sábado, 2 de abril de 2011

Subterranean Homesick Blues - Bob Dylan


http://www.metacafe.com/watch/sy-187835137/bob_dylan_subterranean_homesick_blues_official_music_video/


Blues Subterrâneo da saudade de casa


Johnny está no porão

Misturando os medicamentos

Eu estou pela calçada

Pensando no governo


O senhorio com a capa de chuva

Bota o distintivo pra fora diz:

“ele está com uma tosse ruim”

quer o pagamento adiantado


Cuidado, garoto,

foi alguma coisa que você fez


Deus sabe quando

mas você está fazendo de novo


É melhor andar como um pato pela alameda

Procurar por um novo amigo


O homem com pele de guaxinim na cabeça

com a grande caneta

quer onze notas de um dólar

e você tem apenas dez


Maggie chega de pé ligeiro

Rosto cheio de fuligem negra


Diz que a polícia plantou

provas no colchão

o telefone está grampeado, de qualquer jeito

Maggie diz que muitos dizem

eles devem invadir no início de Maio

Ordens do promotor público


Cuidado, garoto,

Não importa o que você fez


Mas ande na ponta dos pés

Não experimente “Cara Limpa”


é melhor ficar longe daqueles que carregam um extintor de incêndio


Mantenha o nariz limpo

Fique de olho nos policiais à paisana


Não é preciso um homem do tempo

pra saber pra que lado sopra o vento


Fique doente, fique bom,

Ande por perto de um poço de tinta

Toque o Sino, é difícil saber

se qualquer coisa vai vender


Tente bastante, seja barrado,

Retorne, escreva em braile,

vá preso, não pague a fiança,

se fracassar em tudo mais

entre pro exército


Cuidado, garoto,


você vai ser alvejado


mas pessoas que te usam

pessoas que te enganam

seis vezes perdedores


Circulam pelos teatros


garota na piscina redonda

está procurando por mais um otário


não siga líderes

preste atenção nos parquímetros.


Ah, nasça se mantenha aquecido

calças curtas

romance

aprender a dançar

fique vestido

fique abençoado

tente ser um sucesso


Satisfaça a ela satisfaça a ele

compre presentes

não roube,

não furte,

vinte anos de escola e eles te colocam no turno da manhã


Cuidado, garoto,


eles mantêm tudo escondido


melhor pular dentro de um bueiro

Acenda uma vela por você


não use sandálias

tente evitar escândalos


não quer ser um tonto

é melhor mastigar chiclete


A máquina não funciona

porque os vândalos roubaram as alavancas





Subterranean Homesick Blues

Bob Dylan

Composição : Bob Dylan

Johnny's in the basement
Mixing up the medicine
I'm on the pavement
Thinking about the government
The man in the trench coat
Badge out, laid off
Says he's got a bad cough
Wants to get it paid off
Look out kid
It's somethin' you did
God knows when
But you're doin' it again
You better duck down the alley way
Lookin' for a new friend
The man in the coon-skin cap
In the big pen
Wants eleven dollar bills
You only got ten

Maggie comes fleet foot
Face full of black soot
Talkin' that the heat put
Plants in the bed but
The phone's tapped anyway
Maggie says that many say
They must bust in early May
Orders from the D. A.
Look out kid
Don't matter what you did
Walk on your tip toes
Don't try "No Doz"
Better stay away from those
That carry around a fire hose
Keep a clean nose
Watch the plain clothes
You don't need a weather man
To know which way the wind blows

Get sick, get well
Hang around a ink well
Ring bell, hard to tell
If anything is goin' to sell
Try hard, get barred
Get back, write braille
Get jailed, jump bail
Join the army, if you fail
Look out kid
You're gonna get hit
But users, cheaters
Six-time losers
Hang around the theaters
Girl by the whirlpool
Lookin' for a new fool
Don't follow leaders
Watch the parkin' meters

Ah get born, keep warm
Short pants, romance, learn to dance
Get dressed, get blessed
Try to be a success
Please her, please him, buy gifts
Don't steal, don't lift
Twenty years of schoolin'
And they put you on the day shift
Look out kid
They keep it all hid
Better jump down a manhole
Light yourself a candle
Don't wear sandals
Try to avoid the scandals
Don't wanna be a bum
You better chew gum
The pump don't work
'Cause the vandals took the handles

Os homens ocos - Thomas Stearns Elliot

OS HOMENS OCOS

"A penny for the Old Guy"
(Um pêni para o Velho Guy)

Nós somos os homens ocos
Os homens empalhados
Uns nos outros amparados
O elmo cheio de nada. Ai de nós!
Nossas vozes dessecadas,
Quando juntos sussurramos,
São quietas e inexpressas
Como o vento na relva seca
Ou pés de ratos sobre cacos
Em nossa adega evaporada

Fôrma sem forma, sombra sem cor
Força paralisada, gesto sem vigor;

Aqueles que atravessaram
De olhos retos, para o outro reino da morte
Nos recordam - se o fazem - não como violentas
Almas danadas, mas apenas
Como os homens ocos
Os homens empalhados.

II

Os olhos que temo encontrar em sonhos
No reino de sonho da morte
Estes não aparecem:
Lá, os olhos são como a lâmina
Do sol nos ossos de uma coluna
Lá, uma árvore brande os ramos
E as vozes estão no frêmito
Do vento que está cantando
Mais distantes e solenes
Que uma estrela agonizante.

Que eu demais não me aproxime
Do reino de sonho da morte
Que eu possa trajar ainda
Esses tácitos disfarces
Pele de rato, plumas de corvo, estacas cruzadas
E comportar-me num campo
Como o vento se comporta
Nem mais um passo

- Não este encontro derradeiro
No reino crepuscular

III

Esta é a terra morta
Esta é a terra do cacto
Aqui as imagens de pedra
Estão eretas, aqui recebem elas
A súplica da mão de um morto
Sob o lampejo de uma estrela agonizante.

E nisto consiste
O outro reino da morte:
Despertando sozinhos
À hora em que estamos
Trêmulos de ternura
Os lábios que beijariam
Rezam as pedras quebradas.

IV

Os olhos não estão aqui
Aqui os olhos não brilham
Neste vale de estrelas tíbias
Neste vale desvalido
Esta mandíbula em ruínas de nossos reinos perdidos

Neste último sítio de encontros
Juntos tateamos
Todos à fala esquivos
Reunidos na praia do túrgido rio

Sem nada ver, a não ser
Que os olhos reapareçam
Como a estrela perpétua
Rosa multifoliada
Do reino em sombras da morte
A única esperança
De homens vazios.

V

Aqui rondamos a figueira-brava
Figueira-brava figueira-brava
Aqui rondamos a figueira-brava
Às cinco em ponto da madrugada

Entre a idéia
E a realidade
Entre o movimento
E a ação
Tomba a Sombra
Porque Teu é o Reino

Entre a concepção
E a criação
Entre a emoção
E a reação
Tomba a Sombra
A vida é muito longa

Entre o desejo
E o espasmo
Entre a potência
E a existência
Entre a essência
E a descendência
Tomba a Sombra
Porque Teu é o Reino
Porque Teu é
A vida é
Porque Teu é o

Assim expira o mundo
Assim expira o mundo
Assim expira o mundo
Não com uma explosão, mas com um suspiro.

(tradução: Ivan Junqueira)


Indiretas já!




Notícia de quarta-feira, 30.03.2011, numa reles página 14: “Comissão aprova lista fechada para deputados – Eleitores passariam a votar nos partidos”.


Na reportagem de Cristiane Jungblut (http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/03/29/comissao-do-senado-aprova-sistema-proporcional-com-lista-fechada-distritao-derrotado-924120385.asp )

ficamos sabendo que A Comissão de Reforma Política do Senado aprovou “uma proposta polêmica: a adoção da lista fechada para as eleições de deputados federais e estaduais e vereadores. Isso significa que, se a proposta for aprovada em definitivo pela Câmara e Senado, os eleitores não votarão mais em candidatos, mas nos partidos, no número da legenda. Por esse sistema, os candidatos que serão eleitos são os escolhidos previamente pelos partidos em suas convenções – os primeiros da lista têm eleição garantida.”


Realmente, é mais fácil dominar um partido com um grupo forte do que dominar os eleitores. As lideranças principais dos partidos, a “caciquia” vai garantir para si e para os seus os primeiros lugares nas listas, e a perenidade de carguinhos públicos dos mais vistosos: o Poder Legislativo, nada menos. R.I.P., Democracia.


Quem diria, vinte e seis anos depois da Ditadura dos Militares, cair numa nova ditadura, a ditadura dos atuais donos do poder, virando a mesa pra favorecer o seu jogo. Não mais os tanques, não mais as granadas. Mas ditadura é ditadura, e talvez a mais sutil seja ainda mais perigosa.


A ditadura que se apóia sobre as massas caladas. As massas que aceitam tudo, cada chibatada que recebe na cara, gente filmada embolsando grana, nada muda, a corrupção segue desenfreada. A despeito, ou até acobertada, pelos discursos oficiais, de que a fiscalização está trabalhando pra caramba, e a polícia, e o Ministério Público, e o Judiciário...


Segue a reportagem:


“Numa aliança inusitada, os senadores do PT e do DEM acabaram se unindo para derrotar o "distritão". O líder do DEM, Demóstenes Torres (GO), votou a favor do sistema proporcional com lista fechada, ao lado do líder do PT, senador Humberto Costa (PE). Os nove votos a favor da lista fechada foram: Humberto Costa, Demóstenes; Luiz Henrique (PMDB-SC), Roberto Requião (PMDB-PR), Jorge Viana (PT-AC), Wellington Dias (PT-PI), Ana Rita (PT-ES), Antônio Carlos Valadares (PSB-ES) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). “


Nove votos de uma Comissão definem um tema da magnitude do processo político a ser adotado pelo nosso país. Nove votos obedientes às diretrizes dos chefes, que muito e muito desejam o voto de lista fechada.


É assim que acaba o mundo
É assim que acaba o mundo
É assim que acaba o mundo
Não com um estrondo, mas com um gemido.
“ - T.S. Eliot em Os Homens Ocos


sexta-feira, 1 de abril de 2011

Depoimento de um médico brasileiro que trabalha em um hospital público

Vejam com atenção esta reportagem do Jornal da Globo de 01.04.2011:

http://g1.globo.com/videos/jornal-da-globo/v/medico-e-obrigado-a-trabalhar-sozinho-em-hospital-de-mato-grosso/1475197/#/Edi%C3%A7%C3%B5es/20110401/page/1


Esta é a realidade da maneira que tratamos tantos e tantos brasileiros. Está com a perna esmagada? Fica por aí. Sem cuidados, sem remédios, sem médico, sem hospital. Vai passar o resto dos dias aleijado? O problema é seu.


Enquanto isso, milhões são gastos nas obras de “futuros hospitais”, prédios abandonados inacabados, meras fachadas para fechar rápido os contratos e dar a justificativa “oficial” para os gastos abusivos, descontrolados.


Ah, país, quando é que vai parar de admitir este deboche, este escárnio?


Vanguart - Hurricane (Bob Dylan)

Mais uma:


Vanguart toca It ain´t me, babe, de Bob Dylan

Eu gosto de Bob Dylan. Alguém que lê o meu blog deve saber. Eu também gosto de festas e shows com rock de garagem. Juntou os dois nesse vídeo do You Tube. Uma banda brasileira, galera bem jovem.

Rock it!

Novo Adendo ao artigo Maria Bethânia e a Cultura - a hora de Caetano


Há tempos não lia um artigo do Caetano Veloso no jornal O Globo de domingo. Acho que li, todo, só um, o primeiro. Seu estilo pós-ultra desconstrutivista, ou não, não me apetecia. Mas este domingo Caetano escreveu um artigo para defender sua irmã Bethânia, até que bastante linear, ou não, no imbróglio dos altos salários permitidos por nossa legislação injusta.


Coisa pra uma galera se dar bem, ganhar 50 mil por mês, ou 30 mil, ou um milhão, em troca de nada. Será que essa gente não percebe que tem gente que ganha 500 reais, ou trezentos, ou duzentos, em troca de muito trabalho, de sol a sol?


Tem gente que pega o ônibus lotado às 4.30 da manhã. Tem gente que só volta de noite pra casa, pra criar os três filhos, e consegue criar. Será que essa gente não percebe que existe esta outra gente, real, existente?


Será que ela acha justo, pegar o dinheiro, que é do público, é do público sim, se era tributo que deixou de entrar nos cofres públicos, então é dinheiro público, que deveria servir ao público. Pois o público que ganha 500 reais, ou duzentos, ou cinquenta, será que estava sendo servido, quando pegaram 50 mil de seu dinheiro, para pagar alguém para... o que, mesmo? Ler uma poesia por dia, na frente de uma câmera? Este é o grande serviço para a “Cultura do nosso povo”?


Pois questionar isso pega mal, para nossa intelectualidade, que prefere o silêncio público, para não ficar mal com o amiguinho. Ou então parte em defesas, mesmo, do indefensável, mas aqui é o Brasil, onde se aceita tudo.


Realmente, não é um problema só dos artistas locupletados, inconscientes, soberbos. É um problema de todo o nosso país, que não cuida do seu dinheiro público, que o vê indo pelo ralo, e sem ter ao menos uma rede de esgoto, enquanto uns poucos vivem como reis. É um problema, de todo o país, que não valoriza e dignifica o trabalho.


Caetano pode gritar, esbravejar, sapatear, fazer um sambinha, que é uma obra-prima. Mas ele quer que eu cale minha boquinha, e não ofenda os brios da “classe artística”, ou da maninha? Ah, doutor, não pode não, porque eu tenho a minha LIBERDADE. Meu direito garantido, de pensar e falar o que penso.