sexta-feira, 27 de junho de 2025

Ouroboros

26.06.2025


Ouroboros

 

“ - Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si. 

 Isaías 53-11

 

 


A vida e a morte,

O amor e o ódio,

Diante dos homens,

E sem que eles os vejam.

 

E qual dos homens sinceramente diria

Que já sabe o que vai acontecer?

 

Se não houver Deus Soberano

A morte é vencedora,

E a vida humana uma tragédia.

 

Se faltar o amor, e faltar o apoio,

A despeito de toda dor,

A despeito do prazer,

A vida humana é uma tragédia.

 

 

Um prisioneiro de um campo de concentração,

Que perdeu os pais, os filhos e os irmãos,

E o cônjuge e os parentes do cônjuge também,

 

Todos assassinados e ele imagina

Se não será assassinado também, e

Se não estará próxima a sua hora.

 

Este servo sofredor,

Este homem de todas as dores.

 

Ainda assim ele pode dar, e receber

Amor, e apoio.

 

Ele pode cuidar de uma criança que vê exposta,

Pode cuidar de um velho preso com ele.

 

Pode sustentar sua indignação

Contra os ímpios, insensatos,

Responsáveis por tudo aquilo.

 

Pode não se curvar jamais

Para receber o jugo do pecado

 

Pode manter sua imagem e semelhança de Deus,

Cuidando e amando e apoiando os mais fracos,

E agradecendo pelo bem que lhe fizerem.

 

Outro indivíduo humano porém

Pode ter tudo que é material,

Pode ter casacos para o frio,

E roupas para frequentar as festas.

 

Pode ter dinheiro para gastar,

Acesso a boas comidas e bebidas finas,

E os melhores serviços médicos

Que o dinheiro pode pagar.

 

E pode ter acesso a escravos, ou escravas, sexuais,

E pode até possuir uma bela família, belos filhos, apaixonado cônjuge.

 

Pode ter recebido medalhas, comandas, troféus,

Das mãos de suas autoridades máximas e supremos líderes.

 

E ainda assim pode não ser capaz de dar, nem de receber,

Amor, e apoio.

 

Digamos que ele seja um soldado, ou diretor,

Responsável por aquele campo de concentração.

 

Ele não pode cuidar da criança que vê exposta,

Nem cuidar daqueles velhos presos.

 

Na verdade ele é parte da razão

Para aquelas crianças e velhos estarem presos, e expostos.

 

Ele não pode se indignar com a injustiça,

Apenas acumulá-la dentro de sua alma,

Até que seja hora de entregar sua alma.

 

Ele não pode desaprovar aquilo que vê,

A não ser que desaprove a si mesmo.

 

Ele não pode deixar de ser curvar para ser

Submetido ao jugo dos seus pecados.

 

Nem pode manter sua imagem e semelhança de Deus,

Ele que a cada dia fica mais

Parecido com uma serpente.

 

Uma vida humana tornada em maldição,

Mesmo que possua tudo de material, até o seu fim,

Não pode escapar de ser uma tragédia.

 

Neste sentido, que não é material, é espiritual,

A existência do prisioneiro abre-se para a Esperança,

Enquanto a existência dos seus captores, dos seus carrascos,

Termina num círculo de maldição.

 

Ouroboros. Eterno retorno.

Cobra engolindo o próprio rabo.

 



quinta-feira, 26 de junho de 2025

Sobre O Poder E A Razão Do Ser Humano

 

Sobre O Poder E A Razão Do Ser Humano 25.06.2025

 

O ser humano tem poder e razão suficientes

Para viver sob leis igualitárias.

 

Para viver sob governos moderados e rotativos,

Sob leis que assegurem bem-estar para os mais pobres

E assegurem limites inegociáveis

Aos que exercem o Poder Político.

 

O Poder que é da coletividade

Não deve ficar concentrado nas mãos de um, ou de alguns.

 

O ser humano tem poder e razão suficientes

Para viver sob leis igualitárias

 

Acontece que este mesmo poder e mesma razão humana

Quando não submetidos a um ideal maior, a um poder sobre-humano, isto é,

Quando divorciados e afastados de Deus,

Voltam-se contra o próprio ser humano.

 

Ama Deus e ama o próximo e a si mesmo

Quem usa seu poder e sua razão para viver

Sob leis igualitárias desfrutando

De justiça, confiança e boa vontade entre seus semelhantes.

 

Tais a bênção e a responsabilidade humanas.

 

O que dá honra e glória ao ser humano, afinal,

Não é seu poder nem sua razão,

Mas sim a maneira de que se serve deles.

 

Do que adianta poder e razão se são usados

Para criar, fortalecer ou defender alguma ditadura?

 

Nesse caso seria preferível

Não ter poder ou razão de forma alguma.

 

Poder e razão para oprimir, roubar, matar, enganar?

 

Nada de Glória nem de honra

Para um poder ou razão assim.

 

Sobre A Ganância Escravizadora

25/06/2025


Sobre A Ganância Escravizadora

 

Que triste o mundo, que triste,

Porque dominado pela ganância humana!

 

Ganância de riquezas, de prazeres, de conhecimento, de poder,

Ganância, sempre ganância!

 

Sempre a tentação por não acatar um limite

- “De todos os frutos de todas as árvores podereis comer,

Exceto do fruto de uma das árvores,

Pois se o comerdes certamente morrereis.”

- Conforme dito por Deus para Adão e Eva.

 

E qual o fruto que Adão e Eva haveriam de provar?

Exatamente do Fruto Proibido.

 

Ganância que inicia guerras de conquista e dominação,

Ganância que entrega milhões de pessoas a uma ditadura,

Ganância que leva a dar de ombros para as vítimas.

 

Ganância na indignação seletiva,

Ganância e hipocrisia naqueles

Que filtram um mosquito do partido A

Deixando passar um camelo do partido B.

 

E arranjam desculpas para os culpados,

Enquanto arranjam castigos para os inocentes.

 

Um mundo dominado pela ganância

É um mundo assolado por ditaduras,

É um mundo assolado pelas guerras,

Mundo assolado pela morte,

Pela fome e pelas doenças.

 

É um triste mundo, que mundo triste,

Porque dominado pela ganância humana!

 

Famílias desestruturadas, crianças expostas,

E o ódio e a desconfiança e a injustiça que aumentam!

 

Governantes, legisladores, juízes e todas as autoridades,

Desde o general até o guarda de trânsito,

Entregues à corrupção e à exploração do próprio povo.

 

E líderes religiosos também,

Corruptos, abusadores e coniventes!

 

Os bons, os corajosos, os melhores,

Entregues às prisões, às censuras, aos exílios e às mortes,

Enquanto os maus prosperam...

 

Que triste o mundo, que triste,

Dominado pela ganância humana!

 

E alguns dos que prosperam, satisfeitos, leitores de Nietzsche, dirão:

- “Isto é a Vontade de Poder. Isto é ser um Super-Homem,

Ser um dos soberanos, um dos senhores, e Deus está morto.

E esse Nietzsche é quem sabia das coisas.”

 

Um mundo feito triste por sua ganância,

Mundo à sua imagem e semelhança.

 

Esses reis e rainhas opressores,

Exploradores, abusadores,

Senhores de escravos,

Escravos eles mesmos!

 

Os mais tristes do mundo

Mais triste justamente porque

Pensam que podem ser felizes

 

Apostando na opressão contra os próprios irmãos,

Apostando na injustiça, na maldade, na violência.

 

Que triste este mundo nosso,

Que triste este mundo deles!

 

Que triste ser uma vítima ou então um carrasco,

Que triste se tornar amigo de um carrasco

Por medo de se tornar uma vítima!

 

- “No mundo tereis tribulações, mas tende bom ânimo!

Eu venci o mundo!”

 

- Feliz quem acredita em Jesus, ainda que triste.

Infelizes todos os outros, ainda que contentes.



quinta-feira, 8 de maio de 2025

Arte Poética

 ARTE POÉTICA 


 07/05/2025

 

Parte 1 -

 

- Poesia que não diz a verdade

Para mim nem é poesia.

- Pode falar de coisas más,

Pode falar de coisas tristes.

- Pode falar de crime ou traição,

Pode falar de amor ou guerra.

- Mas se não falar a verdade,

Para mim não é poesia.

 

- Pode falar de elfos, de fadas,

Ou de ogros, ou demônios.

- Pode falar das estações, do tempo,

E até de Deus pode falar.

- Pode falar de Alexandre Magno, de César,

De Lênin, Stálin ou Hitler.

- Mas se não falar a verdade,

Jogo fora, não é poesia.

 

- Pode falar da pessoa amada,

Pode expressar dúvidas e certezas,

Pode dirigir-se ao sol, dirigir-se à lua,

Ou até a Deus, e registrar as respostas,

Mas se nela não houver verdade,

É alguma coisa, mas não poesia.

 

- Pode até ter por tema a verdade,

E ter por tema a própria poesia,

Pode girar em torno de um tema,

Ou espalhar-se para muitas partes,

Se não houver verdade,

Não lhe chamo de poesia.

 

- Pode falar de animais falantes,

Ou de um bando de piratas

E ter por cenário ilhas do Caribe;

 

Pode situar-se no tempo das conquistas,

No tempo de esperar, ou no tempo das derrotas.

- Se não houver verdade nela,

Não a considero poesia.

 

- Pode ser sobre quem lavra a terra,

Ou sobre quem vive no Palácio,

Ou sobre quem se perdeu

E acabou morrendo de frio,

Mas se não disser a verdade

Simplesmente não me interessa.

 

- Pode ter rima e métrica

Ou pode ser em versos livres,

Pode ser em prosa, inclusive.

 

Pode ser sobre um santo ou um pecador,

Um homem honesto ou mentiros.

 

Mas poesia que não diz a verdade

Para mim nem é poesia.

 

Parte 2 –

 

- Não há razão para escrever um poema

Além do prazer de escrever um poema..

 

- Aquele exato poema,

Seu, só, e de mais ninguém.

 

- Escreva se lhe dá prazer,

Se tiver algo a dizer,

Ou então não escreva!

 

- Me parece uma das coisas

Mais tristes que há no mundo,

 

Alguém que escreve, mas não o que tem na mente,

Muito menos o que traz no coração,

Mas escreve o lhe mandam.

 

Parte 3 –

 

- Quando criança, lendo Monteiro Lobato,

“Os 12 Trabalhos de Hércules”,

Quis ser escritor quando crescesse.

 

- Verdade, não foi minha primeira escolha.

 

- Primeiro de tudo, queria ser bombeiro, enfrentar as chamas,

Emergir delas vitorioso, com meu resgate humano, de preferência,

Uma linda donzela, ou então umas crianças,

Seus pais de joelhos e lágrimas nos olhos,

Agradeceriam a Deus e as abraçariam...

 

- Depois queria ser médico, cuidar da saúde

Das minhas amiguinhas. Veterinário também, talvez,

Em meio expediente.

 

- Mas essa fase durou pouco.

 

- Também já quis ser um grande artista,

Um famoso pintor, ou cineasta, talvez?

 

- Um jogador de futebol, é claro,

Mas só pra ganhar uma Copa do mundo.

 

- Poderia ter sido um agricultor e pastor, também,

À maneira de Robinson Crusoé,

Mas a minha ilha eu compartilharia

Com as meninas mais lindas...

 

- Ou quem sabe eu seria um astronauta, como Flash Gordon?

- Eu já tinha os cabelos loiros, afinal...

 

- Também um sábio cientista, conhecedor dos mistérios

Da natureza, eu sonhava ser...

 

- E também um rei, distribuindo justiça...

 

- Mas tudo isso passou, foi efêmero,

Exceto o sonho de ser escritor, que se mantém.

 

- Adolescente, caprichando nas redações da escola,

Lendo muito, e apaixonadamente,

Também apreciando as outras artes, intensamente,

- Música, cinema, desenho, pintura...

- Mantendo a chama acesa...

- Estudando mitos, histórias e sonhos...

 

Fui aos poucos me tornando mais escritor, me tornando mais poeta.

 

- Um desejo que surgiu em mim e me acompanhou

Através da Faculdade, através da profissão,

Através da vida adulta.

- Através do casamento e da vida de família,

E já terão passado mais de 40 anos...

 

- Sou de fato escritor, sou poeta,

Já preenchidas mais de mil páginas de cadernos,

Com as minhas poesias.

 

Apenas publiquei uma pequena parcela dos meus escritos,

E apenas de forma autônoma,

No Blog “Notas da Liberdade”, em meu nome,

João Felipe Pontes Sinatti.

 

- Preciso publicar mais, reconheço, mas independente disso,

Já sou escritor, sou poeta,

Bom ou mal, eu não sei,

Decida quem me lê.

 

- Eu escrevo, e quando escrevo

Sou fiel a mim mesmo,

Do jeito que eu queria.

 

- Estou vivendo este meu sonho,

E só tenho a agradecer.

 

 

Parte 4 –

 

Quando eu tinha uns 18, 19 anos,

Antes de começar a escrever, mais a sério,

Eu lembro de um diálogo que eu mantive comigo,

Em que eu me perguntava, e me respondia,

Sobre minha motivação pra escrever.

 

E eu me dizia que eu não queria

Escrever por dinheiro, ou pra satisfazer algum público,

Mas eu queria escrever a minha verdade,

E escrever para satisfazer a mim.

 

- Claro, se um grande público viesse a me admirar, e eu ganhasse um rio de dinheiro,

Melhor ainda.

 

- Mas eu não iria buscá – los, eles que buscassem a mim,

Se as minhas verdades, nos meus escritos,

Pudessem ajudá – los, satisfazê- los...

 

- Foi assim que eu fui me lançando à escrita,

Entre muitas idas e vindas,

Entre muitas tentativas e erros.

 

- E não, até hoje não me tornei milionário com meus escritos,

Nem arrasto multidões de fãs por onde passo.

 

- Mas meus escritos estão aqui, e muito do jeito que eu queria,

Com meus erros e meus acertos,

E refletindo as minhas verdades.

 

- Escrevo coisas que eu gostaria de ler,

Escrevo para me revelar e para me conhecer,

Escrevo o melhor que posso.

 

- E se meus escritos puderem ser

Úteis e aprazíveis para alguém,

Melhor recompensa eu não poderia ter.

 

- Sim, eu sei,

Preciso voltar a publicá-los.

 

 

 

quarta-feira, 7 de junho de 2023

Demônios do Ar

 

 









 

Demônios do Ar

 

06.03.2023

 

Parte 1

 

Demônios do ar, invisíveis,

Passam seu tempo rodeando a Terra,

Percorrendo desertos e oceanos e pântanos,

- Os piores lugares, os mais inóspitos,

- Vasculham a Terra por completo,

E cada um dos seus habitantes.

 

Têm o olho rápido e o faro apurado para descobrir

Os que eles identificam como suas vítimas.

 

- Obsessões. Lamentos. Conflitos.

- Tudo que é mau lhes abre o apetite.

- Tudo que é desarmonia soa como música aos seus ouvidos.

 

Infiltram-se em Palácios, em Bibliotecas,

Em seres humanos levianos, ainda que de boa aparência.

 

Infiltram-se em todos os lugares, mas é mais fácil que se infiltrem

Nas casas dos muito pobres e nas casas dos muito ricos.

 

- Assim as coisas dos homens.

 

Mas nenhum homem pode deixar de vigiar

Sobre sua própria conduta em sua vida.

 

- Milhões vão se perder em cada geração humana,

Às custas da insensatez e da violência.

- Milhões ficarão desabrigados,

- Milhões morrerão na indigência.

 

Discursam os sábios, os de coração bom, mas não são ouvidos

Onde a corrupção já se instalou.

 

- O caminho que vamos todos percorrer

Pertence exclusivamente a nós mesmos.

 

*********

 

Parte 2 -

 

Fiquei feliz porque morreu um homem bom que eu conhecia

Porque morreu em idade avançada,

E porque até bem perto de morrer estava

Sempre de bom humor, e sempre sorrindo.

 

- Passava sempre com sua esposa, de braços dados.

 

- Passei hoje por ela.

 

- Nos seus olhos o sofrimento

De quem viu o esposo desaparecer

- Muito rapidamente, muito repentinamente.

 

- Muito inesperadamente, até,

Inacreditavelmente, até.

 

- Quatro meses que já passaram

Desde que seu esposo se foi.

 

- E ano passado ela havia

Perdido também o seu pai.

 

- Cumpre a ela agora aguardar por sua vez

Através de dias mais sofridos de sua vida

Que a sua morte venha para também a levar,

Da mesma forma que nos leva a todos.

 

- “Força” – é o que falo para ela,

- Sem saber direito o que dizer,

- Mas sei que devo dizer: “Força”, e apertar-lhe a mão,

Desejando, realmente, que ela encontre esta força.

 

A vida humana é uma loucura

Envolta num enigma.

 

**********

 

Parte 3 -

 

Às vezes vemos triunfar os maus

E às vezes vemos os bons sofrer.

 

- E não entendemos muito mas entendemos

Que precisamos sustentar nossa fé na Providência de D´us,

Para prosseguir combatendo o triunfo dos maus,

E seguir aliviando o sofrimento.

 

Porque é assim que se serve, de verdade, ao Senhor,

Esta sendo nossa razão de ser.

 

- É duro o que é exigido do ser humano,

Mas daí mesmo é que vem o valor que tem

Aquele que cumpre com honra o seu serviço.

 

**********

 

Parte 4  -

 

Vi alguns homens felizes, próximos de morrer,

- (Eu não sabia que estavam doentes)

- Vi alguns homens que ainda celebravam, felizes, as vidas que ainda mantinham,

Seus rostos vermelhos, aquecidos pelo vinho.

- (E eu nem sabia que eles já sabiam

Que estavam muito doentes, e até tinham consultado o médico para saber

Que a doença que tinham era de difícil e incerto tratamento,

E que a areia de sua existência agora

Deslizava rápido, descendo,

Esvaziando a parte de cima,

Das ampulhetas que eram suas vidas).

 

- Claro que tiveram medo.

- Claro que sofreram.

 

- Menos porque iam, mais porque deixavam

Pessoa que amavam e que em troca também os amavam.

 

- Ainda assim não sentiam medo nem sofriam.

 

- Não, fundamentalmente.

 

- Não, em verdade.

 

- Não em verdade, porque tinham sua fé

Escorada em sua consciência limpa.

 

- Não fundamentalmente, sofrimento e medo,

Porque entendiam que tinham cumprido bem sua missão,

E que não tinham sido inúteis, as suas vidas.

 

**********

 

 

 Parte 5 –

 

A vida humana é uma loucura, envolta em um enigma,

Como entendem todos que já viveram, e que pensaram sobre isso.

 

- Amizades e inimizades

- Decepções e recompensas

- Aprendizado e oportunidade e amor sexual e amor de filhos

- Escolhas e consequências e infantilidades e hábitos prejudiciais, ruinosos, por vezes

- Assombros, leituras, meditação, emoções, e as grandes causas, e os jogos.

 

- Também o lado sombrio, às vezes, abençoadamente, do lado de fora,

Em notícias do jornal, no teatro ou nos livros,

Guerras e traições,

E a fome e a peste e a maior das maldições

Que é a malícia do coração humano.

 

- Celebramos o nosso tanto,

E lamentamos o nosso tanto,

Cada um de nós, humanos.

 

- E se lamentamos e celebramos como devemos,

Então é que somos felizes.

 

- E não entendemos como a nossa vida

Pode ter uma explicação total, abrangente.

 

- O nosso tempo que passa,

Como se fosse uma sombra.

 

- E se pensamos que entendemos, então nos iludimos.

 

- Devíamos cuidar dos nossos próprios problemas, é claro,

E praticar a gentileza sincera,

Universal e irrestrita.

 

- Mas muitas vezes somos derrubados por rebeliões internas

- Tão insensatas quanto infrutíferas.

 

- Todo homem que caiu, desde Adão e Eva,

Todo assassino, todo traidor, todo mentiroso,

 

Ainda que ocupe altos postos,

Ainda que se cubra de luxo,

Ainda que se oculte sob o véu

Da mais sutil filosofia,

 

Vai fazendo de sua própria vida

Um Inferno particular, e transcendente.

 

**********

 

Parte 6 –

 

Vida humana, vida humana...

 

Vida humana, loucura,

Vida humana, um enigma...

 

Bem aventurada para uns

Que na sua essência se mostram humildes,

 

Mal aventurada para outros,

Que se revelaram uns soberbos.

 

- Muito triste fica às vezes,

Se somos dominados por um furor cuja origem

É um fundo de mau sentimento.

 

- Milhões caíram porque um falso profeta

Insuflou neles uma palavra torpe,

Que lançava calúnias contra sua integridade

E elogiava-lhes a corrupção.

 

- São todos réus para condenação,

Mas a pena do falso profeta será em dobro.

 

- Traidor do seu semelhante,

Melhor lhe seria não ter nascido.

 

**********

 

Parte 7 –

 

Todos, seres humanos, somos chamados,

Mas em certas épocas são poucos,

Infelizmente, os que atendem.

 

- Tempos houve em que caíram todos

 

- “Não há quem faça o bem,

Não há nem sequer um.”

 

- Como lamenta o Salmo.

 

- Tempos em que a violência e a corrupção

Espalham-se como um vírus através do ar,

Ou como células afetadas pelo câncer.

 

- Grandes injustiças à vista de todos!

- Grandes injustiças, jamais punidas!

 

- Assassinatos, e prisões, e julgamentos fingidos.

 

- Engraçado, nunca houve um tirano

Que confessasse em público sua tirania.

 

- Nunca houve um ímpio que a todos não dissesse

Que combatia toda impiedade que existe.

 

- Tempos tristes quando os honestos e trabalhadores

Muitas dores sofrerão

Sob o Governo dos ímpios.

 

- O poder que os ímpios tiverem nas mãos vai convencê-los, e a muitos,

- Idólatras do Poder e das Riquezas, todos estes!

- Que eles mesmos são bons e têm toda a razão,

E os que eles perseguem e exploram é que são os ímpios.

 

- Estes que, hipnotizados,

Sonham que são os mais livres,

Na verdade são os mais dominados

Pelos espíritos imundos que rondam pelo ar,

Percorrendo o mundo, invisíveis.

 

- Estão prontos para se agarrar

Aos que lhes são favoráveis.

 

- É preciso que sejam convidados, para que possam entrar,

Tanto D´us como Satanás,

Tanto o Anjo Bom quanto o Anjo Mau.

 

- Mas a Serpente vai elogiar com falsidade,

E com engano vai prometer.

 

- “Bem aventurado quem estiver a coberto da má língua,

Quem não passou por seu furor,

Quem não atraiu o seu jugo para cima de si,

E que não foi preso com as suas amarras.

Porque o seu jugo é um jugo de ferro, suas amarras são de bronze,

E a morte que ela causa

É desgraçadíssima morte,

E a sepultura é-lhe preferível”.

 

- “Cuida pra não escorregares na tua língua,

Não caias diante dos teus inimigos,

E não venha tua queda ser

Incurável e mortal”.

 

- Conforme as palavras do Eclesiástico.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 31 de maio de 2023

Sobre Nietzsche, Crimes e Tiranias

 30/05/2023



Às vezes gosto de ler

Uma página ou duas de Nietzsche.

 

São ideias que ficam na cabeça

Junto com sua prosa ígnea.

 

- Ficou louco, deveras, o triste.

 

- Piorou na sua loucura, como se pode ler

Nas páginas dos seus livros.

 

- Vida sofrida ao extremo, solitária ao extremo,

E desejosa de companhia.

 

- Sonhou na escuridão do seu quarto,

A própria imagem misturada com a imagem

De antigos e fictícios judeus, gregos, romanos, arianos, e sei lá mais o quê.

 

- O extremo sofrido e fraco e doente

Sonhou-se super-homem, primeiro entre iguais, o mais poderoso e eloquente.

 

- Atacou a bondade natural entre os homens, sancionada por Deus,

Com toda a fúria maníaca de um impotente.

 

- Imaginou-se algum tipo de cavaleiro, ou de viking,

Vindo com sua turma de super-homens para submeter

Algum povo inferior, ordinário, medíocre,

Bom apenas para ser feito de escravo

- Para satisfazer os caprichos dos seus senhores.

 

- Nada mais razoável e natural, pensava Nietzsche,

Que os inferiores servirem aos super-homens.

 

- Nada mais abjeto e revoltante que o Cristo,

Que veio para servir e se sacrificar pelos homens.

 

- “Sereis como deuses” – como a Serpente sussurrou, e sonhou Nietzsche, e pronto:

Mais um sábio que era dominado por sua loucura.

- Um infeliz dominado pela corrupção.

- Mais um disposto a se tornar Caim.

- Mais um homem que sonha ser super-homem, além do homem, ser como Deus,

Termina menos que um homem, serpente invejosa e ressentida, inimiga dos homens, traidora como Judas, conspiradora, mentirosa e assassina.

 

- Mais um para se iludir e defender

As coisas boas que conseguiria com seus crimes.

- Com roubos, assassinatos,

E a perda da Liberdade entre os homens,

E a transformação de outros povos em escravos.

 

- O raciocínio calculou perdas e ganhos materiais

Atribuindo valor nulo ao que não podia ver nem tocar.

 

- E uma filosofia que justifica os crimes se fez de novo,

Entre os sonhos de um solitário no escuro do seu quarto,

Ou à luz do dia, nos seus delírios de grandeza.

 

- Filosofia da Serpente, adotada por Caim, adotada

Por Judas e por Jezebel, e por todos mais

Que viram suas costas ao verdadeiro Deus e vão seguir

A própria vaidade, representada nos seus ídolos.

 

- Filosofia de Raskolnikov e de Napoleão

- Filosofia de Hitler e de Stalin

 

- Filosofia que é capaz de apoiar e defender

Extremos de injustiças e males particulares.

 

- Defende uma, e defende milhões,

De perseguições e prisões,

E desapropriações e assassinatos.

 

- Defende guerras, tiranias, morticínios pela fome,

Porque promete, e acredita

- (Ou finge que acredita)

- Num Mundo perfeito que saberia como alcançar

- Através de suas teorias e raciocínios

Nietzschianos, ou marxistas,

- Através do falso profeta da moda,

O falso profeta da vez.

 

- Pode ser o delírio de um coletivismo absoluto em paz perpétua,

Sob os auspícios de um Grande Irmão infalível.

 

- Ou pode ser o delírio de camaradas guerreiros à Nietzsche,

Exercendo, como super-homens, o domínio.

 

- Claro que vão detestar os Evangelhos, e toda a Bíblia,

- Claro que vão desprezar e escarnecer da Palavra de D´us.

 

- Toda a sabedoria dos antigos para estes é nada

Diante da sua pretensão de sábios e modernos.

 

- Muito ruído, e pouco sentido,

Muito delírio, e pouca realidade,

Na tua triste e louca filosofia, porque assassina,

E apoiadora de assassinatos.

 

- Sua grande raiva e inveja dos homens

Fez com que se tornasse inimigo e traidor

De seus semelhantes, e de si mesmo.

 

- Mais um sábio aos próprios olhos,

Seguindo os desejos do próprio coração corrompido

E sofrendo outra metamorfose terrível

De ser humano em serpente.

 

- Pelos frutos os conhecemos, mas certos frutos somente

Serão reconhecidos depois de terem envenenado a muitos.

 

- Tristes filósofos que se tornam venenosas serpentes

Inimigas da raça humana.

 

- Tristes os homens, os tempos,

Dominados por venenosa filosofia.

 

- Ressentimentos que se transformam em justificativas que se transformam em crimes

Que se transformam em grande e terrível tirania.

 

- Tristes os tempos que sofrem com tiranos!

 

- Tristes os homens que vivem nestes tempos!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sobre a Justiça

 

30/05/2023

 

Sobre a Justiça

 

- Perde-se, todo um país,

Com seu milhão, ou bilhão, de habitantes,

Quando um país perde seu senso de Justiça.

 

- Justiça que é dar a cada um o que é seu

- Com punição à violência, ao ataque,

E proteção à inocência e à defesa.

 

- Homens corrompidos culpam suas vítimas

Em países corrompidos.

 

- Justiça corrompida deixa criminosos impunes, até empoderados,

Nos países onde a corrupção domina.

 

- Não é que exista algum país, em algum tempo,

- Neste Vale das Lágrimas que é o Mundo

- Que seja perfeitamente justo.

 

- “Por que me chamas de ‘Bom’?”- perguntou Jesus,

“Um só é Bom, que é Deus.”

 

- Mas existem diferenças, as quais

Fazem toda a diferença.

 

- A principal diferença é aquela

Entre a inocência e a corrupção.

 

- Entre um homem honesto, e justo,

E um criminoso perverso.

- Existem diferenças, e a Justiça, justamente,

É dar a cada um o que é seu.

 

- Punição à violência, aos que atacam,

E se não vier dos homens, virá de Deus.

 

- Proteção aos inocentes que se defendem,

E recompensa aos honestos trabalhadores.

 

- E se não vier dos homens virá de Deus.

 

- Bendito país, benditos os homens, que

Ainda que imperfeitos, buscam realizar a Justiça!

 

- “Venha a nós o Vosso Reino,

Pai nosso que estás nos Céus”

 

- É o que pedimos em nossa oração.

 

- Que se realize Vossa Justiça.