalhos
Vou me vestir em trapos

Só um tolo por aqui pensaria
ter alguma coisa pra provar

Muita água passou por debaixo da ponte
muitas outras coisas também

Não se levantem, cavalheiros,
estou só de passagem

Pessoas são loucas
e os tempos são estranhos

Eu estou trancado aqui dentro
estou fora de alcance

Eu costumava me importar mas
As coisas mudaram

Estive caminhando 40 milhas
de estrada ruim

Se a bíblia está certa o mundo
vai explodir

Estive tentando ficar tão longe de mim
quanto pude

algumas coisas são quentes demais pra tocar
a mente humana tem um limite pra aguentar

Você não pode vencer
com uma mão de cartas ruim

Sinto como se caísse de amor
pela primeira mulher que encontro,

A pusesse num barril e
rolasse o barril rua abaixo

Pessoas são loucas
e os tempos são estranhos

Eu estou trancado aqui dentro
estou fora de alcance

Eu costumava me importar mas
As coisas mudaram

eu me machuco fácil
eu só não demonstro

você pode ferir alguém
e sequer perceber

os próximos sessenta segundos podem ser como
eternidade

Vou descer até a sarjeta
Vou voar até o céu

Toda a verdade do mundo se junta
e forma uma grande mentira

Estou apaixonado por uma mulher
que sequer me atrai

Pessoas são loucas
e os tempos são estranhos

Eu estou trancado aqui dentro
estou fora de alcance

Eu costumava me importar mas
As coisas mudaram






Things Have Changed
A worried man with a worried mind
No one in front of me and nothing behind
There's a woman on my left and she's drinking champagne
Got white skin, got assassin's eyes
I'm lookin' up into the sapphire-tinted skies
I'm well dressed, waitin' on the last train
Standin' on the gallows with my head in a noose
Any minute now I'm expectin' all hell to break loose
People are crazy and times are strange
I'm locked in tight, I'm out of range
I used to care but - things have changed.
This place ain't doin' me any good
I'm in the wrong town, I should've been in Hollywood
Just for a second there I thought I saw something move
Gonna take dancin' lessons, do the jitterbug rag
Ain't no shortcuts, gonna dress in drag
Only a fool in here would think he got anythin' to prove
Lotta water under the bridge, lotta other stuff too
Don't get up gentlemen, I'm only passing through
People are crazy and times are strange
I'm locked in tight, I'm out of range
I used to care but - things have changed.
I've been walkin' forty miles of bad road
If the Bible is right the world will explode
I'm tryin' to get as far away from myself as I can
Some things are too hot to touch
The human mind can only stand so much
You can't win with a losing hand
Feel like falling in love with the first woman I meet
Puttin' her in a wheelbarrow and wheelin' her down the street
People are crazy and times are strange
I'm locked in tight, I'm out of range
I used to care but - things have changed.
I hurt easy, I just don't show it
You can hurt someone and not even know it
The next sixty seconds could be like an eternity
Gonna get lowdown, gonna fly high
All the truth in the world adds up to one big lie
I'm in love with a woman that don't even appeal to me
Mr. Jinx and miss Lucy they jumped in a lake
I'm not that eager to make a mistake
People are crazy and times are strange
I'm locked in tight, I'm out of range
I used to care but - things have changed.

Nosso homem em Havana




"Vaidade das vaidades, tudo é vaidade, diz o pregador.

Mais vale um jovem pobre, porém sábio, do que um rei velho, mas insensato e que não aceita mais conselhos.

O jovem foi tirado da prisão e tornou-se rei, embora tivesse nascido pobre durante o reinado do outro.

Mas observei que todos os vivos, que caminham sob o sol, ficam do lado do jovem, que vem ocupar o lugar do outro.

Há sempre numerosa multidão de povo para quem se põe a liderá-la. Entretanto, a geração seguinte já não estará contente com ele.

Na verdade, também isso é vaidade e corrida atrás do vento.

Também vi esta sabedoria debaixo do sol, que para mim foi grande:

Houve uma pequena cidade em que havia poucos homens, e veio contra ela um grande rei, e a cercou e levantou contra ela grandes baluartes;

E encontrou-se nela um sábio pobre, que livrou aquela cidade pela sua sabedoria, e ninguém se lembrava daquele pobre homem.

Então disse eu: Melhor é a sabedoria do que a força, ainda que a sabedoria do pobre foi desprezada, e as suas palavras não foram ouvidas.

As palavras dos sábios devem em silêncio ser ouvidas, mais do que o clamor do que domina entre os tolos.

Melhor é a sabedoria do que as armas de guerra, porém um só pecador destrói muitos bens.

De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo o homem.

Porque Deus há de trazer a juízo toda a obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau."

- Excertos do Eclesiastes



Não percam o artigo de Merval Pereira no Globo de hoje, "O papel de Dirceu". Link: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/09/09/o-papel-de-dirceu-322857.asp

Simplesmente é dito que o camarada José Dirceu, nosso bolchevique, nosso espião cubano, nosso companheiro em armas, andou montando "um serviço secreto dentro do PT. Uma coisa que será sigilosa e que as pessoas sequer saberão que existe (sic). E esse serviço vai ficar subordinado diretamente a mim (Dirceu)."

Engraçado, ainda, no artigo, que a revelação de José Dirceu é atribuída à sua "descomunal vaidade".

Mas já não fica engraçado, quando lembramos que Stalin dominou o Partido que ocupava o poder, de modo totalitário, na pobre Rússia, e assim pôde exercer sua tirania pessoal depois da morte de Lenin.

Parabéns, Lulinha, por sua capacidade de estadista. Com você descobrimos que o Brasil dos desvalidos, como num quadro do Silvio Santos, "Topa tudo por dinheiro"!

Nada de novo sob o sol; nunca faltaram os exploradores da miséria, prontos a usar como massa de manobra, para servir à própria vaidade, as multidões dos humilhados e ofendidos.

Como é a sensação de enfraquecer as instituições, fortalecer os que se servem do crime para atingir os seus fins, jogar o jogo do vale tudo, topa tudo por poder?

Como é a sensação de abrir a porta pro ladrão e assassino? De colocar sonífero na bebida do dono da casa?

Será que Lulinha vai repetir, com Luís XV, que "depois de mim, o dilúvio"?

Não vale dizer depois, empanturrado de luxo e de vinho, arrotando grandeza, que "eu não sabia de nada...; coitadinho de mim..."

A Roda continua girando... façam suas apostas!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Lula sobre:




O escândalo do mensalão:

"Eu tenho certeza que não teve mensalão. Isso me cheira a folclore no Congresso."

"O que o PT fez, do ponto de vista eleitoral, é o que é feito no Brasil sistematicamente.”

O escândalo da nomeação de parentes e aliados para cargos públicos por meio de atos secretos, que envolveu o senador José Sarney:

“O Sarney tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum.”

Os escândalos envolvendo o senador Renan Calheiros, que teve despesas com a amante pagas por um lobista, e foi acusado de usar “laranjas” na compra de duas rádios e um jornal:

“Não posso permitir que pessoas que não têm moral critiquem um amigo que me apoiou tanto como o senador Renan Calheiros”

O escândalo do uso de passagens aéreas por parlamentares, para fins particulares:

“Isso é coisa mais velha que a descoberta do Brasil”

“Acho que esse não é o problema do Brasil, temos outras coisas sérias pra descobrir”

“Eu não vejo onde está o tamanho do crime que as pessoas estão vendendo.”

“Existe uma hipocrisia muito grande nessa história da Câmara. Sempre foi assim.”

As repetidas multas que levou do Tribunal Superior Eleitoral por fazer campanha antecipada para sua candidata, Dilma Rousseff:

“Hoje eu vou ler o meu discurso. Hoje eu vou ler, porque eu estou sendo multado todo dia e, daqui a pouco, eu vou ter que trabalhar o resto da vida pra pagar multa”

O escândalo da quebra de sigilo fiscal e bancário de adversários políticos:

“Cadê esse tal de sigilo que não apareceu até agora? Cadê o vazamento das informações?”

Uma pequena amostra, recolhida em meia hora de pesquisa na internet.

E QUE SE LIXE A OPINIÃO PÚBLICA!!!!!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Silvio - Bob Dylan


rock it!


http://listen.grooveshark.com/#/s/Silvio/2VeHrC


SILVIO

Finque meu futuro
em um passado infernal

Parece que o amanhã

Vai se aproximando bem rápido

Eu não estou reclamando
com relação ao que eu tenho,

Já tive dias melhores,
mas quem é que não teve?

Silvio,
Prata e ouro

não vão comprar de volta a batida
de um coração que envelheceu

Silvio,
eu tenho de ir

Descobri uma coisa
que só homens mortos conhecem

Honesto como um cavalo
arrastando aquela pedra

Quando eu vier batendo na porta
não me venha jogar um osso

Eu sou um velho cachorro malvado
procurando por um lar

Se você não gosta de mim
você pode me deixar em paz

Eu posso estalar os dedos
e exigir a chuva

Em um dia claro de sol
e fazer parar de novo

Eu posso bater no seu corpo
e aliviar sua dor

Soar com o encanto
De um trem noturno

Silvio,
Prata e ouro

não vão comprar de volta a batida
de um coração que envelheceu

Silvio,
eu tenho de ir

Descobri uma coisa
que só homens mortos conhecem

Eu dou o que tenho, até que não tenho mais,
Eu pego o que consigo, até igualar o placar,

Você sabe que eu te amo e mais ainda
Quando for a hora de ir você tem a porta aberta

Eu posso te contar, doçura,
eu posso te contar francamente

Você desiste de algo pra cada coisa que ganha
Visto que cada prazer tem seu gume de dor

PAGUE POR SEU BILHETE E NÃO RECLAME!

Silvio,
Prata e ouro

não vão comprar de volta a batida
de um coração que envelheceu

Silvio,
eu tenho de ir

Descobri uma coisa
que só homens mortos conhecem

Um dia desses,
e não vai demorar,

vou descer até o vale
e cantar minha canção...

Vou cantá-la alto
Cantá-la forte

Deixar o eco decidir
se estive certo ou errado

Silvio,
Prata e ouro

não vão comprar de volta a batida
de um coração que envelheceu

Silvio,
eu tenho de ir

Descobri uma coisa
que só homens mortos conhecem





Silvio
Bob Dylan

Stake my future on a hell of a past
Looks like tomorrow is coming on fast
Ain't complaining 'bout what I got
Seen better times, but who has not?
Silvio
Silver and gold
Won't buy back the beat of a heart grown cold
Silvio
I gotta go
Find out something only dead men know
Honest as the next jade rolling that stone
When I come knocking don't throw me no bone
I'm an old boll weevil looking for a home
If you don't like it you can leave me alone
I can snap my fingers and require the rain
From a clear blue sky and turn it off again
I can stroke your body and relieve your pain
And charm the whistle off an evening train
I give what I got until I got no more
I take what I get until I even the score
You know I love you and furthermore
When it's time to go you got an open door
I can tell you fancy, I can tell you plain
You give something up for everything you gain
Since every pleasure's got an edge of pain
Pay for your ticket and don't complain
One of these days and it won't be long
Going down in the valley and sing my song
I will sing it loud and sing it strong
Let the echo decide if I was right or wrong
Silvio
Silver and gold
Won't buy back the beat of a heart grown cold
Silvio
I gotta go
Find out something only dead men know