segunda-feira, 24 de junho de 2013

Pode ser a gota d´água 2

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Gostaria de lembrar aos integrantes dos movimentos de protesto que o povo nas ruas costuma ter atendida suas reivindicações, daí a importância de se ter reivindicações, concretas, para constranger o governante de plantão a atendê-las.

Foi assim (na minha experiência pessoal) no movimento pelas eleições diretas, em 1983. Foi assim no impeachment do Collor, em 1992. Também agora, quando houve um recuo generalizado do Governo para rever o aumento das passagens de ônibus, estopim do movimento.

Só que não era apenas por 20 centavos, como logo disse o slogan. O movimento cresceu por força da insatisfação generalizada com o constante deboche na política, a impunidade dos poderosos, o roubo cada dia mais descarado.

Não tínhamos mais oposição, satisfeita e conformada com seu lugar no segundo escalão do poder, sem princípios, acovardada, aceitando o jogo nos termos que lhe são impostos pelo Governo, sem levantar e sustentar bandeiras que representassem uma real alternativa a este desastre em que se meteu o país.

Não tínhamos mais movimentos sociais, sociedade organizada, todos com as lideranças compradas pelo Governo. Sindicatos, União dos Estudantes, Movimento dos Sem Terra, Organizações Não Governamentais... todos se locupletando de imensas transferências de verbas, todos torrando dinheiro público sem precisar prestar contas... e todos satisfeitos, caladinhos, obedecendo ao Governo...

Instituições, Ministério Público, Justiça? Todos vão muito bem, obrigado, recebendo muitas vezes acima do teto salarial, graças a indenizações as quais eles próprios decidem que têm direito, indenização por trabalho desgastante, indenização por trabalho extenuante, auxílio moradia, auxílio alimentação, retroativo, evidentemente, que a fome é grande...

Enquanto isso, cadê a cadeia pros aloprados com milhões em dinheiro vivo, em cima da mesa? Cadê a cadeia pro assessor cheio de dólares na cueca? Sabe como é, tem tanto trabalho, e são tantos recursos... Já deve estar tudo prescrito, e cadeia, só depois da decisão final do Supremo, e da decisão final sobre a decisão final do Supremo...

Antes disso, o deputado do assessor de cueca recheada pode ser líder do partido do Governo. Os deputados condenados pela decisão final do Supremo (não era a final da final) podem integrar comissões... de Justiça! E os aloprados podem assumir outros cargos em comissão, em alguma prefeitura ou órgão público periférico, esperando a poeira baixar...

Foi nesse cenário que a revolta explodiu, vulcão em chamas. Se as aspirações populares não encontram vazão pelos canais das instituições, precisam explodir a montanha.

Mas a questão é: o que fazer para não diluir em vão esta força? Para que um resultado duradouro aconteça, na forma de um aprofundamento da democracia no Brasil?

Sim, porque até o contrário é possível, e a revolta legítima pode degenerar em anarquia, e daí para um führer salvacionista, que prometa restaurar a ORDEM, é um pulinho... Behemoth e Leviatã, os dois monstros gêmeos, a lei do mais forte, a lei da selva.

É o que toma o lugar, quando falha a lei do homem, a lei dos princípios, a lei dos valores.

Portanto:

Reforma política já!

Voto distrital já!

A cada brasileiro um voto!

Igualdade já!

Liberdade já!


sábado, 22 de junho de 2013

Política de droga - 2

Boa ilustração para o artigo anterior forneceu este caso do juiz de Brasília, que anos atrás mandou prender o grupo Planet Hemp por apologia ao crime, e agora foi aposentado compulsoriamente (maior punição administrativa aplicada a um juiz) por vender sentenças a traficantes de drogas.

Claro que este juiz era contrário à legalização. Seria imoral, perder esta fonte de lucro fácil...

Quanta hipocrisia...



sexta-feira, 21 de junho de 2013

Pode ser a gota d´água



Os movimentos populares dos últimos dias impressionam. São milhões indo às ruas, para expressar revolta e indignação.

Nada contra, muito pelo contrário. Quem é feito de palhaço, quem é roubado e sofre deboche, quem recebe diariamente sua cota de humilhação e abuso, tem mais é de se indignar e se revoltar. Até demorou, mas veio. A primavera tupiniquim. Antes tarde do que nunca.

O problema, porém, é o foco. Contra o que se revoltam os revoltados? A resposta comum, “contra tudo isso que está aí”, é uma não-resposta. Revoltar-se por tudo equivale a revoltar-se por nada. Quem tenta ir em todas as direções ao mesmo tempo permanece parado.

É preciso mirar o coração do monstro para não perder a força do golpe. Qual é o coração do monstro?

Estamos revoltados porque não temos representação política. Nossos anseios e nossas queixas esbarram num muro de arrogância e indiferença erguido por nossos representantes. Existe um abismo entre nós e eles. Existem duas castas neste país, uma casta de incomuns, os poderosos e suas camarilhas de puxa-sacos, financiadores de campanhas, filhos, netos e agregados, e uma casta de comuns, os otários que pagam a conta, que sofrem com algum dos péssimos serviços prestados, seja público ou privado, com educação de péssima qualidade, com hospitais e médicos de fachada, sem Justiça, sem segurança, em ônibus lotados, em engarrafamentos quilométricos, extorquidos até o osso, em contas nada transparentes, enquanto algum dos espertos passeia de helicóptero ou jatinho, vai até Nova Iorque ou Paris (trés chique) dar uma volta...

Então, este é o nosso problema, nosso Pecado Original, aquilo que divide nossa sociedade entre senhores e escravos. O coração do monstro.

A falta de representatividade, o abismo invisível, mas muito real, entre governantes e governados. Para os comuns, vale a lei, vale a porrada do PM, vale a tortura dentro da delegacia, vale ser assassinado dentro de alguma favela.

Para os poderosos, como se vai processá-los? Não sabiam que era um incomum? E o Supremo logo providencia uma liminar, um habeas corpus...

E onde está a igualdade? “Todos são iguais perante a lei ...”, onde isso? Dentro de um livro? Palavras?

Mas precisa ser real, encarnado no meu semelhante de carne e osso. Aquele com quem esbarro todos os dias, quando vou para a rua. Meu semelhante, meu igual, nem senhor nem escravo. Compartilhando dos mesmos princípios, ele vive do seu trabalho, qualquer que seja ele, eu vivo do meu. E ambos temos a dignidade das nossas vidas respeitada, em um país que se organiza, em uma sociedade que rejeita a violência, rejeita a fraude, e que preza o esforço.

Mas isto seria um nação, uma comunidade de homens e mulheres livres.

Livres, porque iguais.

Isto seria uma sociedade sem estes “profissionais” da política, que se eternizam no poder, como se fosse a coisa mais natural do mundo. E dizem que passam a vida servindo ao povo, quando na verdade se servem dele, no café da manhã, no almoço e no jantar.

Passam a vida se entupindo de todos os direitos, e também do que não é direito, enquanto deixa pros outros, aquela ralé, o cumprimento de todos os deveres.

Este é o abismo que se precisa tapar. Este é o muro que se precisa derrubar. Aquilo que nos divide.

O coração do monstro.

É preciso mirar o golpe, concentrar os esforços, ou se perde o momento, e o monstro nos devora.

Exigir transporte gratuito, ou a superação do capitalismo, ou o fim da corrupção, ou um mundo melhor, nada disso vale 20 centavos. Serve para desviar o foco, perder o golpe, tornar mais alerta o monstro.

O seu coração, a sua força, o domínio que exerce, ele exerce na política.

“Todo o poder emana do povo”, mas ele tomou para si o poder. Ao se encher de privilégios, ao não admitir qualquer limite. Ao se colocar como senhor de escravos.

Daí é que decorrem os dois regimes de trabalho, um para os comuns, e outro para os incomuns. Daí decorrem os dois regimes de aposentadoria. Daí decorrem os hospitais onde se trata a fina flor da sociedade, e os matadouros onde se destratam os que não têm pistolão. Daí decorrem os batalhões de seguranças para nossas autoridades, e os locais onde ser assassinado é perfeitamente normal, só um número pra engordar estatísticas.

Chega de senadores que não têm voto! São representantes de quem?

Chega de ter um deputado federal que teve 200 votos, enquanto outro que disputou o mesmo cargo e teve 2.000 votos não se elegeu! Porque o primeiro é do Acre e o segundo é de São Paulo? Isto não é justificativa! Cada cidadão precisa ter a força igual do seu voto!

Chega de um Tiririca se eleger deputado com um milhão de votos, e trazer de contrabando, no seu vácuo, um Valdemar da Costa Neto com mil votos, e mais meia dúzia de espertalhões, para serem deputados também!

Este é o coração do monstro, o ponto que ele teme!

Reforma política já! Voto distrital já! O fim do abismo entre representantes e representados! Cada brasileiro com a força igual do seu voto!



quarta-feira, 22 de maio de 2013

Política de Droga



 

Uma grande praga atingiu o mundo em 1920, depois da febre espanhola.

Foi a lei seca, nos Estados Unidos.

Talvez que o planeta estivesse muito debilitado, depois dos cinco anos da guerra mais horrenda e assombrosa já vista.

Uma guerra de proporções planetárias. Uma guerra de técnicas cientificamente apuradas pra matar e morrer. Uma guerra de milhões de mortos. Uma guerra que levou a fina flor da juventude das grandes nações da época, das nações que até então dominavam, orgulhosas, o mundo. Uma guerra que mudou o eixo político do mundo, que viu morrer um sistema, pra deixar nascer outro.

Talvez da mesma forma que os corpos e mentes estivessem debilitados depois dessa guerra, o histerismo andasse em alta.

Os pregadores apontando pra infernos, ameaçando com terrores eternos, e à cata de bodes expiatórios para as multidões.

Pressionando para fazer uma lei contra o álcool, uma loucura de cruzada para salvar o mundo desta diabólica droga. E, para tão santos propósitos, apenas o radicalismo se afigura satisfatório: tratava-se de proibir, criminalizar, erradicar, abolir esta droga da face da Terra. Uma Solução Final, nada menos.

As bruxas andavam soltas, em 1920, semeando suas pragas, de resultados duradouros.

A lei seca perdurou de 1920 a 1933. E qual foi o resultado?

O império do crime que se armou. Os gângsteres, comprando aos montes metralhadoras Thompson. Estavam cheios de dinheiro, e disputavam território. E quanto deste monte de dinheiro não serviu à corrupção de policiais, de juízes, de políticos?

“O Nobre Experimento”, como os defensores da lei seca costumavam chamá-la, trazia estes pavorosos resultados.

Em 1933 os custos da proibição para os EUA eram por demais elevados, e a lei seca teve de ser revogada.

Mas seus efeitos deletérios continuariam a se fazer sentir. Afinal, quem se habituou ao monte de dinheiro proporcionado pela proibição havia desenvolvido uma forte dependência.

O império do crime tinha se habituado àquela montanha de dinheiro ilegal. O império da lei, idem.

Mansões, piscinas, iates, as grandes festas, os grandes Gatsby, os anos loucos...

E agora vinham dizer que a farra precisava terminar?

Terminou, de fato, numa Grande Depressão, mas isto já é outra história.

Agora, estamos falando da grana do crime. Dos bilhões que deixaram de circular do bolso de gângsteres para os bolsos de autoridades, via suborno.

Duas montanhas de dinheiro, e uma tal mina de ouro não poderia ficar sem exploradores por muito tempo.

É verdade, em relação ao álcool, droga tão disseminada, tão próxima, os custos eram proibitivos.

Ter de aturar guerra de gangues no próprio território não é brincadeira. Lojas que explodem, manchetes desagradáveis, fotos que embrulham o estômago...

“Mas” - alguém se perguntou, e esta foi a pergunta de um bilhão de dólares - “e se levássemos a proibição a outras drogas, menos inseridas no contexto social, de preferência produzidas bem longe daqui (deixem para outros países os custos de lidar com os grandes cartéis produtores), iniciando uma nova guerra contra as drogas?”

Os resultados? Ora, é a repetição da História: agora, temos fuzis AR-15. O resto é o mesmo, corrupção, mortes, decadência.

Bilhões de dinheiros para cair nas mãos dos criminosos, os novos gângsteres; bilhões de dinheiros para corromper autoridades.

E bilhões em verba para os aparatos de repressão. Bilhões para lutar uma guerra sem fim. Bilhões para multiplicar os condenados, multiplicar os presídios. E o que se ganhou com isso? Quais foram os resultados?

Ninguém pergunta por isso. Seguem com uma resposta emocional, programada: “Polícia, processo, cadeia neles! Vamos produzir um mundo sem drogas! (olha o noble experiment aí...) Um mundo de puros, e isso já lembra os nazistas...

Vamos convocar o Capitão Nascimento pra acabar com essa bandidagem, passa o cerol neles...

Manipularam (manipulam) grotescamente as emoções, os preconceitos sociais... prometem o paraíso, entregam o inferno... tudo bem, porque assim ficam assegurados os bilhões de dinheiro ilegal, o caviar dos políticos corruptos.





domingo, 19 de maio de 2013

L.A. Woman - The Doors


The Crystal Ship - The Doors






The Crystal Ship

Before you slip into unconsciousness,
I'd like to have another kiss,
Another flashing chance at bliss,
Another kiss.
Another kiss.

The days are bright and filled with pain.
Enclose me in your gentle rain.
The time you ran was too insane.
We'll meet again.
We'll meet again.

Oh, tell me where your freedom lies.
The streets are fields that never die.
Deliver me from reasons why
You'd rather cry.
I'd rather fly.

The crystal ship is being filled.
A thousand girls. A thousand thrills.
A million ways to spend your time.
When we get back,
I'll drop a line.
O navio de cristal

Antes que você escorregue
pra dentro da inconsciência

Eu gostaria de ganhar outro beijo
outra chance fugaz de felicidade

Um outro beijo
um outro beijo...

Os dias são claros
e preenchidos com dor

Envolva-me na sua
chuva gentil

O dia em que você foi embora
foi demasiado louco

Nós nos encontraremos de novo
nos encontraremos de novo...

Oh, diga-me onde
sua liberdade se encontra

As ruas são campos
que não morrem jamais

Poupe-me das razões pelas quais
você prefere se lamentar

Eu prefiro voar...

O navio de cristal
está sendo preenchido

Com milhares de garotas
e milhares de emoções

E milhões de maneiras
de gastar o seu tempo

Quando nós estivermos de volta
eu te mando um bilhete



Nossa malandragem ministerial


 


Mais do dobro do Bolsa Família para sustentar 39 Ministérios no Palácio da República. Nunca se viu tamanha inflação de Ministérios, Ministério da Pesca (ainda falta o da Caça), Ministério disso e daquilo. Sempre com ampla margem para preencher com cargos de confiança, assessorias e assessoramentos.

Saúde, um caos. Segurança, grotesca. Educação, um horror.

Mas podemos nos orgulhar de um monte de Ministros, voando pra Roma pra ver a posse do novo Papa, fazendo fortunas prestando “assessorias” milionárias pra empresários com altos interesses em contratos do Governo. Descolando alguns milhões de verbas públicas, para algum projeto mirabolante bolado no seu Ministério, claro que de amplas vantagens para o interesse público, promover a diversidade, a cultura pátria, nossos maiores valores, nosso maior valor sendo, claro, uma bem recheada conta bancária.

Nossos Ministros, escolhidos a dedo para manter os aliados de barriga bem cheia. É preciso agradar os aliados, para manter a “governabilidade” (leia-se: o poder, ad aeternum). E, já que estamos agradando tanto os aliados, por que não agradar um pouco a nós mesmos? Vamos partilhar com nossa patota, também, os despojos, está claro. Uns Ministérios de grande visibilidade, de grandes recursos: aquele Senador que revogou o irrevogável, onde está ele? Vamos dar para ele o Ministério da Educação, ora pois. Crianças, aprendam, junto com a neo-gramática, junto com a novilíngua, com as apostilas milionárias que ensinam que 2+2 é igual a 5, e que a capital do Acre é o Amazonas: Irrevogável. É aquilo que se pode revogar. E fora com o preconceito linguístico.